segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Letárgia

Chorei por meia hora, duas semanas de apatia. Minha emoção parecia entorpecida, e hoje após tanto tempo consigo finalmente lembrar com certa clareza aquele dia estranho. Não era a mim mesma que via no espelho. Os olhos apagados, vermelhos. O chão frio do banheiro e a música alta na tentativa vã de calar tantos pensamentos.
Tantos "Porquês" e "ses"... As lembranças ruins não doíam tanto quanto a saudade das boas. Faz tanto tempo, mas entendo só agora o que machucava mais, além mesmo da decepção, do engano e do orgulho ferido. Foi à certeza de que eu caíra em minha própria armadilha, quebrando a minha regra mais tirana e firme da imparcialidade. Eu acreditei, realmente acreditei que poderia fazer dar certo. Achei que estava finalmente sentindo, e aquilo era uma dádiva tão incrível que chegava a se misturar com o medo de vir tudo a ser ilusão e ruir diante de bases torpes.
Odeio saber que estava certa quanto a isso. Odeio lembrar que tive que juntar um a um os pedaços do castelo de vidro, sabendo que os estilhaços foram mais fundos e danosos do que quero realmente admitir.
Era felicidade inebriante, como uma droga que me entorpecia os sentidos da razão. Era perigoso e ao mesmo tempo desejado... Esperado. Eu estava viciada "nele", nas palavras mais bobas, nos sentimentos banais e na alegria involuntária, o sorriso fácil, na possibilidade de cura que depois se mostrou como mais um ferimento profundo que tive que curar.
E então... A perda em um só golpe, e a abstinência foi aterradora a principio. Eu não soube o que dizer, por que simplesmente não entendia o que estava sentindo... Minha razão agia para não falar do quê compreendo. Fui covarde, hoje o sei, e admito meu grande pecado. Derrubada por algo que às vezes me parece tão fácil... Palavras.
Meu coração parecia danificado, e foi se curando aos poucos, e em um ritmo totalmente diferente. Nos primeiros tempos era tão fácil perder-se nos próprios passos... Ver o nome em tudo, reconhecer em estranhos os sorrisos. Parar pessoas nas ruas por achar que era você, mesmo tendo tanta certeza de que não eram. As fotos pareciam fantasmas para me assombrar, e por um tempo até a música, uma paixão me machucou, e o violão ficou parado, empoeirando-se.
Mas passou, e de repente nada mais importa. Foi como se tudo houvesse sido um sonho longo, daqueles que às vezes parecem tão reais, mas dos quais acordamos com o sol a cegar-nos a face.
Chorei por meia hora... A primeira grande dor. A cura mais lenta, e agora a minha maior vitória.
Sobrevivi, e não foi tão difícil.
É a primeira vez que me felicito por algo outrora tão incômodo: a capacidade de esquecer.

Um comentário:

  1. Odeio saber que estava certa quanto a isso. Odeio lembrar que tive que juntar um a um os pedaços do castelo de vidro, sabendo que os estilhaços foram mais fundos e danosos do que quero realmente admitir.
    Era felicidade inebriante, como uma droga que me entorpecia os sentidos da razão. Era perigoso e ao mesmo tempo desejado... Esperado. Eu estava viciada "nele", nas palavras mais bobas, nos sentimentos banais e na alegria involuntária, o sorriso fácil, na possibilidade de cura que depois se mostrou como mais um ferimento profundo que tive que curar.
    E então... A perda em um só golpe, e a abstinência foi aterradora a principio. Eu não soube o que dizer, por que simplesmente não entendia o que estava sentindo... Minha razão agia para não falar do quê compreendo. Fui covarde, hoje o sei, e admito meu grande pecado. Derrubada por algo que às vezes me parece tão fácil... Palavras.

    Por isso que se diz que o amor é um veneno ou um antídoto...se beber na dose, cura, se tomar o vidro ineteiro de uma vez, aí...aiaiaiai...aí não há mais como fugir da dor, da morte das grnades ilusões...!!
    Ameiii....mais lembrou alguém, em algum lugar "no mato" lá no interior do país...!@!

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