sexta-feira, 17 de junho de 2011

Valentina...

Este é um trecho de um romance que venho escrevendo há alguns meses. Faz parte do primeiro capitulo. O nome do livro MESMO eu não escolhi ainda (e olha que ele já está bem adiantado, rs). Espero que gostem.
Lorem Krsna

O estranho na Catedral



Os dedos dela deslizavam pelo teclado do piano, enquanto o som claro retumbava nas paredes da catedral antiga. A música parecia brincar com as luzes dos vitrais de cada janela. Borboletas multicoloridas flutuando ao som de cada nota, batendo no teto alto e refletindo nos bancos...
Valentina sorriu e fechou os olhos. Havia tanta paz alí!
  Ainda de olhos fechados teve então a repentina sensação de estar sendo observada. Os dedos pararam e o som ecoou ainda por um instante antes de cessar de vez. Virou o rosto por sobre o ombro e notou uma figura parada em pé perto da primeira fileira de bancos. Seu coração pereceu parar. As partículas de poeira flutuavam ao redor como luzes, iluminando a imagem que parecia irreal. Era um rapaz. Os cabelos cacheados muito escuros, os olhos eram profundamente negros e o rosto pálido. Não lembrava de na vida inteira ter visto alguém tão bonito.
Os olhos dele se prenderam nos dela. Eram tristes e inocentes como o de uma criancinha. Jeans desbotados e uma camisa preta de botões. a expressão dele parecia confusa, surpresa.
Valentina se levantou do banco e tentou sorrir:
- Olá!
Ele não respondeu. Continuava a encarando, os braços estendidos pelo corpo.
- Desculpe, você deve ser o rapaz que ajuda o Padre Emiliano na catedral. - Ela continuou, descendo os degraus - Eu não resisti, espero que não seja proibido entrar assim, e tocar sem pedir permissão. Não quero causar problemas...
O rapaz nada disse, desviou o olhar dela para o piano, a testa franzida. "Que estranho!" Ela pensou, já um pouco constrangida e nervosa.
- Eu sou Valentina. - Falou, tentando fazê-lo falar ao menos o nome.
O rapaz voltou a olha-la e caminhou na sua direção devagar. Notou que ele parecia cambalear um pouco. Parou a dois passos de distância e se segurou no banco:
- Você está bem? - Perguntou alarmada, hesitante. Estendendo o braço.
- Dove mi trovo¹... - Ele falou, a voz hesitante e rouca.
A testa dele estava franzida. "Italiano?" Ela então notou os arranhões em seu pescoço e mãos, como se houvesse se arrastado no chão. Sangue pingava pela manga de sua blusa  de algum ferimento oculto. Valentina olhou paralisada:
-Meu Deus!
- Suonare il pianoforte²- ele falou em  um sussurro e então se empertigou e olhou para o altar. A luz dos vitrais refletiu diretamente sobre ele e por um instante ela imaginou algo absurdo... a luz parecia criar asas nas suas costas.
Então a sua expressão mudou para dor e ele cambaleou na sua frente. Ela venceu a distância entre os dois e tentou ampará-lo no instante em que  o rapaz estranho caia no tapete vermelho.
- Socorro! Ajudem aquí! - Gritou - Socorro!
Olhou para o rosto pálido, ajoelhada no chão. Era pior do quê vira de longe, ele parecia mesmo muito ferido! O que pudera ter acontecido? Quem era ele?
***
¹ Onde estou
² toque o piano

Fragmento 
autora
Lorem Krsna

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