sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Estrelas




"- Ele disse o que? - perguntei baixinho.
- Que as estrelas eram pessoas boas, que quando morriam iam para o céu. E que minha mãe era uma estrela. Mas eu não conseguia entender, as estrelas pareciam tão longe...não devia ser bom ficar longe das pessoas que a gente ama. Então o céu não devia ser tão bom.
Ela esticou a mão e a peguei, as luvas quentes entre as minhas, brincando com meus dedos.
- É o que mais lembro de quando enxerguei. As estrelas. E então eu entendi uma coisa...Se eu não podia esquecer como eram as estrelas, não havia como eu esquecer da minha mãe. Então, devia ser por isso. A maneira que as coisas eram feitas, para a gente não esquecer, e da morte ser uma coisa mais bonita.
Fiquei absorvendo suas palavras.
- Meu pai é uma estrela. - sussurrei.
- Não, por que estrelas são bolas de fogo a bilhões de anos luz. - Ela riu e revirei os olhos. - Mas foi uma boa analogia do meu pai. Ele estava me falando da morte sem dor, de uma forma mais bonita."

--Da Tua Retina (Lorem Krsna)



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