sábado, 17 de dezembro de 2016

"Do que você gosta, então?"

"Do que você gosta, então?"
 
Fonte 
Gosto de andar descalça. De secar cabelo ao vento. De dormir pro lado contrário da cabeceira da cama. As vezes  da na telha e durmo no chão. Gosto de apagar todas as luzes da casa quando a lua ta bonita lá fora...Gosto também do som do mar, e quando chove e tem sol ao mesmo tempo. Gosto do som da chuva de manhã cedo também. Gosto da risada do meu sobrinho. Gosto de café forte e sem açucar. Gosto do cheiro do café. Gosto de gente que entende o outro, que enxerga o outro...Gosto de pessoas gentis. Gosto de sorrisos de verdade. Daqueles dados depois de uma risada alta, que faz lacrimejar de tanto rir.
Gosto de gente que se importa, e não tem medo de mostrar que se importa.
Gosto do silêncio também. E da música também. E do silêncio depois do fim da música.
Eu gosto...de me sentir em casa. Das pessoas que são minha casa. E da sensação de o mundo poder ser minha casa, por que as pessoas que amo estão por toda parte.
Gosto do perfume que lembra a minha mãe. As vezes coloco ele quando quero me sentir confortada.
Gosto de receber um abraço quando me sinto triste, mesmo que contato físico me incomode em dias normais.
Gosto de chegar em casa depois de um semestre fora, deitar na varanda, apagar as luzes e ficar sozinha por algum tempo, em um ritual de boas-vindas.
Gosto de falar com pessoas que sabem ouvir. Que querem ouvir.
Gosto de chá gelado e de sorrisos quentes.
Gosto do que é leve, do que é suave, que não pesa no coração, na mente. Que é seguro, sem estagnar. Sem prender, mas sim soltar.
É disso que gosto.


Lorem Krsna

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Moço


Moço, as coisas vão melhorar
A gente tem que acreditar
Que a vida não é só pancada.
Tem também aqueles risos
Aquelas pessoas
Aqueles momentos, aquelas coisas boas
Que acontecem e a gente se renova com a vida
Nem tudo é desgraça
Nem tudo é injustiça
É nisso que vou acreditar
e manter
minha s a n i d a d e
Manter minha FÉ
Esperar pelos dias melhores, pelas boas notícias.

Lorem Krsna

sábado, 22 de outubro de 2016

Ninguém precisa saber

Então você faz tudo para melhorar, e nunca acredita que nada está bom o bastante, que faz o suficiente. Seus pontos fracos ficam tão evidentes, você pensa que todo mundo pode enxergar o quanto eles absorvem quem você é. Por que se tem dez pessoas que dizem que você consegue, você acaba escutando aquela que fala que você não vai conseguir, que você não sabe o que está fazendo.
E tudo parece um drama, você é tão dramática. Seja melhor. Seja mais forte. Não deixe sua vida pessoal interferir em todo resto. Olhe os outros ao redor. Eles tem problemas maiores e conseguem.
Já devia ter superado.
Você reclama demais, não tem motivos para estar assim. Mantenha a cabeça.
Seja racional.
Aguente o impacto, como sempre aguentou. Você não tem coração mesmo, sempre foi tão fria com as coisas. Sempre riu das coisas mais sérias como se não fossem nada.
Está sempre longe de todos, se afastando de todos. Deve se achar melhor que todo mundo mesmo.
Não conte seus problemas, eles não querem saber, ninguém precisa ouvir seus melindres. Finja que é segura, até que seja segura. E não chore, ninguém precisa saber.
Abra esse sorriso mesmo sem querer. Seja excêntrica como sempre. Engula o choro, engula os problemas. Mastigue. Engula. Ninguém precisa saber.
Tem problemas piores, não seja dramática. Não deixe interferir. Não seja fraca. Não seja mole. Não mostre o que tem dentro.
Ninguém precisa saber.
Você que não quer ninguém, você que está sempre sozinha, você que não gosta das pessoas, você que rompe antes que alguém o faça.
Você que sempre se afasta. Há um problema com você.
Há vários problemas com você.
Mas são tão pequenos comparados aos outros.
Eles conseguem, você não.
Ninguém precisa saber.
Se esforce mais. Está ficando para trás. Está perdendo tempo com coisas sem jeito. Sendo dramática, sendo hiperativa. Você não come bem, você não dorme bem, você não sabe se cuidar. Você atravessa a rua sem olhar, está sempre esperando aprovação, que sabe que não virá, por que você que precisa se aprovar. E você não consegue, por que sempre há aquele ponto torto, aquela virgula fora do lugar. Sempre há aquela voz que diz que você não consegue, que não é boa, que falta algo. Ainda assim você se esforça, se mata, se contorce e se recria toda noite, tentando silenciar essa voz, tentando ficar melhor. Tentando não deixar mais nada de atingir, interferir, te ferir.
Mas você não conta para ninguém essa sua luta diária. Você apenas sorri e sai de casa todo dia, como se tudo estivesse bem.
Ninguém precisa saber.


Lorem Krsna 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Phoenix

Image:George Redhawk


E dessas cinzas,nasci de novo
O que não me mata me fortalece.

Não se cava do fim do poço
Dos erros sempre se tira um pouco.
E se sobe assim como desce.


Fênix, Lorem Krsna


domingo, 18 de setembro de 2016

Perdidos



Eu não sei em qual esquina fomos nos perdendo. 
Quando nossas relações começaram a ser regidas por aparências, quando o que os outros achavam de nós mesmos começou a ser um motivo para nos tornamos outras pessoas.
Quando demonstrar carinho, sentimentos se tornou uma fraqueza?
Quando nos reduzimos a seres isolados em meio a multidões?
Quando nos perdemos de nós mesmos?
Fomos perdendo aquela lealdade, aquela empatia tão importante que nos fazia tão humanos...
Fomos engolidos. Dançando conforme a música. Criando laços por aparências, escolhendo pessoas por fachadas, trancando quem fomos dentro de nós, jogando a chave fora.
E hoje, fazemos piadas das dores, quando não são nossas, e achamos que as pessoas tem que exigir respeito, como se não fosse um direito de todos nós. E um dever de todos nós.
É, nos perdemos sim em algum ponto. Tragados por uma imensidão de tanta coisa que não representa nada...
Eu lembro quando queriamos fazer alguma diferença.
Antes de nos mutilarmos daquilo que nos era tão importante.
E hoje? Somos seres perdidos, flutuando entre uns aos outros, tentando nos conectar de alguma forma. 
De qualquer forma.
Com ligações tão fracas, que por vezes não duram nada, e acabam levando ainda mais do que nos resta.
É. Nos perdemos realmente.

Lorem Krsna

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Nada nos prende.



Um dia eu saio da sua vida.
Assim mesmo, sem aviso. Vejo a porta aberta, vou saindo. Não importa a hora da madrugada, o clima, ou o filme em cartaz.
Não grito, não me desespero.
Nem choro.
Chorar é complicado pra mim. Minha emoção não transborda pelos olhos, transborda pelos dedos.
Um dia, eu apenas deixo de atender as ligações, de mandar mensagens.
Aos poucos você vai esquecendo meu rosto, meu gosto. Minha voz.
Vai ser sem explicações longas, não preciso delas.
Você não precisa delas também.
Você nem vai perceber quando as pequenas trincas, quebraram o vidro inteiro.
Quando se dê conta, só vão haver pedaços.
Eu não fico por pedaços.
Um dia você vai entender que as pequenas coisas valiam bem mais, no bem e no mal dos detalhes.
E que haviam tantos detalhes, que só de longe fariam sentido.
É preciso partir, é preciso voar, do chão não se vê o  quadro que se forma quando todas as coisas se juntam.
Um quadro belo, ou um caos.
Não nos arrastaremos juntos, quando o chão não nos cabe.
Quando nada nos acrescenta.
Não há mais nada a ser ensinado e aprendido.
Quando o peito aperta, mas do que o sorriso surge. Ai eu sei que é hora de ir.
Por nós, e mais por mim. É em mim mesma que penso, não minto sobre isso.
Melancolia e infelicidade são coisas diferentes.
Minha melancolia nunca se vai, mas não vim nessa vida para ser infeliz.
Não preciso da tristeza, não me agarro a ela.
Se puder, fujo dela.
Vou embora dela.
Você era minha tristeza.
E eu era a sua.
Por isso me vou.
E quem sabe nesse vazio que era a sua tristeza e a minha juntas, não surge um espaço para se construir.
Varra os pedaços para fora.
Abra as portas e as janelas.
Abra as asas.
Nada nos prende mais aqui.


Lorem Krsna

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Caos



Sofro por antecedência. De certos males imaginários, ou fatos que não estão sob o controle de ninguém. Reclamo de falta de tempo, mas se tenho algumas horas livres, preecho tudo, não quero a cabeça vazia. Pensar no depois me deixa sem dormir. E ainda assim eu penso, nessa capacidade estranha de fazer tantas coisas ao mesmo tempo. E querer fazer tudo certo ainda assim.
Tenho a planta de uma casa que não sei quando construir.
Faço o orçamento de um negócio que não sei quando vou abrir.
Penso nos problemas que nem mesmo estão perto de acontecer.
Tenho aquele monte de planos sobre o futuro, quero meu sossego.
Quero meu silêncio e meu canto.
Quero o descompromisso, fazer tudo no meu passo, que seja rápido, que seja manso.
Sem cordas. Tudo solto, na bagunça eu me acho.
No que observam vazio, eu vejo o espaço.
A liberdade é excitante e assustadora, por ser tão cheia de possibilidades.
E quando consigo algo, sempre quero mais. Sempre falta algo. Sempre pode melhorar um pouco. Está torto, inacabado. Podia ser melhor, podia ser mais rápido.
Sofro por aquele velho mal dos prazos, que estabeleço para mim mesma, e que nem sempre bate com os dos outros. Vou criando aquelas metas que parecem loucura, e ainda vou flutuando para elas.
Em resumo, sou um caos. E o pior  - ou melhor - de tudo, adoro meu caos.

Lorem Krsna


Vasculhe

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...