Mostrando postagens com marcador pensamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pensamento. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Um tudo do todo

 “Nós nascemos para dizer adeus, mas nunca aprendemos como.” 

Em um momento abrupto de clareza, um dia eu disse essa frase para uma pessoa querida que havia perdido algo precioso, sem saber que um tempo depois estaria me despedindo dela também. Eu não havia aprendido a dizer adeus também, e não acho que um dia eu vá.

O tempo é a grandeza física mais traiçoeira que existe.

Eu olho para os cabelos brancos surgindo na cabeça das pessoas que mais amo e penso que debaixo de tudo isso (dos sorrisos, das risadas, dos ‘eu te amos’ e ‘chegou bem em casa’) estão as células com seu telômeros, se encurtando a cada reprodução.

A areia está caindo na ampulheta, sem que eu possa segurá-la (e ainda assim eu quero, quero os guardar aqui comigo, os esconder do tempo. Reverter os cabelos brancos e as rugas de cada um deles, ignorando que a cada dia vejo no espelho uma pessoa mais estranha.).

E enquanto isso o tempo passa e passa (e não cura, só passa).

Nós nascemos para dizer um adeus, sempre que dizemos um olá.

É o preço de amar as pessoas.    

Lorem K Morais


terça-feira, 16 de junho de 2020

Vinho barato e Nessun Dorma

Ei vida, me responde uma coisa. Ou duas ou três, esses dias sou só perguntas para você.
Encarecidamente gostaria de saber a razão de ignorar todos os meus planos.
Você faz o que bem entende, não é? Sua ordinária. Volta aqui com todos os meus sonhos!
Me responde vida, qual o seu jogo?
Olhando para os cacos de quem deveria ser no chão, eu me pergunto como tanta gente se espanta com a morte. A morte é previsível, ela sempre vem. Já você vida, ah você!
Essa imprevisibilidade coloca todos nós de joelhos. Você gosta de ver a gente de joelhos, não é vida?
Já dizia o velho ditado Iídiche: O homem planeja e Deus ri.
Você é assim, vida, você está sempre rindo de cada plano meu. Jogando na minha cara o quanto não tenho controle de nada, além de como reagir ao que faz comigo.
E pior de tudo vida, é que você só me fode e ainda assim não vou te largar.
Por que eu largaria? Você consegue ser doce também, quando bem quer. Tão misteriosa, me incitando o bastante para eu querer saber o que vem depois.
Você é um livro sem sinopse, vida, mas com uma capa tão bonita que não posso não te tirar de estante.
Oh vida, me explica uma coisa, que direito você tem de brincar assim comigo? Eu fechei meu coração, você veio lá e abriu ele com um soco. O quebrou inteiro. E agora como faço? Eu tento fechar ele de volta de todo jeito, mas você vem de novo e de novo, sempre enviando alguém para fazer seu trabalho sujo. Eu não tenho chance alguma, tenho?
Oh vida, me diz aqui, por que você sempre anda presenteando a morte com as pessoas que eu mais quero bem? Essa sua paixão pela morte só me fode. E enquanto isso, meu coração fica escancarado, aberto, onde você sempre vai cortando a sutura que acabei de fazer.
Você vê, vida, até meu linguajar ficou chulo, mas acho que temos intimidade. Aquela intimidade de amantes de longa data, que se amam e se odeiam e não conseguem se largar. Você já está me fodendo não é mesmo? Então posso ficar livre das barreiras de linguagem, sua linda canalha.
Noite passada eu deitei no chão da cozinha ouvindo Nessun Dorma. Uma garrafa do vinho mais barato na mão, tomando goles de gargalo enquanto te xingava, pensando em sobreviver por mais uma noite dessas incertezas. Eu odeio incertezas! Estou sempre querendo saber o final da história ainda na metade, sou assim, entende? Com você não tem isso, para saber se melhora ou piora, tenho que ficar até o final, ler cada palavra, aguentar cada plot twist.
Oh vida, veja só, escrevi isso embriagada, de álcool e de tristeza.
Hoje o sol nasceu e ele estava lindo, como se estivesse o vendo pela primeira vez.
Vida, sua desgraçada, eu odeio que nunca faz o que espero, mas ainda assim, estou aqui.
Vou tentar ver o copo meio cheio.
E depois beber ele. Um brinde a você, sua ordinária. 
Lorem K Morais
x

domingo, 1 de dezembro de 2019

Os males dessa idade

Eu gosto muito de conversar com criança ou com gente idosa, mas não sei o que falar direito com gente da minha idade.
Parece que eles fazem parte de um clube do qual não tenho inscrição. Perdi a fila para fazer.
Eu fico por lá, ouvindo, sem saber direito o que dizer. E quando falo, sempre parece algo estranho.
"- Tu é velha demais para a idade, Lorem. Parece que tá no fim dos dias."
"- Tu não cresceu ainda não, Lorem? Como se anima com coisa de pirralho."
Talvez esteja tudo bem ser assim. De um dia querer pular na piscina de bolinha com meus sobrinhos e ficar maravilhada com a imaginação fantástica deles, ou apreciar um cafezinho conversando sobre a vivência do senhor da banca, na tranquilidade.
Não me importo mais de ser a estranha que só ouve por não saber o que dizer. Aprendi a ser uma boa ouvinte ao longo dos anos.
Me acostumei a ser jovem demais para ser tão velha e velha demais para ser tão criança.

Lorem Morais

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

O quadro e a parede



Para os que me perguntam - repetidamente - sobre meus relacionamentos (a ausência de um na verdade).

“As pessoas vão a sua casa e perguntam porque você não tem um quadro na sua parede. Afinal, toda parede precisa de um quadro. Sem um ela fica vazia, fica estranha. Não são aceitas paredes sem quadros.
Você gosta da sua parede sem quadros, acha que ela fica bonita sem um. Com espaço, limpa, descomplicada.
Ainda assim você vai para uma exposição de arte. E durante sua visita, você consegue admirar a beleza dos quadros. Suas cores, suas formas, suas vibrações. Você fala o quanto eles são belos para a pessoa ao lado, pergunta-se o que o criador pensou naquele momento. No entanto, quando pensa no quadro na parede da sua casa, você percebe que por mais belo que ele seja, não combina com a pintura ou com os móveis. 
Não...não exatamente com a pintura e os móveis, é um belo quadro, você pode mudar o ambiente por ele, se quiser. Na verdade o quadro não combina com você.  Você não sente vontade de levá-lo.
Você vai a outras galerias, buscando aquele quadro que vai combinar com sua parede, com você. Nunca encontra. Vibrante demais, obscuro demais. Esse outro você teria que mudar toda a casa que você adora. Esse outro ocuparia espaço demais.
Há uma parte de você que admira a beleza deles, mas é uma beleza sem significado realmente. E você não quer algo sem significado na parede da sua casa, que você tanto gosta.
No fim você volta para casa sem quadro algum. Abre a porta, joga as chaves na mesa, encara sua parede e no que as pessoas veem vazio, para você há um espaço em branco repleto de possibilidades. Você gosta de pensar olhando para aquela parede. Ela combina com sua personalidade. É sua parede. Você faz o que quiser com ela.
Se não quer um quadro, não vai colocar lá só para que os outros sintam-se mais à vontade quando lhe visitam. Não faz sentido nenhum.
Sua parede.”

 Lorem Morais

Inkspired
Wattpad

terça-feira, 26 de novembro de 2019

O crime cometido contra o tempo



Lorem Morais
Desperdiçar o tempo é algo que não tem volta, que quando passa não tem remédio para trazer de volta.
Quando eu tinha meus 14, 15 anos, não entendia bem esse conceito. Como eu entenderia? Quando se é jovem você acha que vai viver para sempre, ou ainda, que as pessoas que você se importa vão sempre estar por perto.
Depois que você entende que não é assim funciona, é obrigado a entender a finitude e, assim, a importância de apreciar as pessoas.
  Apreciar de verdade, em cada pequena coisa. Se você tiver sorte você aprende isso antes que elas sumam - sejam tiradas - de perto de você. Aquele abraço de boa noite, aquelas conversas ao redor da mesa. 
Aquelas cobranças "chatas", aquelas intimações de avisar se chegou vivo em casa. Aquelas pequenas coisas que você por vezes nem nota, mas que vai sentir falta quando elas sumirem de repente.
O quão triste é passar a vida toda não apreciando isso, achando que você terá tempo?Quando tudo se acalmar.Quando as provas acabarem.
Quando chegarem aquelas férias.
Quando tiver tempo.
Sempre tempo.
Uma verdade: Você tem tempo agora. Até que de repente você não tem mais.
Outra verdade: Eu queria ainda ter tempo com todas as outras pessoas que perdi. E eu perdi muitos.
Mais uma verdade: Ás vezes você perde as pessoas para a morte, em outras você perde elas para a vida vida. Nos últimos anos eu venho perdendo para os dois
.Eu não sei quando eu percebi finalmente aquele relógio em cima da cabeça das pessoas.  Quando eu passei a entender que as pessoas com quem me importava não eram imortais? Ou que se cansam de esperar por mim enquanto eu esperava por Deus sabe o quê?
 Isso é importante. Entender sobre o peso das coisas que você não fala, ou o tempo que você perde não apreciando nada, só aguardando o tempo certo.
 Como você pode esperar o tempo certo enquanto perde o agora?
Perder tempo é um crime. Um desperdício de algo que muitos dariam tudo para ter de volta. 
Então não percam tempo, não esperem pelo tempo para curar nada, não desperdicem algo que é tão limitado. Não cometam esse crime. 
O tempo não cura, o tempo não espera, o tempo apenas passa.  

Inkspired


sábado, 13 de maio de 2017

Ma


Estou me esforçando nos estudos, e traçando os planos da vida. Tento ser tolerante, sem permitir que ninguém passe por cima de mim. Respeito os mais experientes. Tento não ler com a luz fraca. Não estou deixando minha felicidade depender de ninguém além de mim mesma. Aprendi a expressar gratidão e a ser mais paciente com a vida. Não sou mais cabeça quente, milagres acontecem. 
Ainda tenho meus ataques de ansiedade, de querer engolir tudo de uma vez. Ainda internalizo. Acho que não vou montar a família que pensava, mas  sou feliz desse jeito, como se a mim me bastasse. Tinha razão nisso, pareço mesmo o tipo de pessoa que vai ser mais feliz sozinha.
Ainda sou  viciada em café e meu humor é tão duvidoso quanto pelo meu gosto por filmes. Ainda odeio comer verduras e não sei cuidar de uma planta. Não almoço todo dia, odeio cozinhar só pra mim. Ainda demoro pra pedir ajuda, achando que vou conseguir resolver, mas estou tentando mudar isso. Não tenho muitos amigos, mas tenho amigos muito bons. E tem gente que me aceita, mesmo sendo tão antipática.
Levei umas pancadinhas ou outras nos últimos tempos, mas vou indo bem. Não perdi a certeza de quem eu sou, e me esforço muito pra não acreditar quando alguém diz que não vou conseguir e que não sou boa o bastante. As vezes escorrego, são meus dias ruins. Tem alguns desses, e parece que não consigo respirar direito quando saio de casa.
Tem dias que nem saio de casa.
Tem outros que acordo cantando queen e abba.
Vou fazer meu tão necessário check-up. Logo.
Não rezo todos os dias antes de dormir. Tem dia que nem durmo.
Estou me esforçando pra ser alguém de quem teria orgulho, e de quem eu mesma teria orgulho.
Queria muito você aqui no dia da minha formatura.
Queria muito você quando eu conseguisse meu primeiro emprego.
Queria que visse o nosso café que vou abrir ainda. Sei que iria gostar.
Comi naquela padaria que tanto gostava essa semana. Perguntaram por você.
Seus netos estão crescendo. Tem outro à caminho. Todo mundo montando sua família. 
Os natais não são mais os mesmos. Você faz falta.
Sou uma adulta agora. Ou quase. Do tipo que cuida bem das finanças, mas não cuida tão bem de si mesma. Mas sobrevivo, e me adapto. E vou passando por cima das coisas ruins. Me agarrando, e me soltando. Mirando no diploma, mirando no mestrado. Naquele concurso da polícia. Lembra como falava disso, sempre? Não mudei de ideia não. Sou aquela sua teimosa de sempre, isso nunca mudou. 
Afinal, sou como a minha mãe.

domingo, 26 de março de 2017

Resposta para K.



Cara K.
Desculpe a demora na resposta. Espero que não tenha desistido de mim no processo. Como pedido de desculpas, vou te contar um segredo: sou emocionalmente manca também. Nunca sei direito o que estou sentindo. E quando sei, nunca sei ao certo como expressar nada. Vou agir quase sempre por instinto, hoje em dia. Testar o ambiente antes de entrar, ler as pessoas o mais cuidadosamente possível. Como você, eu também tinha uma guia nessa jornada estranha de entender sentimentos. Minha mãe era sua Alice. Era minha melhor amiga, minha inspiração e a pessoa que eu queria alcançar. Ela que explicava o que eu estava sentindo quando me sentia confusa. E assim como sua Alice, quando ela se foi, eu nem mesmo sabia o que sentir. Tive que ler sobre luto para entender, me afundar em livros de psicologia, para entender que aquele vazio repentino era esperado. Às vezes acordava no meio da noite com o peito doendo, e achava que estava tendo um ataque, quando na verdade sentia saudades...Então, eu entendo como é. Como é navegar em um mundo de sensações que não consegue nomear boa parte do tempo.
Diferente de você, no entanto, nunca passei por um trauma ou nada do tipo, sou como sou. E há muito me aceitei desse jeito. Com a paciência e o cuidado das pessoas que também me aceitam assim. Aprendi a apreciar as coisas como são, e abraçar a vida e todas as coisas que ainda quero fazer. Sem me desesperar, mas com avidez que seria impossível para alguém que fosse simplesmente apática. Tudo o que quero ler, os lugares que quero ver, as pessoas que ainda quero conhecer. Os sabores que vou ainda experimentar. Tudo isso me mantem querendo mais dias, anos, vidas inteiras. Não sobra espaço para ficar vazio. Não que as vezes eu não escorregue, e sinta o que você sente agora. Algo que também não consigo explicar. Como Atlas talvez, com o céu nas costas, sem conseguir me livrar do fardo pesado. Nesses momentos eu tenho minhas estratégias. Não pensar em tudo que aconteceu de ruim nos últimos tempos, mas nas coisas que quero mais que tudo. Nas pessoas que são preciosas. Na vida que borbulha e te chama, e preencher cada pequeno espaço até não sobrar nada para dúvida, para vazio.
Eu não vou mentir e dizer que a vida é simples e fácil. Você tem 12, a metade dos meus anos. Ainda tem muito o que acontecer para nós duas. E nem sempre serão coisas boas. Mas se continuar a se preencher com esse gosto de querer mais, apreciar as nuances da vida, tudo vai ficar bem. E saber que tudo muda, que as pessoas mudam, que a vida é feita de temporadas, e que você muda com elas. Nada fica ruim por muito tempo. Mesmo que os sentimentos sejam confusas, e as pessoas possam parecer seres estranhos, o próprio gosto em desvendar esses segredos faz de tudo mais gostoso. Se apaixonar e desapaixonar. Partir e ser partido. E chegar. Recomeçar. Renascer. Viva como sua Alice queria que você vivesse. Que é de forma plena, com suas peculiaridades que se te fazem diferente, também te fazem especial.
Espero que tenha ajudado de alguma forma. Você me ajudou.
Com todo carinho.

L.K

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Mundo selvagem

Foi apenas ontem que tinha uma mulher me esperando na porta quando voltava.
Foi apenas ontem que a mesa não tinha cadeiras vazias durante as refeições, e que a mente não parecia tão cheia na hora do sono.
Foi apenas ontem que entendi sobre não falar com estranhos.
Foi apenas ontem que tinha um caranguejo de estimação, bati minha cabeça naquela âncora, queimei minha mão.
Foi apenas ontem que queria ir pra escola. Foi apenas ontem que não queria mais.
Foi apenas ontem que me senti inadequada pela primeira vez.
Foi apenas ontem que a mulher da varanda me disse que o mundo era selvagem e podia engolir as pessoas.
Foi apenas ontem que tinha um cachorro me esperando no portão da escola toda tarde. Foi quando o mundo parecia do tamanho do caminho entre a escola e minha casa, e tudo além disso era terreno proibido.
Foi apenas ontem que meu professor de educação religiosa me fez acreditar que eu ia para o inferno.
Foi apenas ontem que eu acreditava que se para morrer se precisava fechar os olhos, então dormir era um quase morrer, e o medo de dormir sozinha me fazia correr para a cama dos meus pais.
Foi apenas ontem que briguei na escola pela primeira vez.
Foi apenas ontem que a mulher da varanda me falou do mito da pedra, do tesouro na serra e que também tinha medo de morrer durante o sono.
Foi apenas ontem que eu vi meus irmãos indo enfrentar o tal mundo que engolia as pessoas, enquanto eu que esperava na varanda.
Foi apenas ontem que vi aquele acidente da estrada.
Foi apenas ontem que eu desci da varanda, passei pelo portão e não olhei para trás por muito tempo.
Foi apenas ontem que entendi que o medo da morte não era nada comparado ao medo de perder. Perder as pessoas, perder os sonhos, e perder a si mesmo.
Foi apenas ontem que entendi sobre expectativas pela primeira vez. Sobre o que implica a amizade. Sobre como misturar vinho e vodka não é uma boa ideia. Sobre como umas dores anulam outras. Sobre como ninguém tem uma obrigação sobre você, além daquela que você mesmo estabelece.
Foi apenas ontem que entendi que uma nota máxima na prova, não fazia de você alguém inteligente em todo resto.
Foi apenas ontem que eu entendi que me virava melhor sozinha, e que não deveria me envergonhar disso.
Foi apenas ontem que eu ri até chorar, e que as pessoas não se surpreendiam tanto com isso.
Foi apenas ontem, que quando olhei pra varanda, a mulher não estava mais lá.
Foi apenas ontem que eu entendi a razão do mundo ser selvagem.

Foi apenas ontem...e foi há tanto tempo atrás.

Lorem Krsna

sábado, 9 de abril de 2016

Sobre conforto. E pessoas


Sobre conforto. 
Sobre estar com pessoas com quem você consegue conversar livremente. 
E ficar em silêncio livremente.
Pessoas com que você consegue rir, e chorar sem vergonha ou culpa.
Pessoas que sabem quando você precisa de um abraço forte ou de distância.
Pessoas que não dizem palavras vazias, ou cruéis, mesmo em tom de brincadeira.
Por que elas conhecem quem você é.
Seus defeitos.
Seus medos.
Suas inseguranças.
E te aceitam. 
E dizem, eu "eu sei que você é uma babaca muitas vezes, mas é nossa babaca."
Pessoas que não desprezam seus problemas como coisas que podem ser ignoradas e sumirem facilmente.
Que não dizem "estou ao seu lado para o que der", mas somem, e te fazem parecer pequena demais.
Pessoas que não tentam sempre exaltar o mediocre.
Ou que saibam ouvir seus problemas, contar os dela, e não fazer disso uma competição de desgraças, mas uma forma de rir de coisas tristes, para fazê-las mais leves. 
Sobre conforto, sobre pessoas que te façam gostar delas, mas também de si mesmo. Que as façam amá-las, de mansinho, fazendo você se amar a cada dia.
Pessoas que te ligam apenas para saber se você está bem, e que realmente querem saber disso. Realmente querem saber como foi seu dia. 
Pessoas que dizem que você está errada, sem fazer você se sentir uma nada, mas sim que você pode melhorar.
Pode evoluir.
Sem deixar de ser quem você é.
Ser quem você é. 
Sobre ver suas faces, suas fases, e seu eu de verdade.
"Você fica mais bonita quando sorri de verdade."
"Eu sei quando você quer ficar sozinha."
"Eu estou aqui. Estou realmente aqui."
"Eu sei que hoje é um dia difícil, por isso liguei."

Sobre pessoas que você ama sem perceber. 
Isso é conforto.
Lorem Krsna

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Dia de nostalgia


Em dias de nostalgia, tudo parece sem graça no agora.
Quando você não acha contentamento nas pessoas, nem graça nem cor em nada, só nas coisas que já foram. 
E você pensa, como você pode estar preparada para vida se só de olhar para trás por um tempo, breve que seja, pode te congelar no lugar?
 Congelar nas coisas que foram e que sente falta. Nas pessoas que se foram e não voltam mais. Nas conversas dos dias de chuva, no conforto que não existe mais, e no silêncio que só as vezes se percebe. 
Nostalgia lembra das coisas que você deixou no caminho enquanto tinha que crescer. 
Em como as cores eram bonitas, e você nem percebe como tudo ainda está desbotado desde tanto tempo. Percebe que você é só um ponto solto em meio a tantas frases, sem saber aonde se colocar sem que o texto fique todo errado, sem significado de nada. 
Em dias de nostalgia você não tem ideia do que está fazendo, quem as pessoas de agora são, todos se tornam estranhos. 
Ninguém sabe quem você é, você é apenas um observador à parte de tudo, e aqueles pedaços te fazem falta. 
Sempre há falta na nostalgia. 
Um quê de amargura por coisas que não se consegue mudar. Um certo medo do futuro, do incerto.
 Nostalgia te faz querer voltar por um tempo que não existe mais, para pessoas que já se foram, momentos que são doces.
 De um tempo que você abraçava os laços que tinha, sabendo que agora você só quer mesmo ficar sozinha, com essa falta de cores que talvez só você enxergue.
 Lorem Krsna

domingo, 31 de janeiro de 2016

Amar nos detalhes


Love by Lorem Krsna
Eu andei pensando sobre gestos de carinho. Aqueles pequenos gestos, por que já diziam que o amor está nos detalhes. 
E isso é raro hoje em dia. Com as declarações de amor eterna nas redes sociais, na exposição de uma felicidade por vezes de fachada. Quantas curtidas tem na foto. Amor só é amor se todo mundo perceber.
Eu lembro quando o amor estava nos detalhes. Aqueles detalhes em que nunca pensei, porque era natural demais. E sempre que penso nisso, lembro da minha mãe. Ela nunca foi de declarações públicas, abraços na rua, ou mesmo fotos. Engraçado nisso, a mulher que um dia foi a menina mais linda da rua dela, odiava fotografias. 
Minha mãe demonstrava o amor nos pequenos atos, e não gostava nem mesmo que comentassem sobre isso depois. 
Como quando ela foi me deixar no cursinho, eu tinha 17, havia saído da minha cidade, e mesmo que não quisesse que ninguém notasse, estava insegura demais. Minha mãe resolveu me acompanhar com uma desculpa que tinha que fazer algo por lá também, e passou a tarde inteira em um café, fazendo palavras-cruzadas, e quando sai ela estava me esperando na porta, como se não fosse nada. 
O amor dela estava nos bilhetinhos que eu achava pela casa, nas frases que de vez em quando apareciam riscadas em meus cadernos. Estava em mandar mensagem para qualquer um de nós, apenas para dizer que havia visto algo que lembrara da gente. Nada de presentes caros, não tínhamos condições, mas sempre havia um livro me esperando nos aniversários.. 
Sempre havia algo que ela fazia, por meu pai, por meus irmãos, por qualquer um de nós, que para os demais podia parecer pequeno, mas havia tanto significado por trás daquilo, que hoje ao lembrar sinto vontade de chorar, porque não tenho mais isso.  
Eu vejo esses detalhes nos meus irmãos, no meu pai, em coisas tão pequenas que eles fazem sem pensar. Em alguns dos meus mais valiosos amigos. Aquela ligação em uma data complicada. Aquela mensagem para saber se chegou bem em casa. O silêncio quando você não quer ouvir nada. Sem julgamentos, os devidos puxões de orelha. As pequenas coisas.
Hoje em dia eu sei, que minhas pessoas mais preciosas eu conto nos dedos das mãos. O número aumentou com o tempo, o que sou grata. E mesmo que não tivesse aumentado, ainda seria.
Mesmo que fosse uma única pessoa preciosa, uma pessoa para você amar nos detalhes, ainda valeria tudo.

Lorem Krsna

sábado, 26 de setembro de 2015

Ponte


Eu atravessei a ponte, fui para outro lado, ou ainda estou indo. Foi meio aos tropeços, sabendo que era uma viagem de um caminho só. As cordas de suporte para evitar uma possível queda já eram, as cortaram há quase dois anos atrás. Quando chegar ao outro lado, ainda posso olhar para trás, dar uma olhada meio saudosista para o lado de lá, mas não tem como voltar. 
É uma ponte meio bamba, tem umas tábuas podres. Prefiro nem olhar para baixo, melhor ir andando em frente. Não posso nem fechar os olhos, seria disperdício da paisagem. Ninguém pode vir comigo, essa ponte não suporta duas pessoas. É uma viagem solo, rumo ao desconhecido. 
Como será do outro lado dessa ponte? 
Já vejo alguns contornos ao longe. Às vezes eu gosto disso, por outras odeio, mas já não tem volta.
Quando se escolhe caminhar pela ponte, eu você empaca e não sai do lugar, ou se arrisca e vai andando.
Eu preferi arriscar.

Lorem Krsna

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Cortaram o fio


Ei, eu sinto sua falta sabe. As coisas não andam muito fáceis não.
Preciso de um empurrão grande, às vezes quero ficar parada. As vezes não sei qual estrada eu pego.
Está tudo tão diferente.
As coisas pelas quais esperava não existem mais.
É como andar pela ponte, sem saber nunca o que está do outro lado, e sabendo que não vai poder voltar.
Eu não tenho mais para onde voltar.
Cortaram aquele fio sabe, e eu por vezes penso se era hora, se um dia seria a hora.
Não há mais fio nenhum, não deu tempo de construir outro. 
Ficar solto no vazio é tão triste. Falta equilíbrio, tenho medo de cair.

Está tudo complicado, aquelas crenças todas foram para o fundo de um rio. Aquela alegria toda, não sei para onde ela foi nessa bagunça.
Aquela vontade toda, por vezes tenho que lembrar dela. 

Acho mesmo que estou meio perdida. Eu preciso daquele empurrão, daquela ligação que nunca vai vir. Nunca mais.
Eu preciso daquela parte que foi embora, vivo com a síndrome do membro fantasma. 
Aquela coragem toda foi para o ralo, escorreu toda.
Aquele atrevimento, nem sentido me faz mais.
Eu odeio minha resignação, e algo dentro de mim nunca aflora. 
Eu me tranquei dentro de mim, e apenas falo pela eu impostora. 
Ninguém mais sabe como estou pelos meus alôs.

Lorem Krsna



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Café


Nesses dias resolvi reduzir meu consumo de café. Sendo um dos meus poucos vícios, não é uma coisa tão fácil. Re-li um antigo trabalho que fiz sobre as vantagens e desvantagens da cafeína, procurei pesquisas sobre a influência no manchamento dentário. Minha ansiedade me fez decidir, de 5 a seis xícaras por dia, duas ou três. Tarefa mais complicada do que se parece. Mas foi graças a essa nova meta que tive aquela epifania. 
Gosto daquele café forte, sem açúcar. Gosto do sabor na língua, puro. Mas o que realmente amo no café, é o cheiro. Aquele cheiro que trás a realização prévia, da imagem e lembrança do sabor, antes de experimentá-lo realmente. Sou viciada no cheiro do café. E não é por que ele me deixa alerta, ativa. O que me atrai no café, como um canto da sereia, são as lembranças desse cheiro. Se eu fechar os olhos, volto para casa, para meus sete ou oito anos, para manhãs de chuva e aquele aroma no ar. Volto para as discussões ao redor da mesa do café, e de vir em casa lanchar no intervalo da escola. E para as tardes, de chegar da praia, e ter o café e o bolo na mesa, e todo mundo enrolado na sala para assistir a velha sessão da tarde. 
O café para mim, é minha máquina do tempo. É minha passagem para casa, não importando em que lugar do mundo me encontre. No camping, em um hostel em alguma ilha por ai, em uma lanchonete beira-de-estrada. O café me trás essa ilusão de lar, por segundos.
Pois é, péssimo pensamento para se ter quando estou tentando reduzir o consumo.

Lorem Krsna

domingo, 9 de agosto de 2015

Um pedaço de cada um

Melbourne, 2014
Faz um pouco mais de um ano. Eu estava em um hostel em Byron Bay, dividindo quarto com mais 4 pessoas. Uma delas era uma senhora indiana. Quando conversamos, ela falou que estava viajando para escrever um livro, e que já tinha estado em muitos lugares. E que havia deixado um pedaço de si em toda parte que fora. Eu lembro das exatas palavras, e que ela perguntara se eu já me sentia diferente da pessoa que era antes de sentir o gosto do mundo.
"Não é apenas a cultura. Não mesmo. É esses pedaços que a gente deixa pelo caminho, e esses pedaços que pegamos das pessoas."
No fim, somos todos uma colcha de retalhos. Feitos de pedaços que faltam, e pedaços que pegamos de outros. 

Lorem Krsna

sábado, 8 de agosto de 2015

O último livro


Hoje eu estava limpando meus livros.
E pensei em meus aniversários.
Vou explicar o porquê.

Eu sempre tive certo azar para aniversários. Em quase todos eles minha mãe tinha que viajar. Quando eu fiquei mais velha, entendi que ela precisava sempre ir para consultas, e que isso era importante demais para desmarcar. 
Com um tempo, deixei de me importar com isso. 
Ainda assim, minha mãe nunca esquecia um aniversário meu. Ela sempre me ligava. E ela sempre me trazia um livro. As vezes até mais de um. Com um tempo, isso tornou-se nosso ritual. Sempre que ela viajava, se ela via um livro que achava que eu ia gostar, ela me trazia. Minha mãe nunca errou sobre nenhum, e eu guardei todos eles como um tesouro. Fazia anotações, sublinhava as partes para contar para ela depois. Ainda tenho todos, e por vezes me divirto lendo as coisas que escrevia no fim das páginas. Que escrevia para contar para ela depois, ou apenas por que queria mesmo.
Ela nunca fazia nenhuma dedicatória. Todo mundo que me dava um livro, sempre escrevia algo  na página da frente. Ela nunca escrevia nada. Pegava a caneta as vezes, ficava olhando, mas nunca sabia o que escrever. Minha mãe escrevia bem, era perfeccionista demais. Tinha que ser perfeito. Escrever só um "aproveite" era ofensivo. 
Eu achava isso divertido, então parei de pedir.
Eu tenho todos os livros que minha mãe me deu. Até o último deles. Lembro do dia que ela chegou com ele em casa. Eu o tinha visto quando passava na livraria, ela estava comigo, e me viu namorando o livro pelo vidro por um bom tempo. Uma semana depois ela chegou com ele em casa.
Ela era esse tipo de pessoa. Íamos para o shopping no fim de semana, ela fazia questão de me acompanhar, e ficava sentada enquanto eu passava horas na livraria, lendo os livros sem comprar nenhum. Por vezes ela levava minha irmã e eu, e mandava nós escolhermos algum livro. 
Mas esse dia, com esse livro foi especial. De vez em quando eu o abro com cuidado, e ele ainda tem o mesmo cheiro de novo. Se fechar os olhos, eu consigo lembrar dele ainda no plástico, sobre a mesa. Da cara da minha mãe, encabulada, como se aquilo não fosse realmente algo incrível. Como se ela não tivesse ido lá só para comprá-lo. Ela sempre fazia essa cara de "não seja tão emotiva sobre isso, que tolice." 

No meu último aniversário, foi quando caiu minha ficha de que aquele seria mesmo o último livro. Ela não ia chegar mais em casa com uma sacola, dizendo que havia visto esse livro e lembrado de mim, e como o vendedor havia dito que era bom. 

E por isso meu aniversário ultimamente me deixa triste. Por vezes eu penso que seria melhor esquecer sobre ele. Acho que ainda, no fundo, estou esperando minha mãe chegar com meu livro. No fundo mesmo sempre vou estar esperando.


Lorem Krsna

terça-feira, 16 de junho de 2015

Ausência

Imagem: Russ Mills

"Há uma mal chamada ausência. E quando ele me toma me encho de saudades. Ele fica assim, nas bordas deste buraco que se cria no meio peito, e que dá passagem ao vento uivante nas calçadas.
Ele me toma na alta madrugada, como um frio no qual nenhum cobertor faz efeito. É desassossego na alma, um ritmo diferente no peito, uma ferida aberta demais, que esconde-se na face de uma cicatriz exposta. Está em meu rosto, em minha voz, no que ouço, leio ou vejo. Está em tudo o que toco, mas não posso vê-lo."
__Lorem Krsna

http://loremkrsna.blogspot.com.br/2010/11/ha-um-mal-chamado-ausencia.html




Oferta

"Não posso nem pensar ao certo no que faço? Ora! Acabo mesmo pensando e pensando... e me arrependendo das besteiras que não fiz... E quem vai julgar?
Eu sei que racionalizo a vida amor... e isso é tão irracional.
Tenho em mim lágrimas guardadas, e beijos roubados para te presentear.Tenho guardado na caixa em minha mente as mais belas frases a oferecer-te.
Mas não oferto-te nada."

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Botão


Não me ensinaram onde ficava o  botão para deletar todos os pensamentos. 
Nem o de reprise, para voltar e desfazer tudo, e fazer de novo até dar certo. 
Eu queria até mesmo não sentir nada, por mais que seja um desejo insano, por vezes eu sinto isso.
Por cada vez que evitei o assunto, para não deixar alguém desconfortável. 
Por cada vez que tive que pensar ao acordar nos dez motivos de porquê naquele dia iria valer a pena sair da cama, de casa, e conversar com as pessoas. 
O porquê de acordar a cada hora a noite tentando lembrar onde estou, o que estou fazendo ali. 
Ou a razão de evitar passar por alguns lugares, e acabar procurando por quem não vai estar mais lá.

Lorem Krsna

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Eu sei lidar com meus problemas


Sadness by Lorem Krsna

Quanto mais eu penso, mais eu me sinto cansada. Mais as coisas de antes me vem na cabeça. Mais eu vejo que tudo mudou, e que a ignorância de antes nunca vai voltar. E toda aquela inocência era livre da melancolia. E que o que perdi nunca sai por completo da minha cabeça. Eu penso tanto, e tudo o que concluo é um nada. E que os planos de outrora não servem mais, por isso vivo focada, 24 horas por dias, em outras coisas. As notas sobem, as possibilidades aumentam, o cronograma para cada dia dos próximos meses feitos, tudo para que não tenha tempo de pensar demais. E no entanto, nunca estou livre disso. Nem essa sensação de ter que lembrar a cada instante o que estou fazendo.
Eu cumpro todas as minhas promessas.
Eu não falo de assuntos que deixem outros desconfortáveis.

Eu sei lidar com meus problemas sozinha.
Eu quero lidar com meus problemas sozinha.

Lorem Krsna

Vasculhe

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...