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sábado, 19 de setembro de 2020

Infecção

 A forma como eu assimilo um dano é muito louca.

Eu nunca processo de imediato, por isso a primeira reação sempre é muito fria, como se não tivesse sido nada. 

Dependendo do que for, eu consigo fazer o que for preciso no piloto automático até o pior da situação passar. 

Geralmente, só então, eu começo a processar. Sozinha.

E a primeira reação nunca é tristeza, mas ficar puta. Com raiva. Mas é aquela raiva silenciosa, a mais perigosa. E se não tem ninguém a quem direcionar a raiva, eu internalizo.

(Como resultado eu, no fundo, estou sempre com raiva. Tem raiva de anos que nunca deixei sair. Meus dentes se desgastam, meu músculo masseter hipertrofia, minha atm se fode. Sempre que um pouco daquilo sai, meu coração parece que vai sair pela boca. É tanta raiva que tem que sair de alguma forma. )

Chorar é a última parte do processo, mas é tão reprimido que passa em menos de um minuto e fica aquela sensação de que você começou a drenar um abscesso e parou no meio do caminho. Saiu um pouco da secreção, você sutura e manda para casa. Sem dreno, sem tirar tudo. Aquilo infesta dentro de vocês, deixa de ser local e vai invadindo outros tecidos. Sistematiza. 

Meu ciclo de dano sempre fica incompleto. 

Eu tenho a sensação que se for fazer terapia, que se um dia me abrirem para cuidar dessa infecção, eu vou me desmanchar em pus.


Lorem K Morais


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Leme


Sempre estive à deriva,
flutuando sem rumo, guiada por um vento que ninguém mais parecia sentir.
Um dia encontrei minha âncora e pela primeira vez me senti firme no lugar.
Parecia o certo, parecia concreto.
Até eu sentir falta do vento.
Até eu perceber que o que me firmava, me prendia.
O que me assegurava, me segurava.
Era doloroso sentir o vento e não poder o seguir.
Eu nunca precisei de uma âncora, percebi.
Eu precisava de alguém que me ajudasse a navegar. 

Lorem Krsna

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Em algum universo

  Ás vezes eu tenho essa sensação estranha que estou vivendo uma vida que não é minha. 
 Tipo, que em algum momento eu virei errado a esquina, e alguma outra eu que virou a certa está na vida que devia ser minha, em algum universo.
 Eu olho para trás e não me reconheço, e por vezes eu nem sei se sou uma pessoa melhor ou pior do que antes, porque estou diferente demais para comparar.
 Eu fico pensando em loop nas coisas que podia ter feito. 
 E não adianta pensar em nada disso, porque não tem volta, é minha politica não esquentar com coisas que não posso mudar. Ainda assim eu me pego pensando.
 Pensando nessa eu, em algum universo, que pode estar vivendo essa vida diferente. Talvez melhor, talvez pior. 
 Talvez pensando a mesma coisa. 
[eis o motivo da minha insônia] 
 Lorem Krsna

segunda-feira, 25 de março de 2019

Eu não sei se já me apaixonei.



Lorem K Morais
Eu não sei se já me apaixonei.
É, eu sei, estranho vindo de alguém que fala tanto sobre o amor, mas ainda assim é verdade.
Eu não sei se já me apaixonei, ou se tudo foi fruto de uma profunda admiração por uma pessoa (ou pessoas) que passaram em minha vida. 
E eu já encontrei tantas pessoas a quem admirar: a inteligência, a resiliência a capacidade de ser e se doar sem medo. E voltando nesses momentos eu percebo com uma clareza estranha que o pensamento mais frequente não era 'Eu quero estar com você', mas sim 'Você é como eu quero me tornar.'
Não, não. Não me entendam mal. Não sou uma ladra de identidades, como um antigo filme que assisti anos atrás. É aquela inspiração, sabe? Tem gente que gera isso na nossa alma. 
Eu me inspiro por pessoas.
Mas me apaixonar por elas?
Isso nunca sei.
A verdade é que nunca senti necessidade de alguém, nem sexualmente nem romanticamente na minha vida. Nunca veio aquele anseio. Eu nunca senti as tais borboletas, ou perdi a cabeça, ou me iludi (e como eu queria!). Sempre foi aquilo de tentar fingir, para parecer 'normal'. 
Hoje eu vejo como fui boba. Namorando por namorar. Falando sobre 'crush' e paixões que nunca aconteceram, mesmo que quando as palavras deslizam dos meus dedos sobre isso, por alguns segundos pareça tão real. 
Eu falo do amor como se fôssemos velhos amigos, mas a gente só se conhece por amigos em comum. A gente meio que ouve falar um do outro, e eu ouço tantas coisas sobre ele que sinto como se ele e eu nos conhecemos por muito tempo.
Ainda assim ele sempre fica na outra mesa no bar, enquanto eu fico no balcão observando. A gente só flerta de longe, mas nenhum quer nada com o outro.
Entende?
Como eu disse, nunca senti necessidade. 
Houveram outras necessidades. 
O anseio por companhia e uma conversa ou outra entre o café. Pessoas de quem lembrava no meio do dia ao ver algo aleatório, ou a quem dediquei poemas sobre o que foi e podia ter sido. 
Quando olho para trás, eu sempre consigo dar uma boa risada em como eu tentava - e por Deus, eu tentava - me encaixar. Sentir. Com um desespero de alguém que temia tanto se descobrir...vazia.
Não, eu não acho que já me apaixonei. Eu tentei me apaixonar, principalmente com a ideia do amor. 
Hoje eu vejo como bobagem. Como algo que se vier, se for por bem será bem-vindo, se for para não ser, que deixe a porta aberta ao sair.
E se não for para ser? 
O medo do vazio não me incomoda mais, não com tudo que hoje preenche cada espaço da minha vida. Das minhas conquistas até os meus melindres. Eu venho bebendo a vida, por vezes ela me desce rasgando como tequila, por outras é doce como chocolate quente.  Na maioria das vezes ela é como café. 
Como me sentir vazia, se a vida ocupa tanto espaço?
Aí, talvez eu tenha me apaixonado afinal.
Por viver. 
E está tudo bem ser assim. 
Ás vezes você mesmo é o que te basta. 

sexta-feira, 22 de março de 2019

Desbote


Não me desbote
Me desmanche
Ou me desconstrua.
Me deixe ser em minhas cores vivas, em meu vigor.
Não, não me desbote
Para que eu caiba em sua paisagem.
Não me dilua
Até que eu seja como você quer.
Se minha cor, vibrante e forte
Não combina com tua paleta
Não me misture e me torne outra.
Apenas me deixe ir, inteira, viva e completa.
Não me desbote.

Lorem Krsna

Um cemitério de estrelas


O céu é um cemitério de estrelas
Em sua forma lindamente trágica
Ao qual você olha e olha e tudo o que vê
É uma foto do antes.
Uma foto que vai estar lá
Talvez por anos e anos depois que você for embora.
Lorem Krsna

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Dasdú



Que das dores dentro de nosso peito possam sair palavras de alívio. 
Como a rosa que desabrocha dentro do pântano escuro.
Quem sabe, se quanto mais rosas desabrocharem, um dia o pântano não acaba se tornando um lindo jardim?

Lorem Krsna



UNiverso


Lorem Krsna

Nessa madrugada eu me apaixonei pelo universo.
Abri os olhos no meio da noite, e fitei o céu
E acima, e mais alto, e em todas as coisas que ainda não sei
E me apaixonei.
Pelo incerto, pelo mistério
Por tudo que está além da jornada e pode acontecer
Eu me apaixonei por cada nova página, e por cada estrela
Por cada imprint lá no céu, de todas aquelas que já se foram
Todas as estrelas mortas que nossos pais falavam
E eu sorri, por cada legado que representa
E eu me apaixonei pelo universo
Pelas possibilidades
Pelo infinito
Hoje eu me apaixonei pelo universo
E o universo se apaixonou de volta comigo.



sábado, 10 de março de 2018

Sobre querer


"No fim, o que desejamos é uma ilusão que se torne real.
Uma expectativa que não quebre, que as pessoas que amamos vivam para sempre e segundos volumes que não estraguem um enredo muito bom.
Queremos isso, e pensamos que é tão pouco...esperar que os amigos sejam sempre os mesmos e que a mudança só venha quando estivermos prontos. Queremos exclusividade, sermos especiais, mas não sermos diferentes ou excluídos. 
Queremos que algo como "incerto" não exista.
E não é a incerteza que sempre dói mais?
Paz de espírito. É, isso já seria um bom começo para mim."

Lorem Krsna

Das cores na parede


" Deixe as coisas mais simples. 
Resolva os problemas mais urgentes. 
Não dando espaço para coisas em branco. 
Tanto tempo entre os móveis, que um dia acordo e sou apenas mais uma camada de poeira... 
E o mundo do lado de fora não me atrai nessa horas. 
Quando quero apenas ser parte das gavetas, achar minha vida em uma mala, um bilhete, um aviso perdido por aí. 
Lembro da época em que encher as paredes de cores era suficiente. 
De quando arrumar gavetas era só para jogar fora a bagunça.
E saudades tem cara de quem?
Da época que eu queria ser livre, e esse era o único porém. 
Que eu nem sabia quem eu era, e tudo era bem mais fácil assim.
Porque hoje eu sei, que tudo que é oco, ocupa um espaço sem cor e sem graça. 
E não existe tinta que possa ocupar esse vazio do que já foi."

Lorem Krsna

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Perdoa ai moço



"Moço, perdoa ai minha excentricidade. 
Eu não sei ser de outro jeito não.
Perdoa ai, se canto Queen em uma segunda bem cedo.
Se eu não sei agir de acordo, de chorar e sorrir na hora certa.
Nunca aprendi.
Perdoa ai, se eu fico calada de repente
Se eu sumo, se eu mudo sem aviso.
Tem esse lugar na minha mente para ao qual fujo
Pra me organizar, pra viver todo o luto.
Perdoa ai moço, eu foco tanto à frente, que ao redor tudo fica desfocado.
Você vai desculpar essas coisas que não sei mudar de mim
Juro que não sou má pessoa não.
Estou aprendendo ainda, a colocar a tristeza e a felicidade nas gavetas certas.
As vezes fica tudo misturado mesmo
Tudo tão preenchido, que não sobra espaço pra ninguém mais além de mim."

Lorem Krsna 

terça-feira, 9 de maio de 2017

Dose

fonte

"Não
 se
 VICIE
 em 
suas
TRISTEZAS."

Sem ritmo, sem rima



Desconheço teu verso.
Tua rima me é estranha. Não encontro teu ritmo, tão diferente do meu.
Ele não me embala ou me faz dançar. Não me perco nele. Não me encontro.
Não te encontro.
Desconheço teu verso, tua rima, teu ritmo.
Ainda assim, me pego querendo te cantarolar.
Te provar na ponta da lingua, ver se crio alguma sinfonia a partir do teu som.
Mesmo sabendo que o fim será algo desafinado. 
Sem ritmo, sem rima.

Lorem Krsna

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Mundo selvagem

Foi apenas ontem que tinha uma mulher me esperando na porta quando voltava.
Foi apenas ontem que a mesa não tinha cadeiras vazias durante as refeições, e que a mente não parecia tão cheia na hora do sono.
Foi apenas ontem que entendi sobre não falar com estranhos.
Foi apenas ontem que tinha um caranguejo de estimação, bati minha cabeça naquela âncora, queimei minha mão.
Foi apenas ontem que queria ir pra escola. Foi apenas ontem que não queria mais.
Foi apenas ontem que me senti inadequada pela primeira vez.
Foi apenas ontem que a mulher da varanda me disse que o mundo era selvagem e podia engolir as pessoas.
Foi apenas ontem que tinha um cachorro me esperando no portão da escola toda tarde. Foi quando o mundo parecia do tamanho do caminho entre a escola e minha casa, e tudo além disso era terreno proibido.
Foi apenas ontem que meu professor de educação religiosa me fez acreditar que eu ia para o inferno.
Foi apenas ontem que eu acreditava que se para morrer se precisava fechar os olhos, então dormir era um quase morrer, e o medo de dormir sozinha me fazia correr para a cama dos meus pais.
Foi apenas ontem que briguei na escola pela primeira vez.
Foi apenas ontem que a mulher da varanda me falou do mito da pedra, do tesouro na serra e que também tinha medo de morrer durante o sono.
Foi apenas ontem que eu vi meus irmãos indo enfrentar o tal mundo que engolia as pessoas, enquanto eu que esperava na varanda.
Foi apenas ontem que vi aquele acidente da estrada.
Foi apenas ontem que eu desci da varanda, passei pelo portão e não olhei para trás por muito tempo.
Foi apenas ontem que entendi que o medo da morte não era nada comparado ao medo de perder. Perder as pessoas, perder os sonhos, e perder a si mesmo.
Foi apenas ontem que entendi sobre expectativas pela primeira vez. Sobre o que implica a amizade. Sobre como misturar vinho e vodka não é uma boa ideia. Sobre como umas dores anulam outras. Sobre como ninguém tem uma obrigação sobre você, além daquela que você mesmo estabelece.
Foi apenas ontem que entendi que uma nota máxima na prova, não fazia de você alguém inteligente em todo resto.
Foi apenas ontem que eu entendi que me virava melhor sozinha, e que não deveria me envergonhar disso.
Foi apenas ontem que eu ri até chorar, e que as pessoas não se surpreendiam tanto com isso.
Foi apenas ontem, que quando olhei pra varanda, a mulher não estava mais lá.
Foi apenas ontem que eu entendi a razão do mundo ser selvagem.

Foi apenas ontem...e foi há tanto tempo atrás.

Lorem Krsna

sábado, 17 de dezembro de 2016

"Do que você gosta, então?"

"Do que você gosta, então?"
 
Fonte 
Gosto de andar descalça. De secar cabelo ao vento. De dormir pro lado contrário da cabeceira da cama. As vezes  da na telha e durmo no chão. Gosto de apagar todas as luzes da casa quando a lua ta bonita lá fora...Gosto também do som do mar, e quando chove e tem sol ao mesmo tempo. Gosto do som da chuva de manhã cedo também. Gosto da risada do meu sobrinho. Gosto de café forte e sem açucar. Gosto do cheiro do café. Gosto de gente que entende o outro, que enxerga o outro...Gosto de pessoas gentis. Gosto de sorrisos de verdade. Daqueles dados depois de uma risada alta, que faz lacrimejar de tanto rir.
Gosto de gente que se importa, e não tem medo de mostrar que se importa.
Gosto do silêncio também. E da música também. E do silêncio depois do fim da música.
Eu gosto...de me sentir em casa. Das pessoas que são minha casa. E da sensação de o mundo poder ser minha casa, por que as pessoas que amo estão por toda parte.
Gosto do perfume que lembra a minha mãe. As vezes coloco ele quando quero me sentir confortada.
Gosto de receber um abraço quando me sinto triste, mesmo que contato físico me incomode em dias normais.
Gosto de chegar em casa depois de um semestre fora, deitar na varanda, apagar as luzes e ficar sozinha por algum tempo, em um ritual de boas-vindas.
Gosto de falar com pessoas que sabem ouvir. Que querem ouvir.
Gosto de chá gelado e de sorrisos quentes.
Gosto do que é leve, do que é suave, que não pesa no coração, na mente. Que é seguro, sem estagnar. Sem prender, mas sim soltar.
É disso que gosto.


Lorem Krsna

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Moço


Moço, as coisas vão melhorar
A gente tem que acreditar
Que a vida não é só pancada.
Tem também aqueles risos
Aquelas pessoas
Aqueles momentos, aquelas coisas boas
Que acontecem e a gente se renova com a vida
Nem tudo é desgraça
Nem tudo é injustiça
É nisso que vou acreditar
e manter
minha s a n i d a d e
Manter minha FÉ
Esperar pelos dias melhores, pelas boas notícias.

Lorem Krsna

sábado, 22 de outubro de 2016

Ninguém precisa saber

Então você faz tudo para melhorar, e nunca acredita que nada está bom o bastante, que faz o suficiente. Seus pontos fracos ficam tão evidentes, você pensa que todo mundo pode enxergar o quanto eles absorvem quem você é. Por que se tem dez pessoas que dizem que você consegue, você acaba escutando aquela que fala que você não vai conseguir, que você não sabe o que está fazendo.
E tudo parece um drama, você é tão dramática. Seja melhor. Seja mais forte. Não deixe sua vida pessoal interferir em todo resto. Olhe os outros ao redor. Eles tem problemas maiores e conseguem.
Já devia ter superado.
Você reclama demais, não tem motivos para estar assim. Mantenha a cabeça.
Seja racional.
Aguente o impacto, como sempre aguentou. Você não tem coração mesmo, sempre foi tão fria com as coisas. Sempre riu das coisas mais sérias como se não fossem nada.
Está sempre longe de todos, se afastando de todos. Deve se achar melhor que todo mundo mesmo.
Não conte seus problemas, eles não querem saber, ninguém precisa ouvir seus melindres. Finja que é segura, até que seja segura. E não chore, ninguém precisa saber.
Abra esse sorriso mesmo sem querer. Seja excêntrica como sempre. Engula o choro, engula os problemas. Mastigue. Engula. Ninguém precisa saber.
Tem problemas piores, não seja dramática. Não deixe interferir. Não seja fraca. Não seja mole. Não mostre o que tem dentro.
Ninguém precisa saber.
Você que não quer ninguém, você que está sempre sozinha, você que não gosta das pessoas, você que rompe antes que alguém o faça.
Você que sempre se afasta. Há um problema com você.
Há vários problemas com você.
Mas são tão pequenos comparados aos outros.
Eles conseguem, você não.
Ninguém precisa saber.
Se esforce mais. Está ficando para trás. Está perdendo tempo com coisas sem jeito. Sendo dramática, sendo hiperativa. Você não come bem, você não dorme bem, você não sabe se cuidar. Você atravessa a rua sem olhar, está sempre esperando aprovação, que sabe que não virá, por que você que precisa se aprovar. E você não consegue, por que sempre há aquele ponto torto, aquela virgula fora do lugar. Sempre há aquela voz que diz que você não consegue, que não é boa, que falta algo. Ainda assim você se esforça, se mata, se contorce e se recria toda noite, tentando silenciar essa voz, tentando ficar melhor. Tentando não deixar mais nada de atingir, interferir, te ferir.
Mas você não conta para ninguém essa sua luta diária. Você apenas sorri e sai de casa todo dia, como se tudo estivesse bem.
Ninguém precisa saber.


Lorem Krsna 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Phoenix

Image:George Redhawk


E dessas cinzas,nasci de novo
O que não me mata me fortalece.

Não se cava do fim do poço
Dos erros sempre se tira um pouco.
E se sobe assim como desce.


Fênix, Lorem Krsna


domingo, 18 de setembro de 2016

Perdidos



Eu não sei em qual esquina fomos nos perdendo. 
Quando nossas relações começaram a ser regidas por aparências, quando o que os outros achavam de nós mesmos começou a ser um motivo para nos tornamos outras pessoas.
Quando demonstrar carinho, sentimentos se tornou uma fraqueza?
Quando nos reduzimos a seres isolados em meio a multidões?
Quando nos perdemos de nós mesmos?
Fomos perdendo aquela lealdade, aquela empatia tão importante que nos fazia tão humanos...
Fomos engolidos. Dançando conforme a música. Criando laços por aparências, escolhendo pessoas por fachadas, trancando quem fomos dentro de nós, jogando a chave fora.
E hoje, fazemos piadas das dores, quando não são nossas, e achamos que as pessoas tem que exigir respeito, como se não fosse um direito de todos nós. E um dever de todos nós.
É, nos perdemos sim em algum ponto. Tragados por uma imensidão de tanta coisa que não representa nada...
Eu lembro quando queriamos fazer alguma diferença.
Antes de nos mutilarmos daquilo que nos era tão importante.
E hoje? Somos seres perdidos, flutuando entre uns aos outros, tentando nos conectar de alguma forma. 
De qualquer forma.
Com ligações tão fracas, que por vezes não duram nada, e acabam levando ainda mais do que nos resta.
É. Nos perdemos realmente.

Lorem Krsna

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Caos



Sofro por antecedência. De certos males imaginários, ou fatos que não estão sob o controle de ninguém. Reclamo de falta de tempo, mas se tenho algumas horas livres, preecho tudo, não quero a cabeça vazia. Pensar no depois me deixa sem dormir. E ainda assim eu penso, nessa capacidade estranha de fazer tantas coisas ao mesmo tempo. E querer fazer tudo certo ainda assim.
Tenho a planta de uma casa que não sei quando construir.
Faço o orçamento de um negócio que não sei quando vou abrir.
Penso nos problemas que nem mesmo estão perto de acontecer.
Tenho aquele monte de planos sobre o futuro, quero meu sossego.
Quero meu silêncio e meu canto.
Quero o descompromisso, fazer tudo no meu passo, que seja rápido, que seja manso.
Sem cordas. Tudo solto, na bagunça eu me acho.
No que observam vazio, eu vejo o espaço.
A liberdade é excitante e assustadora, por ser tão cheia de possibilidades.
E quando consigo algo, sempre quero mais. Sempre falta algo. Sempre pode melhorar um pouco. Está torto, inacabado. Podia ser melhor, podia ser mais rápido.
Sofro por aquele velho mal dos prazos, que estabeleço para mim mesma, e que nem sempre bate com os dos outros. Vou criando aquelas metas que parecem loucura, e ainda vou flutuando para elas.
Em resumo, sou um caos. E o pior  - ou melhor - de tudo, adoro meu caos.

Lorem Krsna


Vasculhe

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