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terça-feira, 11 de junho de 2013

Planos "falíveis"


A verdade, é que eu esqueci de te dizer um monte de coisas. Talvez nem sejam tão importantes, ou talvez sejam o ultimo passo pra alcançar alguma linha invisível. Eu talvez só sirva pra livrar, libertar. Nada pode tirar mais seu sono do que as coisas que você esqueceu de dizer. Os discursos inteiros repensados, que na hora esperada, evaporam. A gente pensa demais meu amigo. Pensa demais, e nunca somos o que pensamos ser, nunca pensamos como os outros, e quanto mais a gente pensa, mas a gente se afasta da verdade, achando que está no fim da linha deste pensamento.
E eu pensei um monte de coisas, e planejei mais uma porção delas. E acabei amassando tudo e jogando na lixeira mais próxima. Meus planos, quase sempre são "falíveis". O que dá certo, é o que eu menos espero. Como o fato de eu estar indo pra longe. E de eu estar esquecendo como você ri. Essas coisas, elas são tapas que te colocam em seu eixo.   
Eu esqueci de te falar, que por muito tempo eu falei seu nome por engano, por que em algum nível de meu inconsciente, ele estava sempre lá. Junto com seu sorriso, seu perfume. E isso me deixava não saudosista, mas com raiva de mim. Eu queria que as coisas fossem fáceis. Mas a vida não é fácil, e na maioria das vezes, também não é justa. A gente que se adapte e mude. Que jogue as fotos fora, queime as cartas, procure outros risos, mude os ares, e procure o seu modo de superar as planos "falíveis". Esse é o tipo de papel gasto que não se recicla. 
Esse é o tipo de coisa que serve como o chute que te manda pra frente, ainda que antes você se arranhe toda no chão. 
Acho que nós dois superamos, lambemos nossas feridas, e não esperamos o mundo para colar nada que foi quebrado.

__Lorem Krsna

terça-feira, 26 de março de 2013

As asas e o tempo



"Por um tempo talvez você creia
Bem depois do tempo que me fui...
E talvez, só nesse lapso da memória, não sendo mais
Eu seja, alguma coisa além dessa espera.
Foi há um quarto de hora, três dias, três séculos ou mais.
Mas naquele tempo, deixei algo importante para trás.
Algo muito difícil de se recuperar agora.
Mas hoje é diferente meu bem.
Hoje sei voar!
Sou passarinho, aeroplano ou asa delta.
Sou borboleta buscando a tua flor.
Hoje o tempo não me afeta, e nem sou mais espera.
Hoje eu posso te alcançar aonde quer que esteja..."
Lorem Krsna

terça-feira, 19 de março de 2013

Montanha-Russa



Fonte
Nem toda tristeza tem motivo, ou lágrima é direcionada.
Há coisas que não planejamos, que não se espera. Elas acontecem e nos resta seguir a correnteza das coisas, muitas vezes de mãos atadas e olhos vedados para o futuro, apenas sabendo que haverá momentos de tristeza sem sentido, de lágrimas soltas e palavras que repassamos tantas vezes e acabamos apenas guardando para nós. Guardando rancores, problemas, palavras repletas de agressões ou de amor. Viver é mesmo andar em uma montanha-russa, e você escolhe entre esperar o próximo susto com medo, ou deixar a coisa toda rolar, curtindo o vento no rosto, aproveitando os bons momentos sabendo que os ruins só durarão até a próxima descida ou subida.
E isso me faz me sentir viva, apesar da frustração das mãos atadas, do salto no escuro, dos sustos e de tantas coisas guardadas impossibilitadas de sair, como gritos, conversas francas os lágrimas, direcionadas ou não.

Lorem Krsna 


domingo, 3 de março de 2013

Só talvez

Fonte

Ok! Talvez eu tenha sentido sua falta mais do que diria, do que o tempo permitiria, e que caberia em uma vida. Sabe, um pouquinho todo tempo, de modo ligeiro, rasteiro...
Talvez eu tenha me pegado rindo pensando em você, de vez em quando e sempre. Pensando no que diria naquele instante, em suas frases absurdas que me tiravam do sério.
Talvez eu tenha gostado mesmo de você, e esse seja o motivo da melancolia, o nome bonito de dizer que sinto sua falta e isso me deixa triste, amuada, e que as vezes, por isso, não consigo estar perto de ninguém, por que ninguém é você...
Lorem Krsna

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A protegida


Tudo começou por conta de um grito, um grito que cortou a noite chuvosa como um trovão sinistro.
A rua de sobrados antigos se erguia obscura ante aos passos por entre as poças de água e lama do calçamento de pedra. A tempestade fazia um manto de água que cobria tudo a qualquer vista por entre as luzes dos postes que piscavam querendo apagar-se.
O capuz da camisa não protegia da água que me ensopava até os ossos, e meu cabelo grudava em minhas costas. Os tênis guinchavam e medida que tentava aumentar o passo, temendo os tropeções diante de minha cegueira momentânea causada pela chuva forte.
E então veio o grito cobrindo o som de tudo, me fazendo tropeçar e cair na rua. Senti uma pedra rasgar imediatamente a palma de minha mão e vi paralisada o sangue escorrer e descer a rua misturado à lama e água.
Olhei para trás e vi um vulto que se aproximava devagar. Levantei-me de supetão e corri cega, o máximo que pude sentindo a perseguição.
O galpão se desenhou a minha frente e entrei nele, escorregando molhada e me levantado com esforço.
Escondi-me por entre as dezenas de caixotes que cheiravam a mofo no recinto úmido e cheio de goteiras.
Escorreguei para o chão tentando fazer o mínimo de barulho, naquelas ocasiões em que qualquer movimento parece uma orquestra infernal somente por que você quer ser silenciosa.
Tentei conter até o mínimo sopro da respiração ofegante e esperei até ver a sombra surgir adentrando no local. Segurei a mão cortada tentando conter o pavor e preparando-me para correr novamente. Tentei enxergar por entre os caixotes e nada vi. E neste momento uma mão puxou meus ombros obrigando-me a me levantar do chão. Gritei e senti puxarem o capuz do blusão para trás. No mesmo instante armei o punho e desferi um golpe às cegas, que para minha surpresa atingiu algo mole e quente, e ouvi o grito e o palavrão no instante em que a mão afrouxou e consegui escapar jogando caixotes pelo caminho.
Tentei correr para a porta, e acabei deslizando novamente, desta vez não tive tempo necessário e fui pega antes de levantar-me.
Chutei, xinguei e tentei socar novamente, mas desta vez sem qualquer sucesso, estava imobilizada.
- Me larga filho-da-mãe! - gritei raivosa.
- Shhhhh - o estranho fez ofegando pela corrida - Se acalme sua louca, não quero te fazer mal.
- Claro, e eu toco violão como Tommy Emmanuel - O tremor na voz cobria meu sarcasmo - Tenho cara de idiota?
- Quer mesmo que eu responda? - Ele suspirou e conteve um chute meu - Você dá trabalho demais. Custa me ouvir?
- Foi mal, não ouço muito pessoas que correm atrás de mim no meio da noite, me jogam no chão e ficam em cima de mim!
- Não te joguei, você caiu. E não estaria em cima de você se ficasse calma um pouco. Tem um punho de ferro sabia?
Tentei chutá-lo mais algumas vezes e não consegui, aos poucos fui me cansando
.- O que quer de mim afinal?! - Falei por entre dentes
- Quero ajudar, mas você fica dando trabalho para mim, o negócio ta ficando difícil sabia?
- E quem é você no fim das contas, além de um maluco que sai perseguindo moças no meio da noite?
- Não é óbvio? - Ele suspirou - Vou te soltar se correr te derrubo ta ouvindo?
Ele afrouxou os braços e nos sentamos. Estava pronta para correr a menor distração, o olhei desconfiada e então parei. Conhecia aquele rosto não?
Olhos escuros demais, correntinha de asas e roupas pretas surradas. E aquela cicatriz cortando o braço e subindo por ele até o pescoço, mais viva do que recordava quando criança.
- Ah, lembrou né senhorita?
Fiquei corada.
- Hum...
- Agora acorda de uma vez sua boba, e para de dar trabalho.

Acordei suada na cama.
Caramba. Tenho que parar de trabalho para meu anjo da guarda.


Lorem Krsna



Leia também Quem é meu anjo da guarda

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Eu acredito em anjos

"Ela acreditava em anjos e, 
porque acreditava, eles existiam."Clarice Lispector








Ando recordando de umas coisas de quando era criança. Umas lembranças há tanto esquecidas, que vem a tona de um modo peculiar, como um filme antigo, em que só se pode ver algumas cenas.
Tentei, na verdade, alcançar o primeiro fato de que lembro, o mais antigo que me vem a mente. Vejo-me em um espelho grande do quarto de  meus pais, brincando com o reflexo. Uma menina magicela e pálida, com um cabelo meio bagunçado. E estranho, eu era meio loira...
E então me lembrei dele. Um menino quase de minha idade, de olhos escuros e pele bem branca. Os cabelos cacheados e meio revoltos e um sorriso doce e paciente. Eu devia ter uns quatro anos, e ele não era nenhum de meus irmãos.
E que lembre, nenhum vizinho ou amiguinho da rua.
Era o que se poderia chamar de meu anjo da guarda, ou o que chamam também de amigo invísível. Não sei se sempre fui meio louca, mas na verdade havia mesmo esquecido este fato até poucos dias. Eu tinha um amigo invisível. Não é brincadeira.
Sempre acreditei em anjos, por isso prefiro pensar que este menino era meu anjo da guarda. Deixei de vê-lo ainda quando era menina, não pegava bem falar sozinha eu acho. Era uma menina solitária, meus irmãos eram mais velhos, por isso por um tempo ficava meio de lado, a café com leite nas brincadeiras. E então existia ele. Tentei mesmo lembrar o nome, mas não sei mais.
Meu anjo não apareceu mais para mim, embora talvez esteja presente sempre.
Por isso, quando lembrei desde fato, fui reler alguns sonhos que tive e os escrevi, e noto em muitos dele a presença de alguém misterioso, um cara que sempre acaba me ajudando. Pele pálida, cabelos pretos, uma associação sempre à um par de asas, seja em um cordão ou vestimentas.
E não foi somente uma ou duas vezes que ele apareceu. Semana passada mesmo tive um sonho com ele, talvez tenha ficado impressionada devido a lembrança, não sei.
Como disse, prefiro pensar que seja meu anjo da guarda, que de vez em quando dar o ar de sua presença através de um sonho para dizer que ando dando trabalho demais para ele.
Só sei que ele me trás uma certa paz, e ouso dizer uma melancolia... Como se sempre tentasse me mostrar coisas que negligenciei em esquecer.
Pode parecer meio estranho, até louco para quem não acredita. Mas eu acredito em anjos. Não somente os seres espirituais, mas creio como anjos as pessoas que passam pela vida para ajudar o outro, para se doar.
Seja este anjo da guardo um ser espiritual, ou quem sabe uma projeção de pensamentos meus que estão cá dentro inconscientemente, não posso dizer.
Mas sei que existem outros anjos também em minha vida, anjos que me abençoam diariamente com sua presença, ou que encontro por aí, pelas ruas. Anjos de carne,osso, viscéras e defeitos encantadores.
Anjos que muitas vezes fazem também o papel de me proteger, mesmo que seja de mim mesma.
Agradeço a meus anjos, a todos eles. Sejam os que esqueci, os que não vejo mais, ou que vejo, mas não os falo como são importantes em minha vida, e como me salvam diariamente.


Lorem Krsna



quarta-feira, 20 de julho de 2011

Percy Jackson e os Olimpianos - o mundo louco da mitologia



Li a série Percy Jackson e os Olimpianos do autor Rick Riordan no ano passado, e foi uma das melhores séries que já li. São cinco livros: O ladrão de raios, Mar de monstros, A maldição do Titã, A batalha do labirinto e O Último Olimpiano.
Não sei dizer qual o melhor. Está bem. Gosto mais do último, mas isso não é o importante, o mais legal é a maneira como Riordan transportou para o moderno os clássicos da mitologia. Imagine se fosse verdade, sobre os Deuses do olimpo e seus filhos com humanos? Agora imagine tudo isso se passando ainda hoje em dia, onde ao nosso redor somos cercados por monstros e heróis, disfarçados por baixo de uma névoa que camufla tudo de todos os mortais (ok, nem TODOS os mortais).
Dá para ver bem como é a história. Eu já curtia mitologia há muito tempo, sexto ou sétimo ano, quando li todos os livros de mitologia grega da biblioteca da escola em aposta com uma colega (éramos muito competitivas), e eu passei a gostar muito das histórias.
Mas enfim, além do tema empolgante, nada como uma história contada em primeira pessoa por um personagem altamente sarcástico (o que me fez dar muita risada), com aventuras de tirar o fôlego, personagens marcantes e (apesar da parada dos deuses) tão reais e ainda aquelas tiradas super hilárias.
Se você curte romance, histórias sobre traições e casamentos na família (eu sei, eca) também recomendo. Aliás, acho que a mitologia grega conta mesmo a história do berço da humanidade, afinal quem nunca ouviu falar das escapadinhas de Zeus, de como Afrodite traiu Hefesto com Ares e da traição nasceu Eros, o deus do amor.
Pois é, mitologia grega, muita ação, prédios explodindo em Nova York, monstros disfarçados por todo o lado e heróis maneiros. Um personagem principal adolescente, filho de Poseidon, com poderes incríveis, sarcástico e com amigos loucos.
No primeiro livro Percy tem doze anos, e termina o último com dezesseis.
Cinco livros que valem a pena ler, e até reler.
Ah, e fizeram um filme do ladrão de raios, que até que ficou maneiro, mas não tão bom quanto o livro, claro. Então, quem quiser conferir, aconselho que leia o livro de qualquer forma, vai sentir a diferença (cara, por que colocaram a Anabeth morena no filme?! As loiras não podem ser inteligentes? Preconceito rapaz!).
E mais uma coisa super legal, Rick Riordan fez a série em homenagem ao filho dele, que possui dislexia, déficit de atenção e hiperatividade. Na história os semideuses possuem a síndrome do déficit de atenção, e dislexia por que suas mentes são preparadas para o grego antigo, e hiperatividade para se manterem alerta no campo de batalha.
Vale à pena conferir!

Lorem Krsna



quarta-feira, 15 de junho de 2011

Semeador de ideias

Uma espada enferrujada, um cavalo magro, e uma ideia que perece aos poucos. Tantas vezes é isso que resta de um idealista, de um sonhador.
Mas, sei lá. Pode ser que afinal os dragões não sejam moinhos de vento.
Loucos, foram assim tachados tantos que mudaram a história. Tolos e sonhadores, a procurar suas Dulcinéias. A ver gigantes onde ninguém mais parecia enxergar. Tudo na vida nasceu de uma ideia, de um sonho. Tudo que um dia existiu foi imaginado. O que seria então de nós sem a capacidade de sonhar, e assim, de criar?
Um cavalo troncho, uma lança enferrujada e uma ideia morta e de repente tudo parece perdido. Às vezes é assim que me sinto, e, no entanto, há uma terra em um dia chegará e não tardará a primavera, e poderei enterrar minha ideia morta em terra fértil, onde florescerão outras tantas ideias da que pelo caminho pereceu.
E isso é ser um sonhador, ser um semeador de ideias.



Lorem Krsna

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Aonde esperam por mim

Imagem: Dulce Amargo
Não diz nada.
Seu silêncio fala mais do quê suas palavras tão mortas... Sorriso brando, mel escasso que quis tanto roubar da tua boca.
Não diz nada... Não me diz estas coisas que cansei tanto de ouvir. Tuas frases não me alcançam... só me cansam, e em nada vão nos acrescentar.
Me despeço então com um beijo na fronte... Te ofereci a água, almejaste a fonte. Não há nada mais a dizer.
Agora, tão pouco nada mais importa. Talvez... não. Talvez não interessa.
Ou é agora, ou nada.
Mais nada. Agora é nada.
Ante a voz do nome nunca mencionado, eu perco-me em palavras tão simplórias. E ante a glória de sorrisos de fachada, eu guardo minha raiva e tristeza para quando só puder estar. Longe de tudo e de todos, vou me curando, e seguindo. Vou vivendo, bebendo os goles da matéria escassa e preciosa da vida, em uma taça que me embriaga aos poucos. Vou me curando sim.
As pessoas que me são caras... A tristeza delas me machuca mais do quê qualquer dor minha. Meu ponto fraco, e você não sabia.
Teu mel vai ficando amargo com meu gosto de sal mal disfarçado, e que ainda assim não percebes...
Foste pego pela esfinge e seus segredos destrutivos. Não a decifrastes, e ela te consumiu. Pediste mais do quê eu podia oferecer, mais do quê eu sabia que guardava em mim, além de onde meu coração anda. Tão perto de quem precisa agora de mim, e da qual a distância virou ferida...
É, não vistes que não estou aqui. Meu corpo, no piloto automático não passa de uma casca vazia.
Minha alma sim, minha alma agora repousa em outro lugar...
No recanto de onde aguardo com ela a cura.
De onde vejo nas entrelinhas a vida.

Lorem Krsna

quinta-feira, 17 de março de 2011

"O chamado das asas"


Um homem seguia viagem com sua mulher e filhos no carro da família, quando um estranho os pede carona em meio a um lugar deserto do caminho.
Apesar de ciente do perigo que representa em acolher estranhos na situação descrita, ele o faz por algum motivo. Talvez a cara do desconhecido tivesse algo de... conhecido. Ou fosse a idade pouca que o jovem aparentava. A solidariedade falando mais alto do quê a prudência causada pelo medo no mundo violento em que nos encontramos. O fato é: ele concedeu a carona ao jovem.
Quilômetros adiante, ocorre um acidente violento, e o carro fica quase completamente destroçado. A família fica presa em meio as ferragens, onde fatalmente pereceriam. Mas eis que então, o jovem desconhecido a qual haviam acolhido no veiculo, saí das ferragens, e um por um, tira todos do carro e os coloca a salvo na margem da estrada. Ao repousar o último ferido, ele cai. Morto.
Toda a família sobrevivi, graças a intervenção do jovem, do qual não sabem praticamente nada.
Ouvi esta reportagem veridica em um jornal quando era criança, e fiquei... impressionada, para dizer o minímo. Nunca a esqueci, e recordo que na época, tudo em que acreditava era que esse jovem que morrera por desconhecidos era um anjo, que viera somente para isto. Ele estava no local certo, na hora certa. Minha mente infantil imaginou seu rosto por noites seguidas, e suas asas brancas se espatifando em plumas...
Algumas coisas mudaram, mas nunca consegui esquecer esta história. Fico pensando o que teria ocorrido se não houvessem oferecido carona ao rapaz/ anjo. Sim, para mim ele continua um anjo. Talvez não um anjo de asas emplumadas, mas uma pessoa boa o bastante para se arriscar por outros... para morrer por estranhos. Para mim, estes são os anjos.
E fico feliz por existirem pessoas assim, vagando por nossas vidas sem que as vezes nem ao menos percebamos. Vejo anjos em hospitais, em resgates e tantos outros que surgem em momentos de crise, que parecem estar lá no instante exato em que são esperados. Em que precisam deles.
E então todos ficam impressionados... e por que ficamos? Por que para nós, essa bondade é rara, quando não deveria ser.
E as vezes, acho que não há mais fé ou jeito para o mundo, e meu desejo mesmo é pedir para o mundo parar para que eu desça dele de uma vez. Mas então acontece algo que me faz pensar em como a humanidade me espanta... e sinto orgulho de minha condição.
Um rapaz salva uma família desconhecida. Um menino entra em uma casa em chamas para salvar um bêbê. Bombeiros arriscam-se por pessoas que nem ao menos conhecem. Um homem pula em um trilho de metrô para salvar um jovem, e os dois ficam encolhidos enquanto a máquina passa por cima de ambos sem nem ao menos tocá-los. E ao perguntarem a  este homem por que fez tal "loucura" ele é sucinto : "Não queria que minhas filhas vissem ninguém morrer" .
A mesma raça responsável por criar criaturas que dirigem massacres aos seus, criando pessoas que vivem para ajudar. Criando anjos humanos.
Será que todos estes  não são feitos da mesma matéria química? Não passaram então pelas mesma fases evolutivas? Será que possuem uma histologia diferente? Não são feitos dos mesmos instintos que comandam através de impulsos o nosso cerébro animal? Sua genética será tão diferente? Se sequenciarmos seu DNA veremos não as mesmas bases nitrogenadas que constituem seus nucléotidios existentes nos demais?
Dúvido.
Queria eu um dia saber os segredos por trás de atos tão controversos e espantosos. Saber os designios reservados para cada um, e se há realmente acasos... sorte e instinto envolvido na vida da humanidade, ou a mão de algo maior em cada um de nós.
Bom, por enquanto prefiro não pensar tão profundamente, ou encontrarei mesmo a fuga mais rápida para a loucura...
Continuo a acompanhar os "anjos" cruzando e mudando nossas vidas, em filas de hospitais, estradas e catástrofes.
E findo com a frase que a sarcástica e sincera narradora morte disse no livro "a menina que roubava livros" do autor Markus Zusak:
Os seres humanos me assombram.

Lorem Krsna

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Retorno à superfície


Quis ser tantas, para ter o direito de ser eu . Perdi, e me perdi. Rasguei poemas dos cadernos, e pessoas dos pensamentos. Torturei-me com o som do silêncio, achando que tinha perdido minha voz. A verdade é que quis beber a vida de um gole só, e foi demasiado.
Quis agir melhor quando fiquei parada, e quando mais precisava falar me calei. Eu quis não ter arrependimentos, e ganhei mágoas. Achei que profanava uma paz que não existia na verdade. Achei que havia alguém ao meu lado, mas quando cai não vi nenhuma mão, nenhuma palavra. Estava só, e consciência da solidão se sobrepôs ao engano.
Quando eu gritei ninguém me ouviu, então calei-me. Mas as palavras giraram ao meu redor, me enlouquecendo, querendo ser cuspidas. Não sei se chegaram aos ouvidos de quem chamo.
Caminhei sozinha, machucada por velhas batalhas, em um corcel ferido ,empunhando uma lança enferrujada. E estava em busca de algo sem qualquer definição, e quando o achei valeu tudo a pena.
Quis verdades que não deveriam ser ditas, e elas quase me despedaçaram. Rejeitei ignorâncias que teriam me deixado em minha zona confortável. Queria ir longe. Quero!
Quis uma cura, e só consegui um novo ferimento. E uma cicatriz que ainda dói quando toco e pulsa.
Quis olhar no espelho e entender aquela à minha frente. Mas tudo continua ainda complicado demais. Crescer é complicado. Mas continuar presa e tentar enganar o tempo, e ver tudo mudando, se sentir uma fotografia estática, amarelando e se destruindo em lembranças. Então corri, e continuei sempre caindo, e me erguendo, e buscando uma mão de apoio ou uma voz "segue em frente!"Até perceber que eu que tinha que falar isto. Precisava me erguer só.

Lorem Krsna

sábado, 6 de março de 2010

Esfinge

Descubra-me através de meus pretextos,
e veja em mim o que sou.
Quebre meu escudo de aparências,
e compreenda em lapsos de intuição.
entenda-me
procure a verdade por trás de minhas palavras.
Veja-me
atravesse a ponte do tudo que parece nada.
Leia esse enigma que foge de mim,
busque aquilo que foge do começo, meio e fim
Decifra-me
ou devoro-te.

Vasculhe

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