quarta-feira, 10 de julho de 2013

DESesperar



Frase detestável : "Só resta esperar."
Parece que não há mais nada a ser feito, que a definição não nos cabe, que estamos de mãos atadas, que nada está em nosso controle, que vamos cair no conformismo e imaginar um milhão de possibilidades sem nada poder comprovar.
"Só restar esperar" é uma etapa que mata no começo, que te joga no escuro e você tem que se agarrar a mínima possibilidade, ao fino fio da aranha para sair dele respirando e com a mente sã. Esperar é chato, enlouquecedor e duvidoso, sem ter certeza do próximo movimento do outro, onde você pode conseguir um gancho para uma jogada esplêndida, mas também um xeque-mate sem saber se está preparada para ele.
                                   esperar = DESesperar

Lorem Krsna

terça-feira, 9 de julho de 2013

Flecha



Não adianta andar fora da mira do radar para não ser atingida. Deixar de fazer um monte de coisas, se conformar, imaginar que não está a altura, e se não se destacar, não irão tentar te atacar. São ideias tolas. Viver em função disso é perda de tempo, de chances, e tudo isso é alimento importante de mais para ser desperdiçado. 
Não faço das minhas para atingir, "causar", ser o centro das atenções. Faço as coisas por mim, e para o que vou sentir depois. Quero viver o que tenho que viver nessa vida, sem desperdiçar nenhum gole de nada, sem repetir palavras demais, erros demais, se não tenho tempo de fazer coisas repetidas, se tudo perde o efeito e muda na segunda jogada. E não temo ser vista, ser atingida, ter que voar de novo. Se for necessário, posso andar de forma suave, ou quebrar o que tiver que quebrar. Posso estar a margem, no centro, ou no lugar que no momento for o meu lugar. Eu guardo silêncio das coisas, até certo ponto, mas nunca sem um bom motivo. Eu não faço as coisas sem motivo.

Lorem Krsna

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Conexão

Eu não decoro minhas próprias palavras, e meu discurso vai sempre no improviso. Por isso, acredite em minhas palavras ditas assim de repente, no meio da madrugada, entre um gole de café. Minha verdade vem quando o momento menos espera. E eu posso te falar de amor, no meio do noticiário da tarde, sem qualquer aviso, e posso fugir do assunto, falando do lançamento daquele autor, ou porque o DNA mitocondrial é tão incrível na identificação humana. Pode não parecer lógico, mas me perco no meio da história, no meio das conexões, nos desvios de assunto.
É difícil lidar com alguém estranho assim. É difícil tentar enxergar por trás dos pretextos. É difícil estar ao meu lado, quando não se sabe nem ao menos onde estou.

Lorem Krsna

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Eu?


Tenho 20 anos. Ou 12, ou 7, ou 60. Minha gargalhada pode ser irônica, e posso ser bem escandalosa as vezes. Eu falo alto, e penso por horas. E eu planejo, e sofro por antecedência, mas amo a incerteza, e ainda assim vivo procurando boas perguntas. Quero ser pesquisadora, perita, engenheira mecânica, professora, teóloga, arquiteta, dentista, desenhista, escritora e tocar em barzinho. Quero tocar violão, piano, violino, gaita, violoncelo e talvez mais. Quero plantar umas árvores, lançar meus livros, descobrir alguma coisa, lançar artigos científicos, montar um aeromodelo revolucionário e entender o que de fato aconteceu com os dinossauros. Quero aprender uma porção de idiomas, e visitar o máximo de países que puder. Quero um amor pra vida toda e liberdade. Quero sair pelo mundo, sem lugar certo. Quero entender as religiões, e os homens, e o que eu sinto. Quero uma vida cheia de laços por aí. Quero ler todos os livros dos 1000 livros que você deve ler antes de morrer, e alguns mais. Quero assistir os filmes dos livros que eu li, e outros mais. Quero envelhecer sem rancor, reunir a família em alguns domingos, para comer macarronada e jogar aqueles jogos que você tem certeza que todo mundo vai trapacear. Quero encontrar os amigos para falar da vida, e ver todos bem.
Eu quero rir, chorar, e sofrer pelas coisas certas.
Tenho 20, 12, 7 ou 60 anos. E daqui a trinta anos, terei todas as idades que hoje tenho, com alguns intermediários. Terei amado muita gente, e antipatizado com outras tantas. Terei mudado de planos, como quem muda de roupas. Terei rido, chorado, me magoado, ajudado e sido ajudada. Daqui a trinta anos, terei rugas, e mais uma porção de histórias, algumas de mal-gosto. Talvez algumas contas para pagar, e uma pilha de papel sobre a mesa. Talvez tenha filhos, não sei, ou mesmo netos.
Nem sei bem. Trinta anos, putz, é daqui há muito tempo.

Lorem Krsna

Vago

Não são respostas vagas, são perguntas vagas. Mas, sei lá, gosto dessas coisas vagas. Gosto de não ter certeza, até que a hora peça. As vezes, me emociono mais no improviso, nessas coisas não pensadas, nos presentes repentinos, nos poemas mais simples, das coisas não explicadas. Gosto de ter meu caderno de perguntas, de teorias. Gosto de querer tantas coisas que uma só vida não me bastaria. Gosto de pensar tanto, e até mesmo dos pequenos detalhes que camuflam meus pensamentos. É como se por trás de tudo, de minhas crises de insônia, ou de meu dormir demais, ou aprendesse que o meu ser reside na incerteza, na intensidade, nos meus exageros, e no saltar do muro. Em meus amores ingratos, vagos e não correspondidos, ou de ser a ingrata e não correspondente de alguém. Gosto até mesmo desses declives, de tropeçar neles, e na rapidez com que caio e levanto. 
Definitivamente, apesar de as vezes tão dramática, de sofrer por antecedência, de querer tudo de uma vez, de andar por aí tropeçando pela vida. Eu amo mesmo essa vida.
Lorem Krsna

terça-feira, 2 de julho de 2013

DEFINIR


Um dia tive medo amigo, mas nem sei bem o que é isso.
Nem sei o que é o estranho e indefinido amor.
Só entendo bem os frios do invernos, e o calor que vem no verão.
E entendo da lágrima, e de perder as coisas...
Talvez meus atrasos não sejam lapsos.
Talvez meu sentir, não seja no fim tão falho.
E o amor e o medo do qual entendo, seja o medo e o amor aos quais pertenço,
Indefiníveis, incertos, mas reais.


Lorem Krsna

segunda-feira, 1 de julho de 2013

instantes



Eu sei bem como é possível, você de repente se sentir imensamente feliz e ainda assim triste em seu âmago. Quanto mais eu penso, mais percebo que a plena felicidade não é possível, por que a gente sempre vai ter medo de perdê-la, e ter a certeza que o momento, por mais incrível que possa ser, é um momento apenas. E momentos nunca duram tanto quanto a gente deseja.
Lorem Krsna

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