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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Pais e seus esboços

By Lorem Krsna



É difícil ser pai e se tornar responsável por outra pessoa além de si mesmo. Os seres humanos são por natureza egoístas, ser pai é uma quebra desse ciclo e estabelecer um principio que parece simples, mas não é de nenhuma forma: pensar em alguém antes de pensar em si. 
Eu acredito que seja como entregarem para você uma tela em branco e pinceis e tinta. O que você pintar de início, pode sim definir o caminho que o desenho irá tomar, sua forma final, mesmo que a continuação do mesmo seja tirado de suas mãos. Isso explica por que o esboço errado, mesmo com tantas tentativas de conserto ao longo da vida, por vezes acabam deixando marcas permanentes em um quadro. É muita responsabilidade, não é algo que se tente fazer levianamente.
Há pessoas, eu noto as vezes, que nasceram para ser pais. Simples assim. Mesmo sem perceber, eles fazem tudo certo, mesmo com os pequenos desvios. Digo isso pois, mesmo com exceções a regra (que tem muitas), por vezes podemos ver o reflexo dos pais no que os filhos se tornaram - a obra completa que iniciou no esboço suave. Assim como existem pais que se põem no principio que filhos são brinquedos, robôs, ou então um "mini-eu", em que podem extrapolar todas as frustrações vividas, de coisas que não conseguiram ser, tentando compor toda uma obra de acordo com a sua corrigindo imperfeições. Um recado: a obra-completa não fica a seu cabo. O pintor de tudo isso, no fim de tudo, é a vida. Cada pessoa, é um quadro diferente, que encontram artistas diferentes. Filhos não são bonecos que são  dados para atingir uma perfeição, ou mesmo um produto de uma vida frustrada. Se você pensa dessa forma, espero de verdade que seus filhos encontrem bons artistas na vida. Você, lamento dizer, não sabe pintar. De outra forma, pais maravilhosos, fazem bons esboços, e a obra termina uma falha: isso não se pode prever. E por isso, ser pai é o "trabalho" mais incerto que existe. Você simplesmente entrega sua vida, mas do que cuida de uma. Você  tem que expor suas falhas, e você tem que tentar ser o melhor, pois querendo ou não, você se torna uma referência, por vezes daquilo que seu filho deveria ser, e em muitos casos, daquilo que ele nunca vai se tornar. Como eu disse, você não é e nunca será o artista absoluto dessa obra chamada "filho".
Eu fui um esboço de meus pais, mesmo que esteja me tornando uma obra tão diferente, assim como meus irmãos são de mim e deles, todos nós temos traços deles, detalhes que no fim compõem um todo. Eu tive sorte: meus pais foram bons artistas. Eles guiaram a família como pintores natos, ou mesmo como maestros regendo uma orquestra. Suavemente, por vezes, sutilmente. Não criaram robôs ou pequenas sombras. Eu não tive sempre tudo o que eu queria, e assim aprendi um principio importante de inicio: meios de correr atrás. A vida me deu limões, meus pais me deram o principio de como cuidar de limoeiros. Hoje eu tenho limonada a vontade. Parece bobo, mas é verdade. Isso que eu tenho de mais importante que nossos pais deram a meus irmãos e a mim: opções e visão. Nós fomos amados, instruídos. Nós ouvimos o "não" e o "você consegue". Eu não fui empurrada, eu não fui puxada. Eu fui muito habilmente conduzida até conseguir andar sozinha. Bem, tem funcionado. Meus irmãos hoje são obras muito lindas, e já fazem seus esboços, e espero que sejam tão bom artistas quanto nossos pais foram. A vida vai tratar de completar com tinta cada espaço, como vem completando a mim.
Por último, o tão fabuloso no trabalho de ser pai, é que no final, você entrega aquilo que você cuidou para a vida. Acredito que seja semelhante ao sentimento de pegar seu esboço, fazer uma aviãozinho e jogar pela janela...Deve ser isso. Mas na verdade, a realidade é que você entrega o principio da sua obra para ser preenchida, escolher suas próprias cores e tons. É admitir e confiar, mesmo sabendo que o mundo pode ser um devorador de filhos cruel, eis uma simples realidade: seu bebê vai ter que ir embora, apenas deixe a porta aberta para ele buscar abrigo e conselhos quando precisar. Pais não pintam para si mesmos, eles fazem obras para a vida, para serem apreciados pelos outros. E mais do que isso, eles constroem artistas, que farão suas próprias obras.   
Eu não sei que tipo de artista me tornarei, ou mesmo os tons exatos de quem sou, mas eu fui presenteada por meus pai com cores maravilhosas: o amor, a bondade, a firmeza e a confiança. Eu cresci vendo o amor supremo de minha mãe pela família. Como uma pequena raposa arisca e amorosa, que seria capaz de ariscar tudo pelos filhotes, para protegê-los, atraindo qualquer tiro de caça para si. Eu cresci sobre os olhos bondosos do meu pai, e com ele tento aprender coisas como tolerância e clareza. Eu tive sorte, nunca deixo de repetir. Mesmo minhas falhas, meus tons obscuros, nada veio deles. Eu fui construída com amor sem amarras e sem ser sufocada. Agora, eu estou fluindo. Eu sou o aviãozinho jogado pela janela com muito trabalho, e estou em saindo muito bem, obrigada.
Espero de verdade, que quando for preciso, eu seja tão boa artista quanto meus pais foram.  

Lorem Krsna.
P.S: Para meu pai, o melhor artista que conheço, meus irmãos, que estão aprendendo esse ofício, e minha mãe, que nasceu para pintar, que ela esteja bem onde quer que esteja agora.
E para todos os pais e mães por aí: boa sorte, vão precisar.

sábado, 9 de novembro de 2013

Replay

 
Eu fico pensando, em quão chato seria um mundo onde todos os nossos desejos se realizassem sem esforço algum. Tipo, em um estalar e dedos você seria mais alta, mais bonita, inteligente. Falaria várias línguas, teria aquele cara que sempre quis... Uma vida que sempre sonhou. Quanto tempo duraria o extâse de ter essa lâmpada de todos os desejos?

Quanto tempo, até você acordar no meio da noite e ver o vazio a sua frente, ou então, que o que você desejava não era exatamente como imaginou. Por que somos mutáveis, nossos sonhos são mutáveis. Livre arbitrio poderia bem ser sinônimo de indecisão.

No esforço para se conseguir o que quer, você acaba ganhando coisas que nunca imaginou. O quanto perderiamos se isso não existisse, se tudo o que quisessemos, tivéssemos naquele instante, não importando se fosse um momento de raiva extrema ou tristeza absoluta. Até o mais puro dos desejos, tem seu preço. Quem aí lembra de uma coisinha chamada teoria do caos?

Eu penso nisso, por que eu pego mesmo aquele instante em que quero que tal coisa aconteça na hora. Ou mesmo, desejo que o tempo volte atrás para consertar alguma burrada. Eu brado o quanto tudo é difícil e complicado. Mas acho que o negócio de se estar vivo é isso. Não existe o botão do replay, ou mesmo o de retorno. É naquele momento e acabou.

E as coisas que você deseja, você tem que suar e chorar para conseguir. Subir no salto quinze ou na prancha e seguir em frente quando se faz besteira, quando não dá certo. E se o livrio arbítrio te vem com uma indecisão, na boa, só se escolhe um caminho, aceite. A partir daí, tudo muda de vez.

Não existem caminhos fáceis, nos filmes, os atalhos sempre levam ao vilão. Na vida acaba mesmo sendo assim.

Você tem que se meter na frente e seguir o caminho e pagar para ver, mesmo que seja longo. E nesse momento, as coisas entram em funcionamento mudando tudo ao seu redor.



Lorem Krsna

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Todo amor que couber


Não venha sofrer por coisas desnecessárias? 
Mas eu pouco ligo, sofro pelo o que quiser. Choro quando me der vontade. E se eu quiser gritar, eu grito o tanto que minha garganta permitir. Eu posso sofrer pelas besteiras que eu disse, mesmo que digam que não foi nada. Eu digo se foi ou não. Eu sei se foi ou não. Tudo tem a intensidade que nossa alma permitir, e uma brisa para os demais, pode ser uma tempestade para mim.
Apenas me deixe transbordar ou me conter quando quiser. Assim, poderei ser o que sou de verdade.
Toda amor e toda dor que couber em meu peito...
Lorem Krsna

segunda-feira, 1 de julho de 2013

instantes



Eu sei bem como é possível, você de repente se sentir imensamente feliz e ainda assim triste em seu âmago. Quanto mais eu penso, mais percebo que a plena felicidade não é possível, por que a gente sempre vai ter medo de perdê-la, e ter a certeza que o momento, por mais incrível que possa ser, é um momento apenas. E momentos nunca duram tanto quanto a gente deseja.
Lorem Krsna

quarta-feira, 26 de junho de 2013

AsAs



Nenhum voo dura para sempre. Sempre chega a hora de encarar o chão.Mas ainda assim, você não deve ter medo de voar.

Lorem Krsna

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Seriedade




"Ãham, eu sou muito chata mesmo as vezes. Mas até os chatos podem ser gente boa de vez em quando. E eu digo tanta coisa séria rindo para pensarem que é brincadeira...
E quando finjo que não ligo, é por que me importo e me apavoro com as coisas. Com dependência, com falta de opção, ou pior, com opções demais... 
Uso de ironia, de humor auto-depreciativo, mas no fim sou meio assim, sempre tenho algo insatisfeito comigo, alguma coisa que devia ter feito melhor e deixei passar, por alguém ou por mim. Por que eu sempre penso demais, observo demais, e a vida não espera. A vida é muito mais dos loucos do que dos estrategistas, muito mais de quem está no palco do que os da platéia. E as vezes é bom sempre sorrir, e ainda assim ser levada a sério. Sorrir mesmo quando esta nos dias que tem a sensação que era melhor nem colocar os pés fora da cama, quando mais de casa. Sorrir cura tudo. E não importa de você for uma chata, rabugenta, uma jovem mulher velha que se alterna com uma pentelha sem noção das coisas. Não importa se você tem 12 ou 60, de corpo ou de mente, se você entender que a vida é séria, mas também uma piada, por que você nunca vai sair dela vivo, e o melhor a se fazer é rir mesmo de tudo isso, fazer o seu melhor, conseguir bons reais amigos e construir tudo o que desejar..."
Lorem Krsna (Anjo Sonhador)


quarta-feira, 30 de maio de 2012

O que aprendi com meus Pais.



“Você não pode ensinar a criança a cuidar de si mesma, a não ser que a deixe tentar por si. Ela cometerá erros e a partir desses erros brotará sua sabedoria.” (Henry Ward Beecher)
Quando eu era criança, meus pais sempre falavam não no que eu seria, mas no que eu poderia ser. Eu não ganhava, eu merecia. Aprendi com eles a respeitar as pessoas, a filtrar conselhos. A ter paciência, mas a nunca baixar a cabeça, pois ninguém é melhor que ninguém, não importa em qual sentido extenso da palavra. Não importa o quanto esteja golpeada, sempre posso dar a volta por cima.
Ensinaram-me a falar na hora certa, e a me calar, pois o silêncio às vezes é o melhor conselheiro e a melhor resposta (e sei que nem sempre sigo isso, minha impetuosidade se sobrepõe a racionalidade). Ensinaram-me a viver entre reis ou a plebe sem perder minha essência e esquecer quem sou,  de onde vim, e para onde vou. E que sempre – Sempre!- haverá alguém que tentará me fazer desviar-me do que quero, e que dependerá de mim, e apenas de mim, saber me defender neste momento a partir da certeza de saber quem sou e de quem busco ser.
Meus pais me ensinaram a diferença entre ter caráter e ter reputação, e a filtrar a críticas, me defender dos golpes, não importa de onde viessem. Para que nunca deixassem ninguém dizer-me que não poderia fazer algo, que não seria capaz, mesmo eles mesmos. E eu cresci tendo plena consciência de minhas capacidades, principalmente de surpreender. 
Fui criança como deveria ser. Brinquei muito, arranhei meu joelho, cai, briguei na escola. Quebrei a cara, fiz amigos, inimigos. Amei, me decepcionei, e vou aprendendo...
Aqui estou eu, pai, mãe, fruto de tudo aquilo que me ensinaram, e da capacidade que me deram de aprender com a vida e no mundo. Sei que nem sempre sigo aquilo que deveria, e aí me serve outro ensinamento: O de levantar depois de errar. Afinal, o erro caminha ao lado da humanidade que carrego em mim, e que há em todos nós. Vocês não tentaram me fazer perfeita, tentaram me fazer descobri que eu sou, e a partir daí encontrar um caminho. E dou Graças a Deus por isso. Perfeição é ilusão. Ilusão causa dor.
Acredito que não estou nem na metade do caminho, e que ainda há muito para todos nós, mas sei que graças a vocês, estou encontrando meu caminho. Faculdade, amigos, decepções, aprendizados. Vou vivendo. Não refazendo os passos que um dia fizeram, mas a base do que me foi passado, criando minhas pegadas. Nem sempre agradeço por isso, pelas pessoas maravilhosas que tive o prazer de ter como guias, não me passando uma ideia ilusória de uma perfeição que não existe, mas que me mostraram os declives e aclives do caminho, e que ninguém acima de mim tem a capacidade de buscar minha maneira de ser feliz!



Lorem Krsna  

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