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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

O quadro e a parede



Para os que me perguntam - repetidamente - sobre meus relacionamentos (a ausência de um na verdade).

“As pessoas vão a sua casa e perguntam porque você não tem um quadro na sua parede. Afinal, toda parede precisa de um quadro. Sem um ela fica vazia, fica estranha. Não são aceitas paredes sem quadros.
Você gosta da sua parede sem quadros, acha que ela fica bonita sem um. Com espaço, limpa, descomplicada.
Ainda assim você vai para uma exposição de arte. E durante sua visita, você consegue admirar a beleza dos quadros. Suas cores, suas formas, suas vibrações. Você fala o quanto eles são belos para a pessoa ao lado, pergunta-se o que o criador pensou naquele momento. No entanto, quando pensa no quadro na parede da sua casa, você percebe que por mais belo que ele seja, não combina com a pintura ou com os móveis. 
Não...não exatamente com a pintura e os móveis, é um belo quadro, você pode mudar o ambiente por ele, se quiser. Na verdade o quadro não combina com você.  Você não sente vontade de levá-lo.
Você vai a outras galerias, buscando aquele quadro que vai combinar com sua parede, com você. Nunca encontra. Vibrante demais, obscuro demais. Esse outro você teria que mudar toda a casa que você adora. Esse outro ocuparia espaço demais.
Há uma parte de você que admira a beleza deles, mas é uma beleza sem significado realmente. E você não quer algo sem significado na parede da sua casa, que você tanto gosta.
No fim você volta para casa sem quadro algum. Abre a porta, joga as chaves na mesa, encara sua parede e no que as pessoas veem vazio, para você há um espaço em branco repleto de possibilidades. Você gosta de pensar olhando para aquela parede. Ela combina com sua personalidade. É sua parede. Você faz o que quiser com ela.
Se não quer um quadro, não vai colocar lá só para que os outros sintam-se mais à vontade quando lhe visitam. Não faz sentido nenhum.
Sua parede.”

 Lorem Morais

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domingo, 31 de janeiro de 2016

Amar nos detalhes


Love by Lorem Krsna
Eu andei pensando sobre gestos de carinho. Aqueles pequenos gestos, por que já diziam que o amor está nos detalhes. 
E isso é raro hoje em dia. Com as declarações de amor eterna nas redes sociais, na exposição de uma felicidade por vezes de fachada. Quantas curtidas tem na foto. Amor só é amor se todo mundo perceber.
Eu lembro quando o amor estava nos detalhes. Aqueles detalhes em que nunca pensei, porque era natural demais. E sempre que penso nisso, lembro da minha mãe. Ela nunca foi de declarações públicas, abraços na rua, ou mesmo fotos. Engraçado nisso, a mulher que um dia foi a menina mais linda da rua dela, odiava fotografias. 
Minha mãe demonstrava o amor nos pequenos atos, e não gostava nem mesmo que comentassem sobre isso depois. 
Como quando ela foi me deixar no cursinho, eu tinha 17, havia saído da minha cidade, e mesmo que não quisesse que ninguém notasse, estava insegura demais. Minha mãe resolveu me acompanhar com uma desculpa que tinha que fazer algo por lá também, e passou a tarde inteira em um café, fazendo palavras-cruzadas, e quando sai ela estava me esperando na porta, como se não fosse nada. 
O amor dela estava nos bilhetinhos que eu achava pela casa, nas frases que de vez em quando apareciam riscadas em meus cadernos. Estava em mandar mensagem para qualquer um de nós, apenas para dizer que havia visto algo que lembrara da gente. Nada de presentes caros, não tínhamos condições, mas sempre havia um livro me esperando nos aniversários.. 
Sempre havia algo que ela fazia, por meu pai, por meus irmãos, por qualquer um de nós, que para os demais podia parecer pequeno, mas havia tanto significado por trás daquilo, que hoje ao lembrar sinto vontade de chorar, porque não tenho mais isso.  
Eu vejo esses detalhes nos meus irmãos, no meu pai, em coisas tão pequenas que eles fazem sem pensar. Em alguns dos meus mais valiosos amigos. Aquela ligação em uma data complicada. Aquela mensagem para saber se chegou bem em casa. O silêncio quando você não quer ouvir nada. Sem julgamentos, os devidos puxões de orelha. As pequenas coisas.
Hoje em dia eu sei, que minhas pessoas mais preciosas eu conto nos dedos das mãos. O número aumentou com o tempo, o que sou grata. E mesmo que não tivesse aumentado, ainda seria.
Mesmo que fosse uma única pessoa preciosa, uma pessoa para você amar nos detalhes, ainda valeria tudo.

Lorem Krsna

domingo, 13 de setembro de 2015

"kosmopolítēs"



Cosmopolita tem origem da palavra "kosmopolítēs", que significa 'cidadão do mundo'. Sem lugar certo, espalhado usualmente pelas cidades e capitais do mundo, adaptando-se rapidamente ao modo de vida por onde passa, para então alçar voo outra vez.
Você vai reduzindo seus bens para caber em duas malas no máximo.
Quando alguém pergunta de onde você é, você hesita por segundos, como se não soubesse ao certo  mais.
Você reconhece pessoas pelo modo como falam.
Nem sempre as pessoas reconhecem mais o seu modo de falar.
Das pessoas que você se importa mais, poucas realmente moram perto de você no momento.
Mas nenhuma delas te tira esse desejo de pegar a estrada toda vez.
Você parte, mas também é partido, por que muitos dos seus amigos são também como você.
Você teve uma boa razão para sair de casa pela primeira vez, mas quando retorna, não encontra mais uma boa razão para ficar de vez.

Lorem Krsna

sábado, 8 de agosto de 2015

O último livro


Hoje eu estava limpando meus livros.
E pensei em meus aniversários.
Vou explicar o porquê.

Eu sempre tive certo azar para aniversários. Em quase todos eles minha mãe tinha que viajar. Quando eu fiquei mais velha, entendi que ela precisava sempre ir para consultas, e que isso era importante demais para desmarcar. 
Com um tempo, deixei de me importar com isso. 
Ainda assim, minha mãe nunca esquecia um aniversário meu. Ela sempre me ligava. E ela sempre me trazia um livro. As vezes até mais de um. Com um tempo, isso tornou-se nosso ritual. Sempre que ela viajava, se ela via um livro que achava que eu ia gostar, ela me trazia. Minha mãe nunca errou sobre nenhum, e eu guardei todos eles como um tesouro. Fazia anotações, sublinhava as partes para contar para ela depois. Ainda tenho todos, e por vezes me divirto lendo as coisas que escrevia no fim das páginas. Que escrevia para contar para ela depois, ou apenas por que queria mesmo.
Ela nunca fazia nenhuma dedicatória. Todo mundo que me dava um livro, sempre escrevia algo  na página da frente. Ela nunca escrevia nada. Pegava a caneta as vezes, ficava olhando, mas nunca sabia o que escrever. Minha mãe escrevia bem, era perfeccionista demais. Tinha que ser perfeito. Escrever só um "aproveite" era ofensivo. 
Eu achava isso divertido, então parei de pedir.
Eu tenho todos os livros que minha mãe me deu. Até o último deles. Lembro do dia que ela chegou com ele em casa. Eu o tinha visto quando passava na livraria, ela estava comigo, e me viu namorando o livro pelo vidro por um bom tempo. Uma semana depois ela chegou com ele em casa.
Ela era esse tipo de pessoa. Íamos para o shopping no fim de semana, ela fazia questão de me acompanhar, e ficava sentada enquanto eu passava horas na livraria, lendo os livros sem comprar nenhum. Por vezes ela levava minha irmã e eu, e mandava nós escolhermos algum livro. 
Mas esse dia, com esse livro foi especial. De vez em quando eu o abro com cuidado, e ele ainda tem o mesmo cheiro de novo. Se fechar os olhos, eu consigo lembrar dele ainda no plástico, sobre a mesa. Da cara da minha mãe, encabulada, como se aquilo não fosse realmente algo incrível. Como se ela não tivesse ido lá só para comprá-lo. Ela sempre fazia essa cara de "não seja tão emotiva sobre isso, que tolice." 

No meu último aniversário, foi quando caiu minha ficha de que aquele seria mesmo o último livro. Ela não ia chegar mais em casa com uma sacola, dizendo que havia visto esse livro e lembrado de mim, e como o vendedor havia dito que era bom. 

E por isso meu aniversário ultimamente me deixa triste. Por vezes eu penso que seria melhor esquecer sobre ele. Acho que ainda, no fundo, estou esperando minha mãe chegar com meu livro. No fundo mesmo sempre vou estar esperando.


Lorem Krsna

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sem Spoiler



"Quando se chega aos vinte, você esquece como foi ter 10 anos. Então você chega aos 40, e esquece o que foi ter vinte anos. Temos memória ruim para as besteiras que a gente fez, a quantidade de vezes que ficamos sem dormir por algo que parecia o fim do mundo e que hoje não parece nada. 
Esquecemos como fomos ridículos, mas também do tempo que fomos livres de tudo. E vem daquelas vezes que ouço uma criança falando e me pergunto se algum dia fui sincera assim, quando hoje tem coisas que não admito nem para mim mesma. Eu nem mesmo sei do que sinto ou não sinto de todas as coisas que passaram, mas eu sei que quando for daqui a 10 anos, eu vou esquecer do meu eu de vinte e poucos. Não vou acreditar que disse isso ou fiz aquilo e outro.
Não vou ter paciência para os jovens de vinte, como hoje não tenho tanto com os de dez anos.  E quando você começa a pensar nisso, é quando percebe com mais vivacidade a passagem do tempo. Depois que se alcança os vinte, e o tempo voa tão rápido que você nem vê direito.
 E eu fico aqui pensando, que a eu de meses atrás era mesmo uma pessoa tão diferente, então como vou ser daqui há alguns anos? 
Não quero spoiler não, só me perguntando mesmo."

Lorem Krsna​

domingo, 17 de maio de 2015

Cada detalhe do caos



Há um infinito dentro de mim.
Um infinito de todas as coisas que me definem e não me definem, que me machucam e me fazem bem.
Há um infinito dentro de mim de todas as pessoas que se foram e as que ainda estão aqui.
Há um infinito de legados, de medos e caminhos que posso cruzar.
Há um infinito e há uma ponte que me leva para fora de mim, que tenho que cruzar todos os dias antes que todo meu infinito me engula, me consuma e eu suma.
Há um infinito em todos os meus dias, que me mantém viva e me mata gradualmente, em tudo o que sou e que posso ser. Em toda minha vontade de ir deixando tudo para trás.
Há um infinito das coisas não ditas, não mencionadas, apenas pensadas e jogadas nesse caos. Todos os diálogos feitos e não ditos, todas as coisas escutadas, que me magoam e não reclamo. Todos as coisas boas que podia ter falado e tive medo. Todos os amores que deixei passar para ficar sozinha. Todas as amizades que se transformaram em vento, que soprou para longe.
Eu sou tudo isso.
Tudo o que errei, pequei, acertei e fiz e não fiz, disse e não mencionei.
Eu sou o caminho que tomei e aquele que não o fiz.
Sou ação e sou inércia, sou ficar e também ir.
Cada decisão que tomei, até as que fiz por não decidir.
Eu sou cada detalhe de meu próprio caos.
Da bagunça do meu quarto e da minha vida, dos relacionamentos e amizades que não deram certo, das pessoas que me amam e não me suportam.
Eu sou cada pedaço, de cada canto escuro e cada canto claro do meu infinito.

Lorem Krsna

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domingo, 9 de março de 2014

Cicatriz



Cicatrizes são um preço que se paga por viver. Todo mundo que VIVEU, se arriscou, amou alguém... Todo mundo que já deu seu grito de liberdade. Todos, todos tem uma ou outra cicatriz. Algumas, não se pode ver na pele, é dentro, intrínseca, por vezes visível através dos olhos em alguns momentos.
Cicatrizes nem sempre são ruins. Elas muitas vezes simbolizam a dor que passou, do que um dia foi uma ferida aberta, sangrante. Elas mostram nossa capacidade mais importante: seguir em frente.
Chuck Palahniuk disse uma vez "Não quero morrer sem nenhuma cicatriz". 
Ter uma cicatriz, é um certificado que já doeu, e que a dor não é para sempre. Que um dia ela ameniza, que um dia ela se torna lembrança. E que essa lembrança da dor, nos faz forte, nos ensina. Pode nos tornar melhores. Assim como a pele em uma cicatriz se torna mais resistente após o processo, nos tornamos também. Mais duros, mas também mais cientes.
Mais cientes que não somos de ferro. Não somos intocáveis. Que podemos chorar uma noite inteira. Que as pessoas são frágeis. Que tudo tem um preço. E que a dor, é dor não importa quem atinja. Nos tornamos cientes que não existem armaduras que nos protejam de certos danos, ou inércia que nos prenda em uma bolha. Pois até não fazer alguma coisa, deixa uma cicatriz: a da omissão. Do arrependimento.
Sim, viver é um processo de se ferir, se curar, seguir em frente. Assim mesmo. Cheio de cicatrizes no caminho.

Lorem Krsna

Anjo Sonhador

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Distance



Esse negócio que as coisas não mudam com a distância não existe. As coisas mudam sempre, toda hora, todo segundo. Você nunca vai ver a mesma coisa, ser a mesma coisa. A distância, o tempo, e as ações entre eles, tudo muda as pessoas, os lugares, os sentimentos.
Como muda, já é uma questão diferente. 
Mas isso de 'nada vai mudar' não chega nem a ser uma piada, na verdade é uma ilusão. 
As pessoas mudam, e as pessoas fazem as coisas acontecerem, logo essas coisas mudam. É para ser simples.
E não falo apenas da distância física. Uma pessoa pode estar a seu lado, e estar longe demais. Você a via todo dia, passa a vê-la esporadicamente, e um dia ela some da sua vida, mesmo estando lá. Por isso existem amizades e amores de temporadas. E o engraçado, é que  nunca temos garantias de quantas temporadas tudo irá durar. Não temos noção exata do quanto as pessoas realmente se gravam em nossos corações. Aquela pessoa que hoje você vê todo dia, conta tantas coisas, ri por tudo, em anos, pode se tornar um estranho, mais alguém que mudou e se foi com uma temporada. E então, quem você menos esperava, vai estar lá. 
Eu vou estar tanto tempo longe, e não sei o que vai me esperar quando voltar. Apenas sei, que nada vai estar igual. Algumas pessoas, já sei que não estarão lá. Outras, pressinto que estarão lá, mesmo estando longe. Outras, tenho certeza que por mais que tudo mude, que elas mudem, irão  estar presentes em cada temporada, como sempre estiveram. Diferentes, novos cortes, novas cores, mas serão elas. Algumas, não fisicamente. Outras, logo sei que não passarão de estranhos. As temporadas foram, e eles se foram com as suas em novas vidas.
E isso é tão peculiar. Triste até. Você não saber o que, ou quem estará sempre esperando por você. Tendo apenas vagas ideias. Apenas tendo a certeza da constante mudança. Apenas sabendo que que o amor, amizade, sentimentos, laços são maleáveis e se esticam e se transformam, mas dependendo da distância (nem sempre física), eles podem mesmo arrebentar sem volta alguma,sem chance alguma de reconstituição de como um dia foram.

Lorem Krsna    
(Da tua retina)


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Lado A, Lado B


Os sentimentos mudam todo tempo, os meus por vezes em segundos. Felicidades são momentos, e fico feliz por tão pouco, triste por tão pouco... E tudo ao mesmo tempo.
As vezes é complicado né? Sentir saudades. Isso pode curar com abraço, mas e se não for mais possível dar esse abraço?
Tristeza pode curar com sorriso, mas não é meu sorriso, disso eu sei. Tem que vir de fora para dentro, queimando tudo, fechando o que ficou em aberto. Mas nem sempre existe cola pra tudo, sorriso pra tudo, desculpa para tudo.
Ficar feliz 24 horas. Isso não existe.
É. Tem algumas saudades que nem brigadeiro, álcool, música ou conversa fora pode amenizar.
A gente ganha peso, ressaca, talvez alguns artistas novos, e um bom papo para pensar.
Se isso fosse a cura de tudo...

Lorem Krsna

domingo, 26 de janeiro de 2014

Clichês


As coisas acontecem de repente. E a vida é mesmo meio cheia de clichês. Você pode sim encontrar alguém que vai ser importante para você em um ponto de ônibus, por exemplo. Você vai se desesperar por coisas banais. E você vai sofrer sim, e muito, meio como novela mexicana. 
Vão acontecer coisas ruins em sua vida. Nem pense que não. Só muda a intensidade.
Vão acontecer coisas boas. O peso delas, aí é com a pessoas mesmo.
Você vai sentir medo, pode ser do escuro,pode ser de altura. Pode ser de aranhas. Pode ser de se apaixonar. Pode ser de ficar sozinha.
Você vai passar noites em claro. Seja em uma festa, seja por uma prova, ou um problema. Bom mesmo vai ser o dia que passar a noite em claro, só para esperar o sol nascer.
Você vai ter dias tristes, em que vai pensar em coisas tristes. Esse meu dia foi hoje, o seu pode ser amanhã. Mas nunca vai ser apenas um dia.
Você vai ter dias alegres, com pessoas legais, fazendo coisas idiotas, mas vai amar cada instante.
Você vai ter tédio, vai ter resfriado. E vai acabar assistindo Lagoa azul mais de uma vez. 
Você vai ter saudades, vai ter raiva, vai ter euforia. Você vai querer sempre mais do que tem, e nunca vai estar totalmente completo com o que conseguiu da vida.
Você vai sentir ciúmes. Seja de um amor, seja de uma amizade, seja de um familiar. 
Você vai sentir raiva de alguém, e vai se imaginar jogando ela em frente a um carro ou algo assim. Tente apenas imaginar.
Você vai se arrepender de alguma coisa, ou de muitas. Vai querer ter falado algo para alguém que não falou,ou vai se arrepender de ter falado demais. Vai querer ter beijado alguém, ter dito coisas importantes. Ou simplesmente vai pensar em uma resposta perfeita depois que a briga passou.
Você vai se sentir idiota, incrível, triste, feliz. Vai se sentir o máximo ou vez ou outra, ou o maior idiota do universo. 
Você vai sentir muita falta de alguém.
Talvez encontre um alguém especial. Talvez case, tenha filhos. Talvez se divorcie. Talvez nunca case e crie um gato, ou cachorro. Quem sabe mais.
Talvez more em uma casa, apartamento. Na serra, no litoral. Talvez mude de profissão, ou passe a vida fazendo a mesma coisa.
Talvez seus sonhos mudem tanto, que nem se lembre mais se é o que sonhou um dia. Talvez seja melhor, ou pior.
O fato, é que todos esses clichês vão acontecer uma hora ou outra. E tantos outros...
Muitos acontecem agora, e você nem percebe. Nem percebe que as vezes parece aquela mocinha ou mocinho das novelas, fazendo aquelas burradas, ou tendo aqueles momentos que nunca imaginou. Passando por ruas que parecem aqueles filmes da sessão da tarde, ou mesmo passando por temporadas, como os seriados de televisão. 
O fato é que nada é certo, sério e para sempre.
E isso é o melhor, ou o pior de tudo.

Lorem Krsna

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Off

By Frederick Mccubbin

"Nem vem com essa de ir parafraseando os grandes mestres." Isso é o que digo para mim quando acordo com a cabeça cheia demais. Mas eu gosto mesmo de colocar para fora quando estou de porre com a vida ou apaixonada por ela. Nada dos espaços dos grandes tédios. Tédio digo, não aquele estado profundo de "não sei" que vivo me colocando. Eu não escrevo, eu vomito palavras. Só que as vezes é o vômito que fazem outros de identificarem. Nojenta comparação. Eu sei. Comparo como se encher até se engasgar, e para não dar a louca, eu escrevo. Por que nada comigo é no mais ou menos. Eu fico em off para não ligar de vez, e depois só arrancando da tomada. Eu fico em off para observar, refletir, concluir... E ainda assim, sou uma fábrica de repetir erros. De esquecer meus discursos bem elaborados. De fingir que não me interesso, quando estou sim muito interessada. Eu sou muito disso. De pensar nas duzentas jogadas a frente e esquecer que o relógio marca o tempo.
Ando mesmo gritando comigo um "anda!" 
 Só um grito interno para desempacar e ir para a pista de dança.

Lorem Krsna

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Flecha e trajetória - mentiras e verdades



Nós amamos a mentira reconfortante. Pode parecer hipocrisia, ou simples carência, mas eu gosto de vez em quando de uma mentira para me fazer sentir melhor. Eu até minto para mim mesma, olho no espelho e despejo tudo, vomito inverdades, até que elas se convertam em verdades. Só falta mesmo elas acontecerem para mim.
Há dias que a sinceridade me irrita, as porcentagens, os tiros certos. Eu amo quando a flecha desvia e acerta onde menos se espera. Dizem os sinceros, que ela errou a trajetória, eu prefiro dizer que ela mudou de ideia e seguiu novos rumos.
Eu vivo minha vida como uma flecha mudando de ideia. E gosto dos lugares não planejados que ela acerta.
Eu odeio palavras com sentidos certos e únicos, duras e diretas no ponto. Eu gosto mesmo de passar horas imaginado significados, em uma tortura lenta e não pensada. Eu sempre vou buscar significado nas pequenas coisas, mesmo simples. E eu sempre vou mentir sobre elas. Mentir e mentir até achar que elas podem ser o que acredito.
Odeio quando me diziam coisas certas da maneira errada e coisas erradas da maneira certa, preenchendo de brilho e cor o caminho da tentação. Eu sou humana, afinal. E todos essas pequenas coisas irritantes chamadas sentimentos eu tenho aos lotes. Eu amo, eu odeio, eu desprezo, eu guardo silêncio. Eu sinto medo, insônia e finjo que está tudo bem para não falar porcarias por aí. E claro, finjo que entendo quando não entendi nada. Finjo que não foi nada quando estou fervendo por dentro. E explodo - e como explodo - nas horas mais impróprias.
Eu nunca sei quando estou apaixonada, até estar desenhando corações.
Eu nunca sei que estou amando, até passar a odiar a pessoa.
Eu nunca sei o que vem até mim, até estar no olho do furacão.
Eu nunca sei quando parar de esperar demais, de confiar demais. De esperar que leiam o que desejo nas entrelinhas, entendam por trás de meus pretextos. Nunca ninguém sabe quando estou feliz, triste ou constipada. Para todos, sou a mesma coisa e sempre, por dentro, nunca sou a mesma por dois segundos.
Talvez eu precise de terapia - Quem não...
Talvez eu precise de apenas um amor conturbado - Quem nunca...
Talvez, eu precise apenas que mintam mais vezes para mim -Quem dera...
Talvez, eu precise de verdades menos duras - Quem sabe...
Talvez eu precise apenas de alguém que saiba ler menos o texto, e preste  atenção  nas mensagens subliminares.
Eu nunca sou mesmo o que pareço, ninguém é. Todos nós somos apenas verdades inventadas. Flechas mirando e mudando de trajetória. 

Lorem Krsna - Desabafo,eu sei

sábado, 9 de novembro de 2013

Replay

 
Eu fico pensando, em quão chato seria um mundo onde todos os nossos desejos se realizassem sem esforço algum. Tipo, em um estalar e dedos você seria mais alta, mais bonita, inteligente. Falaria várias línguas, teria aquele cara que sempre quis... Uma vida que sempre sonhou. Quanto tempo duraria o extâse de ter essa lâmpada de todos os desejos?

Quanto tempo, até você acordar no meio da noite e ver o vazio a sua frente, ou então, que o que você desejava não era exatamente como imaginou. Por que somos mutáveis, nossos sonhos são mutáveis. Livre arbitrio poderia bem ser sinônimo de indecisão.

No esforço para se conseguir o que quer, você acaba ganhando coisas que nunca imaginou. O quanto perderiamos se isso não existisse, se tudo o que quisessemos, tivéssemos naquele instante, não importando se fosse um momento de raiva extrema ou tristeza absoluta. Até o mais puro dos desejos, tem seu preço. Quem aí lembra de uma coisinha chamada teoria do caos?

Eu penso nisso, por que eu pego mesmo aquele instante em que quero que tal coisa aconteça na hora. Ou mesmo, desejo que o tempo volte atrás para consertar alguma burrada. Eu brado o quanto tudo é difícil e complicado. Mas acho que o negócio de se estar vivo é isso. Não existe o botão do replay, ou mesmo o de retorno. É naquele momento e acabou.

E as coisas que você deseja, você tem que suar e chorar para conseguir. Subir no salto quinze ou na prancha e seguir em frente quando se faz besteira, quando não dá certo. E se o livrio arbítrio te vem com uma indecisão, na boa, só se escolhe um caminho, aceite. A partir daí, tudo muda de vez.

Não existem caminhos fáceis, nos filmes, os atalhos sempre levam ao vilão. Na vida acaba mesmo sendo assim.

Você tem que se meter na frente e seguir o caminho e pagar para ver, mesmo que seja longo. E nesse momento, as coisas entram em funcionamento mudando tudo ao seu redor.



Lorem Krsna

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Temporada


Pouca inspiração nos textos, muita inspiração na vida... Tem tempos que parece que as coisas dão uma guinada decisiva né? Tudo muda, a vida é mesmo um carrosel girando, te tragando e te cuspindo, te dando coisas, tirando coisas... É costume deixar tanto para trás, por conta do que se abre na frente. Se é errado ou certo, quem diabos vai saber? Ninguém manda nessas coisas. Ninguém para o tempo no lugar, por isso, dias são uma vida inteira. A gente morre e renasce em tão pouco tempo, imagine em tempo indeterminado. Tudo muda, a gente perde coisas, ganha outras, chora, sofre, ri e TEM HISTÓRIAS. Não falo de escrever histórias, falo de VIVER HISTÓRIAS. Todos esses dias tem sido únicos, talvez por que eu saiba que tudo vai ser diferente demais daqui para frente, que vou mudar, que as pessoas vão mudar também. É impossível não se transformar, se jogar nisso tudo.
Como disse um grande amigo, parece que finda uma temporada da malhação (rs), e daqui a pouco, serão caras novas, pessoas indo embora, e começando uma nova etapa na vida de cada um. Talvez seja isso, estejamos todos enfrentando novas temporadas, se mudando, se destruindo e se criando, sempre e daqui para frente.

Que venha mais essa nova temporada. (Lorem Krsna) 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Dúbios

"Seres humanos são tão interessantes...
Eles são fisicamente obras de arte arquitetada em detalhes, mas vai além disso. O interessante está em seus defeitos, em sua capacidade de insatisfação, de sempre querer mais, de sempre faltar algo, por que por mais que tudo pareça em ordem, sempre há a sensação de um vazio a ser preenchido, que algo poderia ser melhor se feito de outra maneira. Nos agarramos a cada pequena chance, por menor que seja, que nos tire de onde achamos que não nos cabe. Seres humanos são covardes, tentando serem fortes, e tão fortes, por entenderem serem pequenos, limitados, por terem tantos medos. Eles são fortes, quando tem que ser por outras pessoas. Eles erram demais, e por vezes acreditam estar no topo, no centro de tudo. Serem únicos, onipotentes. Eles galgam alturas monstruosas para caírem, perderem tudo, e dar todos os pequenos passos de novo. E eles darem estes pequenos passos teimosos, é o mais interessante.
O interessante, é o livre arbítrio. A liberdade de escolher, e a partir disso, ter seu resultado, que só pode ser bom ou mal. 
Somos tão limitados, mas não nos limitamos. Somos tão frágeis, mas construímos fortalezas. Podemos ser dizimados tão facilmente, mas infestamos o mundo. Nosso caminho é morrer, mas levamos a vida como se isso não fosse acontecer, como se fossemos viver para sempre. Temos medo do esquecimento, mas todos serão esquecidos. Não temos controle de nada, mas podemos sempre escolher. Somos tão dúbios! Somos tão susceptíveis... Somos tão pequenos. "

Lorem Krsna

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Proverbiar



Não sei se sou otimista, pessimista, ou realista. Depende do momento, do humor, da lua ou sei lá. Eu posso me desanimar se o barco não sai do lugar, posso fazer a vela, se não há vento, posso quebrar a vela e ir nadando... E isso de ver copos cheios, vazios e não sei mais. Depende do copo, do liquido, da visão, da sede... Sei, sou péssima com provérbios. O fato é que se a situação ta ruim, eu digo que está ruim, e penso no que devo fazer para mudá-la. Não digo que é impossível, nem que é fácil tão pouco. Só que ficar parada é chato. Esperar é chato. Se precipitar é chato. Nem sempre há um lado positivo para tudo, mas reclamar demais também é chato.
Acredito em Murphy, no caos. Mas acredito muito mais em mim, que sou teimosa demais quando quero que algo funcione. 
Eu acredito mesmo que consigo fazer as coisas, nem que seja sair de uma enrascada de estar em um barco sem vela, numa noite sem vento. E se tudo mais for estressante demais, eu bebo o que está no copo abaixo ou acima da metade e vou ficar desenhando constelações nas estrelas ao balanço do mar.
Chorar? Desidrata menina. Só esperar a mente clarear, ou hora a saída vem.

Lorem krsna

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terça-feira, 9 de julho de 2013

Flecha



Não adianta andar fora da mira do radar para não ser atingida. Deixar de fazer um monte de coisas, se conformar, imaginar que não está a altura, e se não se destacar, não irão tentar te atacar. São ideias tolas. Viver em função disso é perda de tempo, de chances, e tudo isso é alimento importante de mais para ser desperdiçado. 
Não faço das minhas para atingir, "causar", ser o centro das atenções. Faço as coisas por mim, e para o que vou sentir depois. Quero viver o que tenho que viver nessa vida, sem desperdiçar nenhum gole de nada, sem repetir palavras demais, erros demais, se não tenho tempo de fazer coisas repetidas, se tudo perde o efeito e muda na segunda jogada. E não temo ser vista, ser atingida, ter que voar de novo. Se for necessário, posso andar de forma suave, ou quebrar o que tiver que quebrar. Posso estar a margem, no centro, ou no lugar que no momento for o meu lugar. Eu guardo silêncio das coisas, até certo ponto, mas nunca sem um bom motivo. Eu não faço as coisas sem motivo.

Lorem Krsna

domingo, 30 de junho de 2013

Intenso


Eu sinto intensamente a alegria e a tristeza. Minha dor nunca é pequena, meu gostar nunca é pouco. Por isso hesito. Fico vagando na linha tênue, pois se entrar no turbilhão, nunca fico a margem, mas no olho do furacão. 

Lorem Krsna

Vasculhe

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