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sábado, 9 de novembro de 2013

Replay

 
Eu fico pensando, em quão chato seria um mundo onde todos os nossos desejos se realizassem sem esforço algum. Tipo, em um estalar e dedos você seria mais alta, mais bonita, inteligente. Falaria várias línguas, teria aquele cara que sempre quis... Uma vida que sempre sonhou. Quanto tempo duraria o extâse de ter essa lâmpada de todos os desejos?

Quanto tempo, até você acordar no meio da noite e ver o vazio a sua frente, ou então, que o que você desejava não era exatamente como imaginou. Por que somos mutáveis, nossos sonhos são mutáveis. Livre arbitrio poderia bem ser sinônimo de indecisão.

No esforço para se conseguir o que quer, você acaba ganhando coisas que nunca imaginou. O quanto perderiamos se isso não existisse, se tudo o que quisessemos, tivéssemos naquele instante, não importando se fosse um momento de raiva extrema ou tristeza absoluta. Até o mais puro dos desejos, tem seu preço. Quem aí lembra de uma coisinha chamada teoria do caos?

Eu penso nisso, por que eu pego mesmo aquele instante em que quero que tal coisa aconteça na hora. Ou mesmo, desejo que o tempo volte atrás para consertar alguma burrada. Eu brado o quanto tudo é difícil e complicado. Mas acho que o negócio de se estar vivo é isso. Não existe o botão do replay, ou mesmo o de retorno. É naquele momento e acabou.

E as coisas que você deseja, você tem que suar e chorar para conseguir. Subir no salto quinze ou na prancha e seguir em frente quando se faz besteira, quando não dá certo. E se o livrio arbítrio te vem com uma indecisão, na boa, só se escolhe um caminho, aceite. A partir daí, tudo muda de vez.

Não existem caminhos fáceis, nos filmes, os atalhos sempre levam ao vilão. Na vida acaba mesmo sendo assim.

Você tem que se meter na frente e seguir o caminho e pagar para ver, mesmo que seja longo. E nesse momento, as coisas entram em funcionamento mudando tudo ao seu redor.



Lorem Krsna

quarta-feira, 26 de junho de 2013

AsAs



Nenhum voo dura para sempre. Sempre chega a hora de encarar o chão.Mas ainda assim, você não deve ter medo de voar.

Lorem Krsna

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Suavemente



Ultimamente quero ser mais brisa, menos tempestade. Quero passar suave, na calmaria. Fluir tranquila nas mesmas coisas, sabendo que elas vão mudar rápido demais e nada se pode fazer em relação a isso...
Talvez, daqui há poucos anos, poucos meses, poucas semanas, eu não veja as pessoas com os mesmos olhos, nem queira lhes falar o que hoje desejo. Talvez não estejamos aqui para isso, de qualquer forma...
Talvez, daqui há um tempo, aumente a lista de pessoas que eu machuquei e as que eu ajudei, e minhas perguntas não esclarecidas nem importem mais. E talvez eu ame, e sofra, e mude, deixe cicatrizes e fira e seja ferida. Mas nada disso importa. Aprendi a não sofrer por antecedência, não perder meu sono. Antes eu era muito mais tempestade, querendo deixar minha marca em tudo...
Mas andar suavemente pelo mundo é uma dádiva no fim das contas."

Lorem Krsna


domingo, 5 de maio de 2013

Leite quente


"As pessoas esquecem o que é ter sete.
Vou dizer, minha infância foi boa demais: tomar banho de chuva, mergulho no mar, jogo de futebol no gramado e queimado na pracinha com amigos e rivais do bairro.
Acordar sete da matina para tomar nescau e assistir ursinhos carinhosos. 
Aguardar disney cruj, e as festas juninas no mês das quadrilhas, buscando seu par. 
Quando ficava doente, lá vinha a famosa canja, cafuné, e o famoso kit adoentado: cream craker com guaraná. Se for muito amado, rolava um passatempo, para ciúmes dos irmãos.
Eu vivi tudo isso. Eu vi muita chuva caindo com a boca para o céu, e assisti o pôr-do-sol tocando violão na praia. Eu já voltei pra casa da escola conversando com o menininho que eu gostava, e fingi que estava irritada quando ele disse que gostava de mim.
Eu briguei e brinquei com meus irmãos, e foi quando estava com eles que senti que estava mais feliz e completa. Já ouvi que era amada, e disse também, e isso é único quando real. Meus pais já disseram que se orgulhavam de mim, e isso vale cada noite mal-dormida.
E eu lembro bem o que foi ter sete, oito, dez, treze anos. Lembro bem de como é ter quinze anos e sentir que o mundo está contra você, e ter dezenove e sentir que é hora de conhecer o mundo, e apanhar bastante. E sei o que é ter vinte e perceber que você não sabe de nada, mas tem tudo para descobrir, basta abrir os olhos, correr atrás, buscar lugares, pessoas e a si.
Eu posso ter pulado etapas. Mas não fui privada de nada."

Lorem Krsna




terça-feira, 30 de abril de 2013

Portões



"Ainda que eu não possa esquecer
E Deus sabe os motivos...
Hei de guardar cada lembrança como tesouro
Originado de cada mínimo pensamento.
O desespero e angústia não me derrubarão,
Apesar da nostalgia desses velhos novos dias.
Pois a cada momento o passado me fará enxergar
O que no presente posso ter.
Cada lembrança me fará me reconstruir dos velhos pedaços...
Hei de fazer do passado não minhas correntes, mas meus balões...
Não meus muros, mas minhas portas...
Não o abismo das impossibilidades, mas meu grito de liberdade.
Para a partir de quem fui, do que tive, do que perdi...
Ser quem sou."
 
Lorem Krsna e Natã Cavalcante
 
Ao som de City And Colour.



segunda-feira, 29 de abril de 2013

Rumo ao desconhecido



" Eu aprendi que todo ser humano teme um pouco a mudança, tanto quanto a deseja. Ele não quer ficar no mesmo, ao mesmo tempo, treme diante da fuga da zona de conforto, do comum, do que é no momento presente... Mas estes saltos da zona são necessários. Mudar é como respirar, você precisa para viver. Mudar de ares, de pensamentos, de visão... Mudar o que você é não é trair nem um princípio. É principiar. 
E eu, prestes a um grande salto, já aprendi a fugir de justificativas e abraçar tudo isso, crendo o quanto será belo, mas também difícil, e por isso, concreto. O quanto será grande a mudança, como vem sendo desde o dia que cada um de nós nasceu e berrou para este mundo estranho, com medo da mudança brusca daquilo que nos era comum. Talvez seja isso, cada mudança é um nascimento... E nascer, embora difícil, é delicioso." 
Lorem Krsna 

sábado, 6 de abril de 2013

Carta ao Eu que fui


Querida Eu de antes.
Nos últimos dias não venho me reconhecendo no espelho, e muito menos nas fotos antigas. Não que eu não lembre de como era, ou que não tenha ainda tantas teimosias e perguntas, mas venho notando o quanto venho deixando os pesos para trás, mesmo nos dias ruins, porque venho aprendendo que nada dura. Queria ter uma maneira de contar isso a você, a Eu de antes. Teria me poupado muita dor de cabeça e noites mal dormidos, e muitas perguntas erradas, ou certezas inexistentes. Você ainda vai ter alguns problemas, mas também algumas recompensas. E acho que isso serve de algo, e que seja o fluxo certo das coisas, como o temporal e o arco-íris depois.
Você terá bons amigos, e outros nem tanto, e nem sempre vai saber em quem confiar. Vai se decepcionar muito, dizer coisas que vai se arrepender, passar por noites ruins, madrugadas terríveis, e medos de perdas que é o tipo de coisa que não vai saber ao certo como lidar, mesmo com sua cara sempre enfiada nos livros. Muito do que você aprenderá na vida, não será em livros. Ainda assim eles serão por vezes as janelas para a fuga, e ótimos aliados e isso não vai mudar. Mas você vai aprender a se virar bem sem eles. A sair dos bastidores e entrar no palco sem medo de julgamentos, mas não da maneira fácil. Nunca será da maneira fácil.
A vida é bem mais complicada do que uma biblioteca minha cara. E tem cores muito mais belas do que representa em seus desenhos.
Sua família ainda será sem porto em todos os momentos de águas fortes, mas terá que saber a diferença entre segurança e aprisionamento. Terá que aprender a voar, mesmo com toda a dificuldade.
Nem sempre a coisa certa estará clara. E quase nunca achará respostas em consolos e abraços, na maioria das vezes, seus maiores críticos acabarão sendo amigos mais úteis do que aqueles que fecham os olhos para seus erros.
Haverá algumas lágrimas. De risos e de angustias. Quando fizer 15, perceberá suas idiotices dos 14, e com 16, o quanto foi tola aos 15. Mas nunca conseguirá ser tão boa quanto quando tinha 6 ou 7. E isso não vai mudar.
Vai se apaixonar. Muito. Nem sempre por pessoas de carne e osso. Mas vai quebrar a cara, e aprender toda vida com os tropeços, que não serão poucos nem fáceis, mas no fim, tudo vai ficando para trás se você quiser.
Nem sempre fará o que quer, o que gosta, mas nem sempre isso será ruim, entretanto. Às vezes é melhor escolher sem ter certeza, do que esperar por tempo indeterminado. A vida não espera por ninguém, e nem as coisas passam de modo fácil. Nós que escolhemos a nossa cura das coisas.
Você encontrará pessoas boas, muito boas, que te farão bem. E pessoas que esperam tua queda. Precisará saber tratar com os dois com elegância. Ficará mais madura, mas nem sempre menos ingênua, ou insolente. Vai machucar quem ama sem querer, e ser também machucada, e saber assim engolir orgulho e pedir perdão e perdoar. Mas nunca vai esquecer.
Há muito o que acontecer ainda. O mundo mal se abre diante de teus olhos, e acredito que também diante dos meus, que mal enxergam a janela que se abre ao mundo. Mas vais aprender a viver. E acredite, tudo melhora, mesmo que tenha ficado ruim antes, e sempre será assim.
Então apenas viva. Corra mais por aí. Arrisque mais. Resolva seus assuntos mal acabados, pois o passado, vai ficar no passado de fato. Enterrado, esquecido, e a vida nunca será a mesma de um dia para outro...
Alguns de seus ideais vão vir por terra. Suas certezas não passaram de escrituras na areia. Mas seu caráter será o único imutável. Confie mais. Entre mais no palco e fique menos na plateia. Aplauda menos os sucessos dos outros e tente criar os seus.
É o que recomendo para você, Eu de antes. Mas talvez você tenha que passar por tudo para ter a clareza. E eu ainda tenha que passar por muito mais, para ver a luz.

Com carinho
A Eu de hoje.
Lorem Krsna   


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Golpe e esquiva

"Você escolhe o que faz da vida, mesmo escolhendo não fazer nada. É sempre assim, sob os golpes, você ou se esquiva, ou enfrenta. Sob as mudanças, ou você assimila, ou dissimula... e você sempre tem a opção entre chorar pelo o que foi, ou abraçar o que vem. Mudanças podem ser grades ou podem ser janelas, buracos ou saidas, golpes ou oportunidades... Você escolhe, ou é escolhido."  Lorem Krsna

sábado, 30 de março de 2013

Na paz me envolvo



“Eu vivo pensando em coisas demais, que acabam se chocando em minhas paredes internas... Mas eu jogo isso na gaveta das “histórias para depois”. Hoje eu quero paz. Quero me sentar em um lugar tranquilo no fim da tarde, sem pensar em nada que me derrube, sem lembrar nada que me transporte...
Hoje eu quero só a paz das velhas coisas, a teimosia sutil do velhos versos, do ritmo lento do que me cabe, muito mais do que me sobra... Só quero afundar nessa paz, mesmo que seja passageira, meio ilusória, mas que por um tempo me faz ter ideia do que é ser plena. “


Lorem Krsna


domingo, 24 de março de 2013

Saudade crônica





Às vezes me sinto cansada, velha, solitária e em dúvida demais.
Nada a que me apego, pode retribuir, e por isso aprendi a não esperar demais, e ainda assim, por vezes espero. Espero enquanto me sento na calçada no fim de tarde e vejo como o dia acaba em estranha e bela melancolia, com um café ou um chá a descansar na mesa, ao lado de um livro, ao som de uma música, e repleto de pensamentos tortos e saudades meio vagas...
E eu sei que por mais que a mente obrigue, nunca vai deixar de ser diferente. E até mesmo essa tristeza solitária me faz me sentir bem, como se a plenitude de um sentimento completo me deixasse presa a estranha sensação de alcançar a linha de chegada, e não ver nada a frente. Por que sou sempre eu que gosto mais, que sinto mais...E ainda assim a que termina vazia.
Nada consegue durar tempo demais em mim, pois vem com tanta intensidade que depois se apaga, mas não morre de fato. Talvez por isso sofro de saudade crônica de tudo que vivo deixando para trás. E vivo esperando o que não vem, pois já se foi há muito tempo.

Lorem Krsna 



sábado, 23 de março de 2013

Acorde-me

Acorde-me.
Levante-me com um beijo ou uma palavra que recria tudo o que sufocou durante os anos. O tempo passou meu bem. e nos passou para trás.
O dia é outro, o ano é outro, e o conto é outro. A bela adormecida apenas descansa quem  é de fato dentro de si mesma. Ou talvez aquela parte que dormiu nunca acorde. Nem com beijos, nem com palavras. O negócio é manter o que ainda há para ser mantido. E por vezes, as palavras podem manter acordados os sonhos muito mais do que um café forte, ou um gole de vodka em uma noite fria...
Então vamos falar, e quem sabe o dia não amanheça, a tarde não passe, a noite não venha, o tempo pare, o frio suma com o calor dos olhos, e fique aquela sensação quente de confortável que a gente acredita que não existe, mas essas coisas existem.
Elas são reais.
Não são contos, nem tão poucos acontecem como neles foi escrito. Somos falhos, desastrados, arrogantes, mas somos o que somos, e o que temos dentro de nós: sonhos, amores e fé.
E isso nos redime. Por isso talvez a bela adormecida espere. Não deitada inútil e rodeado por teias de aranha e planos.
Mas de pé, a encarar-te nos olhos atua espera. E para esta findar, basta uma palavra. Uma palavra para mudar toda a história. 
Lorem Krsna

domingo, 3 de março de 2013

Só talvez

Fonte

Ok! Talvez eu tenha sentido sua falta mais do que diria, do que o tempo permitiria, e que caberia em uma vida. Sabe, um pouquinho todo tempo, de modo ligeiro, rasteiro...
Talvez eu tenha me pegado rindo pensando em você, de vez em quando e sempre. Pensando no que diria naquele instante, em suas frases absurdas que me tiravam do sério.
Talvez eu tenha gostado mesmo de você, e esse seja o motivo da melancolia, o nome bonito de dizer que sinto sua falta e isso me deixa triste, amuada, e que as vezes, por isso, não consigo estar perto de ninguém, por que ninguém é você...
Lorem Krsna

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A criança que fui


Tenho lembranças bacanas da minha infância. Do barulho da chuva no telhado, o cheiro do café saindo da cozinha, os mergulhos no mar esverdeado da minha cidade. Lembro também dos jogos de futebol no gramado, do pega-pega na pracinha quando faltava energia, ou de ficarmos horas conversando na varanda, vendo o sol sumir e a penumbra cobrir todo mundo, esperando que a luz chegasse, discutindo o final da novela do horário nobre.
Lembro bem dos meus irmãos, de meus pais, do nosso cachorro...
Da primeira mudança, para a casa de terra batida, e dos jogos de dama que sempre acabavam em confusão, por que nenhum de nós queria perder. E lembro dos banhos de chuva na grama, da gente se lambuzar de lama na praia imitando indio, e acender fogueira, ao som dos violões e de uma cigarra aquí e acolá, e até do tempo em que o terreno se enchia do brilho esverdeado dos vaga-lumes quando desligávamos a luz só para brincar de se esconder.
Minha infância foi boa. Aproveitei cada instante, e quando olho para trás, percebo que perdi muito tempo não enxergando isso. Não enxergando o quanto eu tive sorte de ter vivido tudo isso, cada banho de açude e de mar, hoje penso que me limpariam toda a fumaça em que as vezes me escondo. 
Não voltaria no tempo: o que passou passou, e foi bom enquanto durou. 
Mas hoje consigo ver bem, que a felicidade estava nas coisas menos complicadas. E sinto falta dessa minha velha sabedoria, pois quanto mais aprendo e cresço, mas vejo o quanto sou tola, o quanto eu era mais sábia, desprendida, mais atirada para vida. Eu perdi essa sabedoria simples, e vivo esbarrando na vida, cega diante do que fazia bem, sem poder encontrar mais a criança inteligente que eu era. E eu sei, que se esta que fui hoje me visse, me jogaria uma bela de uma bola de lama na cara para que eu acordasse para a vida, e o que ela tem de mais belo ao meu redor, e que eu teimo em ignorar.

  Lorem Krsna de Morais














segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Estouro de pipoca



Minha felicidade é simples: como estouro de pipoca assistindo reprise na tv no fim de tarde, ou quando está passando na rua a sua música favorita, e você não se controla em cantar. 
São destes sentimentos que a vida é feita, genuínos. 
E você precisa sentir para viver, chorar, sorrir, ao menos uma vez se apaixonar, quebrar a cara, se enrolar em uma mentira e mergulhar no mar, seja o azul ou das oportunidades. Uma vida sem sentir, quer seja o lapso frágil de uma felicidade efêmera, ou uma dor que parece não ter fim, mas que passa, não é se viver, é algo que não tem nome, e assim, é como se nem ao menos existisse.

Lorem Krsna


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Lembrando de mim

Faz-me a canção que não para de lembrar,
ou o filme que quer sempre assistir.
Para que mesmo sem querer, de tanto cantar,
vai ficar assim, lembrando de mim.
Lorem Krsna

Pensando

"Há um lugar na minha mente onde às vezes vou. É distante, tranquilo e nada me atinge. Um lugar onde as coisas que não tem sentido, também não tem importância e não podem me ferir. Lá eu posso ser qualquer uma, estar em todo lugar e ainda assim ser quem sou, sem explicações de confrontos ou não. Sem medo. Até que a realidade atinja minha cabeça como um dardo localizado, e eu despenque para a terra.  
Por mais que seja bom, é certo acordar. E fazer o certo é difícil. " 

 

Lorem Krsna



quarta-feira, 30 de maio de 2012

O que aprendi com meus Pais.



“Você não pode ensinar a criança a cuidar de si mesma, a não ser que a deixe tentar por si. Ela cometerá erros e a partir desses erros brotará sua sabedoria.” (Henry Ward Beecher)
Quando eu era criança, meus pais sempre falavam não no que eu seria, mas no que eu poderia ser. Eu não ganhava, eu merecia. Aprendi com eles a respeitar as pessoas, a filtrar conselhos. A ter paciência, mas a nunca baixar a cabeça, pois ninguém é melhor que ninguém, não importa em qual sentido extenso da palavra. Não importa o quanto esteja golpeada, sempre posso dar a volta por cima.
Ensinaram-me a falar na hora certa, e a me calar, pois o silêncio às vezes é o melhor conselheiro e a melhor resposta (e sei que nem sempre sigo isso, minha impetuosidade se sobrepõe a racionalidade). Ensinaram-me a viver entre reis ou a plebe sem perder minha essência e esquecer quem sou,  de onde vim, e para onde vou. E que sempre – Sempre!- haverá alguém que tentará me fazer desviar-me do que quero, e que dependerá de mim, e apenas de mim, saber me defender neste momento a partir da certeza de saber quem sou e de quem busco ser.
Meus pais me ensinaram a diferença entre ter caráter e ter reputação, e a filtrar a críticas, me defender dos golpes, não importa de onde viessem. Para que nunca deixassem ninguém dizer-me que não poderia fazer algo, que não seria capaz, mesmo eles mesmos. E eu cresci tendo plena consciência de minhas capacidades, principalmente de surpreender. 
Fui criança como deveria ser. Brinquei muito, arranhei meu joelho, cai, briguei na escola. Quebrei a cara, fiz amigos, inimigos. Amei, me decepcionei, e vou aprendendo...
Aqui estou eu, pai, mãe, fruto de tudo aquilo que me ensinaram, e da capacidade que me deram de aprender com a vida e no mundo. Sei que nem sempre sigo aquilo que deveria, e aí me serve outro ensinamento: O de levantar depois de errar. Afinal, o erro caminha ao lado da humanidade que carrego em mim, e que há em todos nós. Vocês não tentaram me fazer perfeita, tentaram me fazer descobri que eu sou, e a partir daí encontrar um caminho. E dou Graças a Deus por isso. Perfeição é ilusão. Ilusão causa dor.
Acredito que não estou nem na metade do caminho, e que ainda há muito para todos nós, mas sei que graças a vocês, estou encontrando meu caminho. Faculdade, amigos, decepções, aprendizados. Vou vivendo. Não refazendo os passos que um dia fizeram, mas a base do que me foi passado, criando minhas pegadas. Nem sempre agradeço por isso, pelas pessoas maravilhosas que tive o prazer de ter como guias, não me passando uma ideia ilusória de uma perfeição que não existe, mas que me mostraram os declives e aclives do caminho, e que ninguém acima de mim tem a capacidade de buscar minha maneira de ser feliz!



Lorem Krsna  

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Talvez eu devesse falar...



Eu queria te dizer alguma coisa. E eu sei que devia falar. Falar talvez desta saudade que eu sinto, de cada palavra mal colocado e que me fazia bem. Falar desta dor que hoje eu senti sem explicação, o do quanto me desfiz neste ultimo ano. Um fantasma do que eu era por dentro, mas por fora eu estive sempre bem. E então? O que é mais importante? 
Talvez eu falasse tudo o que guardei, e gritasse para o mundo que um dia eu chorei sim uma perda. E que a culpa foi minha.
Falaria do violão que deixei parado, da músicas que nunca mais ouvi. E daquelas frases de auto-ajuda que não ajudam em nada a não me mostrar aquilo que eu  sabia sem querer.
Ou então eu devesse falar somente da chuva que passa, do frio que eu sinto, da faculdade, dos amigos. E a gente se sentava no barzinho, ouvindo o som do violão e te pediria para falar um pouco da sua vida atual, ou então so absorver o silêncio.
No fim das contas eu só queria você por perto, nem que fosse só por mais um dia em minha vida e nada mais.

Lorem Krsna

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O infinito que recai em meus dias

Há em mim uma tristeza sem nome, que vem sorrateira, certeira e fica aqui. Não sei de onde, nem por que de repente, tão somente, é tudo que há em mim.
E há este nome já impronunciável. Rostos que tento esquecer e que ainda assim sei que tomarão o resto de meus dias.
E há uma dor mansa, uma melancolia franca e uma alegria escassa. Tudo pulsa na solidão de meus dias, enquanto meu sorriso de fachada vem me machucando tanto. E por fora, nessas amenidades tolas e saídas espirituosas e no fim tão inúteis só digo que estou sempre bem.
Dentro, é onde tudo se complica, onde nada me alcança, onde cada pensamento, mesmo as mais afiadas facas de culpa continuam a me ameaçar quando me vejo só. E mesmo assim, só é como sempre acabo querendo estar. Só é quando esta dor mansa vem e ocupa tantas ausências, que desenterra tantas lembranças. Que jogam meus erros tolos em minha face, que não implora para que parem.
E ainda assim, eu tento ficar bem hoje, somente hoje. O amanhã parece longe demais. Só quero sobreviver a cada dia, a cada noite em que meus sonhos me perturbam e acordo na calada da noite sem saber ao certo onde estou. E só esta ausência pega em minha mão e me coloca para dormir, me impulsiona e me manda seguir sempre em frente.
Só esta dor me diz que não pode ser pior, mesmo eu sabendo que pode.
Mesmo eu sabendo que já faz tempo que não tenho medo, só letargia.
Que já faz tempo que não sinto nada senão este vento que passa frio por estas velhas cicatrizes que herdei dentro de mim.
Eu quero que mintam, e digam que tudo acaba bem logo, mesmo eu sempre sabendo que ainda há tanto para acontecer. Os dados ainda rolam, e não sei onde minha sorte anda nesta vida a fora. E ainda assim, meus olhos pedem que mintam. E mentem, mas isso em nada me alivia.
E ainda assim, estou sempre bem. Continuo sorrindo pelas mesmas coisas amenas. ainda procuro um certo olhar dentro de tantos outros, ainda em vão... E vou vivendo.
E essa tristeza, tão minha, já não posso ser sem ela. Já faz parte do canto do meu olho, tão escondida em cada frase pronta e petulância disfarçada. E essa solidão tão pulsante, já recai doce sobre minha fronte e se resvala para além de onde eu posso já sentir, tão somente no infinito dos meus dias, já tão perto, mas tão longe de onde eu posso alcançar.

Lorem Krsna


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Nossa Velha infância...

Éramos crianças, e as coisas eram fáceis.
Não haviam variáveis.Não haviam meias-palavras. O coração não era tão incontrolável, a alma não era tão cheia de queixumes. Os problemas se iam com o primeiro banho de chuva na rua, em meio a lama e as risadas.
Erámos somente nós mesmos, sem precisar decifrar incógnitas de uma equação tão destrutiva. Não havia pretextos ou sentimentos encobertos. Falávamos sem pensar demais, e as mágoas só duravam até a próxima piada e gargalhada.
Não haviam terceiros a qual temíamos machucar.
Éramos crianças, sim, e os donos da rua, da lua e de tudo. Ríamos fácil, e não havia o porquê esconder o que sentíamos. As amizades eram rápidas, intensas. As palavras não magoavam tanto, não significavam tudo além de um abraço e uma mão na hora da queda. Não procurávamos mensagens escondidas no cotidiano de um bom-dia, nem pretextos por trás de ações...
E hoje, pergunto-me então, se éramos donos do mundo, de onde surgiu este abismo que nos parte?
A lua não cabe mais na mão, nem a rua é mais nosso reino.
Os inimigos não são mais de mentira, e nossas espadas estão enferrujando no baú dos sonhos. O corcel já é manco, e as verdades poeirentas, são varridas para o tapete do bom comportamento.
Que saudades de uma corrida na chuva, pés descalços, bebendo a alegria e euforia. Bebendo a presença suja de lama e de imaginação.
Saudades de falar um bom impropério, sem importar-me com o que dirão de minha educação. De meu riso fácil, e do choro que era tão normal, sem a vergonha, sem a sufocação do peito que parece bater de um modo tão louco e por nada... e por nada.
Sinto falta da inocência regada com a esperteza que tínhamos tão bem.
Mas tudo passou... queríamos tanto crescer, sair do útero confortável mas por vezes restritor da infância, para descobrir que somos jogados, afogados em uma liberdade que nos prende como algemas, que nos sufoca com responsabilidades por vezes temidas serem além do que podemos carregar... mas que ainda assim levamos.
Descobrirmos uma passagem para ser um ser estranho chamado adulto, que não sabe o que sente, se sabe não diz, se diz não demonstra, e quando demonstra é taxado de nomes estranhos... passional, inconsequênte, ingénuo... perigoso.
Somos postos em lugares em que não nos encaixamos, mais ainda assim lá permanecemos, atritando nas beiradas de um quebra-cabeça errado, por temer não encontrar o certo... por temer achar o certo.
E mentir não é mais criar uma história de imaginação... mentir é mal. Mentimos para ganhar, para machucar... por mentir.
Falar a verdade é descortesia, e por vezes machuca mais do que uma mentira.
Omitir-se é o que muitos fazem, e ainda assim é covardia... quando é o outro que o faz, claro.
É sempre o outro, por mais que sejamos nós.
Chorar é fazer papel de bobo, sorrir sem motivo (isso mesmo, tem que ter motivo!), é atestar a falta de sanidade.
Se andar na chuva vai ter resfriado.
E a mágoa... ah, a mágoa! Companheira fiel.
Os adultos sentem mágoa por coisas que fizeram, que não fizeram... que acharam que fizeram, que o outro fez e ele não, que o outro não fez...
Chega!
E ainda tem aquele "troço" que a gente sentia, mas que não precisava de tantas definições.
Aquele tal de amor. Que era o querer estar com alguém, brincar junto, derrubar, xingar para depois sentir saudades.
Ou então aquela calorzinho gostoso do colo de pai e mãe, e a implicância de irmãos, que podem até falar mal da gente, mas que brigavam com qualquer um que ousasse fazer o mesmo.
O tal do coração acelerado e o suor nas mãos, do rosto de pimenta... do ter raiva de alguém por que gostava demais.
Isso tem nome, e vejam só... regras!
Quando regram sentimentos... é que há mesmo algo de errado.
Tínhamos que crescer, enfim. Uma pena, mas preciso...
Éramos crianças... era bom. Crescemos, e lá estamos nós, sem cavalos brancos e torres. Sem espadas.
Não somos mais princesas, feiticeiras, exploradoras, cavaleiros, Merlins...
Somos grandes. Quem diria. Mas nunca tão grandes quanto quando éramos menores.

O que nos resta então, a não ser buscar aquele ser que escondemos tão bem aqui dentro? Ser adulto...deixando que as vezes aquela criança aflore de dentro do baú em que esteve sufocado embaixo de tantas dúvidas inúteis.
E abraçar essa coisa engraçada e louca que definem como vida.


Lorem Krsna

Vasculhe

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