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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

O quadro e a parede



Para os que me perguntam - repetidamente - sobre meus relacionamentos (a ausência de um na verdade).

“As pessoas vão a sua casa e perguntam porque você não tem um quadro na sua parede. Afinal, toda parede precisa de um quadro. Sem um ela fica vazia, fica estranha. Não são aceitas paredes sem quadros.
Você gosta da sua parede sem quadros, acha que ela fica bonita sem um. Com espaço, limpa, descomplicada.
Ainda assim você vai para uma exposição de arte. E durante sua visita, você consegue admirar a beleza dos quadros. Suas cores, suas formas, suas vibrações. Você fala o quanto eles são belos para a pessoa ao lado, pergunta-se o que o criador pensou naquele momento. No entanto, quando pensa no quadro na parede da sua casa, você percebe que por mais belo que ele seja, não combina com a pintura ou com os móveis. 
Não...não exatamente com a pintura e os móveis, é um belo quadro, você pode mudar o ambiente por ele, se quiser. Na verdade o quadro não combina com você.  Você não sente vontade de levá-lo.
Você vai a outras galerias, buscando aquele quadro que vai combinar com sua parede, com você. Nunca encontra. Vibrante demais, obscuro demais. Esse outro você teria que mudar toda a casa que você adora. Esse outro ocuparia espaço demais.
Há uma parte de você que admira a beleza deles, mas é uma beleza sem significado realmente. E você não quer algo sem significado na parede da sua casa, que você tanto gosta.
No fim você volta para casa sem quadro algum. Abre a porta, joga as chaves na mesa, encara sua parede e no que as pessoas veem vazio, para você há um espaço em branco repleto de possibilidades. Você gosta de pensar olhando para aquela parede. Ela combina com sua personalidade. É sua parede. Você faz o que quiser com ela.
Se não quer um quadro, não vai colocar lá só para que os outros sintam-se mais à vontade quando lhe visitam. Não faz sentido nenhum.
Sua parede.”

 Lorem Morais

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domingo, 24 de março de 2013

Saudade crônica





Às vezes me sinto cansada, velha, solitária e em dúvida demais.
Nada a que me apego, pode retribuir, e por isso aprendi a não esperar demais, e ainda assim, por vezes espero. Espero enquanto me sento na calçada no fim de tarde e vejo como o dia acaba em estranha e bela melancolia, com um café ou um chá a descansar na mesa, ao lado de um livro, ao som de uma música, e repleto de pensamentos tortos e saudades meio vagas...
E eu sei que por mais que a mente obrigue, nunca vai deixar de ser diferente. E até mesmo essa tristeza solitária me faz me sentir bem, como se a plenitude de um sentimento completo me deixasse presa a estranha sensação de alcançar a linha de chegada, e não ver nada a frente. Por que sou sempre eu que gosto mais, que sinto mais...E ainda assim a que termina vazia.
Nada consegue durar tempo demais em mim, pois vem com tanta intensidade que depois se apaga, mas não morre de fato. Talvez por isso sofro de saudade crônica de tudo que vivo deixando para trás. E vivo esperando o que não vem, pois já se foi há muito tempo.

Lorem Krsna 



sábado, 23 de março de 2013

Acorde-me

Acorde-me.
Levante-me com um beijo ou uma palavra que recria tudo o que sufocou durante os anos. O tempo passou meu bem. e nos passou para trás.
O dia é outro, o ano é outro, e o conto é outro. A bela adormecida apenas descansa quem  é de fato dentro de si mesma. Ou talvez aquela parte que dormiu nunca acorde. Nem com beijos, nem com palavras. O negócio é manter o que ainda há para ser mantido. E por vezes, as palavras podem manter acordados os sonhos muito mais do que um café forte, ou um gole de vodka em uma noite fria...
Então vamos falar, e quem sabe o dia não amanheça, a tarde não passe, a noite não venha, o tempo pare, o frio suma com o calor dos olhos, e fique aquela sensação quente de confortável que a gente acredita que não existe, mas essas coisas existem.
Elas são reais.
Não são contos, nem tão poucos acontecem como neles foi escrito. Somos falhos, desastrados, arrogantes, mas somos o que somos, e o que temos dentro de nós: sonhos, amores e fé.
E isso nos redime. Por isso talvez a bela adormecida espere. Não deitada inútil e rodeado por teias de aranha e planos.
Mas de pé, a encarar-te nos olhos atua espera. E para esta findar, basta uma palavra. Uma palavra para mudar toda a história. 
Lorem Krsna

domingo, 3 de março de 2013

Só talvez

Fonte

Ok! Talvez eu tenha sentido sua falta mais do que diria, do que o tempo permitiria, e que caberia em uma vida. Sabe, um pouquinho todo tempo, de modo ligeiro, rasteiro...
Talvez eu tenha me pegado rindo pensando em você, de vez em quando e sempre. Pensando no que diria naquele instante, em suas frases absurdas que me tiravam do sério.
Talvez eu tenha gostado mesmo de você, e esse seja o motivo da melancolia, o nome bonito de dizer que sinto sua falta e isso me deixa triste, amuada, e que as vezes, por isso, não consigo estar perto de ninguém, por que ninguém é você...
Lorem Krsna

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mudar



" Detesto mudanças, mas necessito delas como necessito de oxigênio. Na verdade, nasci com alta capacidade para dar adeus as coisas, mas ao mesmo tempo ando com o passado, como se minha vida fosse um depósito de velharias, nos gostos, nos gestos, na maneira de falar. Mas chega um momento que é a hora de jogar o lixo das gavetas, rasgar as fotos, as cartas e saber o momento de se despedir, e quando o faço, não olho para trás, é Shift+ del e já era.
E para ser sincera, ando pensando se isso é algo bom. Se não seria saudável chorar nas depedidas, atender a velhos telefonemas, dar um sinal de fumaça para o que já foi, sei lá. Mas atualmente, quando penso em passado, parece uma vida inteira que passou e que não tem mais sentido remexer...
É hora de mudar. Detesto mudanças. Mas é hora de mudar. "
Lorem Krsna

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Défaut



Perdoar, eu posso até tentar. Faz bem para a alma, descarregar todo o peso destas coisas tão tolas e infantis. Mas perdoar não é esquecer.
Perdoar não é dizer que tudo vai ser igual. Não é como se pudêssemos, sei lá, passar uma borracha, rasgar a folha ou virar a página. Dizer que deixou para lá e que tudo bem até vai, mas só da boca para fora. 
Perdoar, eu sou capaz de perdoar.
Mas não de esquecer.

Lorem Krsna

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Não estamos sós



Todo mundo precisa de alguém. De uma palavra amiga, um cafuné, ou um bom "passa fora" quando necessário. Todo mundo precisa de um aconchego, uma tarde de domingo com pipoca e um filme bom no sofá, com direito a muitas risadas gostosas, ou um sorriso amigo quando chegar em casa depois de um dia daqueles.
Todo mundo precisa de alguém para estar junto, um amigo, um confissor, um piadista irreverente... Mas nem tudo mundo sabe que precisa. E estão incompletos, achando que o frio é normal por que não sabem do calorzinho bom que se sente ao olhar nos olhos de alguém em quem se confia, em que você sabe que pode falar as maiores bobagens sem medo. Por que de vez em quando eu também pensava que estava completa por mim só, tão auto suficiente, cheia de mim. Mas só para cair e descobrir que logo eu, eu que sempre tentei tanto ser por mim, preciso de alguém para completar cada ciclo...
Eu sou fraca sozinha, talvez repleta de palavras e atrevimento, mas tão cheia de buracos, que essa porosidade me faz friável e quebradiça...

Lorem Krsna

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Laços que se partem

    

Houve um tempo em que desacreditei em laços fortes o suficiente que pudessem me fazer mudar. Não sei quando comecei. Apenas me vi perdida, me jogando em nada. Ficar sozinha sempre foi menos doloroso do que ter e perder.
Quando se arrebenta um laço, você é que se parte. E eu parti a maioria destes laços, ao ponto de esquecer como um dia fui inteira. Sei lá, talvez eu não tenha mais jeito.
De repente, fui ficando boa demais em me afastar, sem demonstrar abertamente nenhum remorso ou culpa.
Mas então você começa a entender que ficar boa em algo ruim, não parece tão bom.
Lorem Krsna

segunda-feira, 16 de maio de 2011

E por falar em amor...

Estava assistindo a um episódio do seriado Dr. House noite passada quando ouvi Dr. Foremam falar algo a House que me deixou realmente intrigada:
" A maioria dos caras que não estão interessados em uma mulher tentam ser gentis." (1° temporada, episódio 19 "crianças")
Bem, com esta simples observação eu viajei (o que não é nenhuma surpresa, na verdade), e pensei muito sobre este aspecto. Se quando um homem não está interessado ele é gentil, quando está ele é irritante e cretino? (Falo não dos homens em geral, obviamente.).
Fica confuso. Certo que as mulheres em sua maioria são bem mais capazes de ler as entrelinhas, e na maioria das situações sentimentais elas se mostram mesmo um passo a frente apesar de tão tachadas de passionais, mas não há mal nenhum em tornar as coisas um pouco mais fáceis de vez em quando. "Eu gosto dela, logo ela não pode perceber ou vai tentar me dominar através deste sentimento? "
Eu não sou homem (apesar de muitos ainda confundirem Lorem como um nome masculino. Vejam a foto, pelo amor de Deus!), logo estou formulando suposições. Mas tenho dois irmãos, sendo mais próxima de um deles do que de qualquer um, e tenho também como melhor amigo um garoto, além de conviver com vários colegas, então eu posso ao menos ter alguma ideia... 
E cheguei a conclusão que os homens, apesar de em muitos aspectos serem tão objetivos e diretos, em relação aos sentimentos eles podem sim ser muito enrolados!
Quando éramos crianças isso até que era bem óbvio em muitos meninos: "Se você gosta de um menina, puxe seu cabelo, a irrite, diga que é feia."
Quando você entra na adolescência isso se torna mais delicado. Não que muitos ainda não nos irritem (risos), mas começa a imperar outro pensamento: Se se sente atraído, demonstre, ou outro demonstrará e então... já era. Competição. Lindo... aff.
Bem, o que venho percebendo é que a grande maioria dos homens tem medo de gostar de verdade de uma garota, e acabarem perdendo o controle de suas vidas. Por que para um homem é tão mais difícil admitir que está namorando com alguém? Que está amando alguém? Que está confuso em relação ao seu sentimento?
Por que boa parte dos homens quando começam a se  interessar para valer tem medo de assumir, e muitos mesmo se afastam abruptamente quando começam a perder o controle da situação.
Então, eles são gentis se não estão interessados e ignoram se passam a amar?
 E nós mulheres que enrolamos tudo não é? (risos)
Há excessões, como tudo na vida. Conheço caras que estão muito bem resolvidos em suas vidas sentimentais. Alguns tem a certeza que acharam a garota certa e não temem admitir o seu amor e vulnerabilidade.
Outros não acharam "aquela pessoa", e então procuram em jardins inteiros o que bastaria em uma única rosa...
O ruim, são os espinhos, claro.
Recentemente passei a me interessar por alguém, mas diante de sua inerente confusão de sentimentos tive mesmo receio de me aproximar. Como eu disse, as mulheres sabem mesmo ler as entrelinhas, mas sou um excessão (podem rir), Caras confusos tem um certo charme, mas só na televisão. Indecisão não é algo que me chame a atenção em alguém. Não gosto de talvez, ou metade. É inteiro, ou não me cabe.
Acho que observo melhor aos demais, deve ser como ter uma tesoura e optar entre cortar o cabelo da pessoa ao lado ou o seu. Nunca irá cortar o próprio cabelo sozinha melhor do que como cortaria o de outra pessoa.
Bom, para findar eu digo aos homens que lerem este texto : Sejam decididos. Se gostam de alguém, e acham que vale realmente a pena, falem isso antes que seja realmente tarde. Nenhuma mulher hoje em dia irá esperar para sempre por alguém que não sabe o que quer de verdade. Seja gentil sim, mas direto. Não dê falsas esperanças. Uma ilusão pode ser bela, mas quando bate a realidade ela não é amável com ninguém. É melhor uma pequena decepção do um tempo precioso perdido, que é algo tão escasso, e com algo que não vai levar lugar nenhum. Mulheres querem amor, não migalhas.
Cuidado com o que você faz, lidar com os sentimentos dos outros é algo delicado e não deve ser levado na brincadeira, pois a maioria dos caras que eu conheço que viam a vida com este pensamento acabaram com o coração pisado por um salto 15 bem afiado.

A vida não é perfeita, e o amor muito menos. As vezes quem você acha que ama, e que não gosta de você, definitivamente não é mesmo o alguém da sua vida, por isso antes de amar alguém você deve mesmo amar a si mesmo, quem não ama a si mesmo não é capaz de amar a ninguém, e isso vale para homens e mulheres. Quem um dia já de decepcionou sabe bem do que falo...
E se não passou por isso, tranquilize-se, ainda vai passar. É o mal de se idealizar algo ou alguém, pois ninguém é mesmo igual a o que a gente pensa quando esta apaixonada.
E como diz Dr. Foremam: "Algumas relações não foram feitas para durar".


Lorem Krsna

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Não sei te dizer amor

Não sei dizer que te amo. Simplesmente não me é possível. Sou um ser falho... algo que foi quebrado, e que mesmo que seja reparado nunca será inteira. Nunca será como um dia fora.
Não sei explicar toda essa verdade que se camufla em mim, e nem ao menos falar sem antes pensar e repensar nas possíbilidades de respostas. Sou estupidamente racional, quando no intimo quero mandar toda essa razão para os ares. Não sou uma enxadrista da vida, pessoas não são peças. E tão pouco desejo ser peão nas mãos de ninguém. Não quero analisar respostas e ações, sabendo que quando tudo tem que dar errado, não há estratégia que me ajude, e no entanto, cá estou eu, lutando com as palavras novamente racionais para falar de algo que deveria passar longe disso... Que não quero manchar com meus pretextos falsos e meu jeito desajeitado de falar o que sinto agora.
Eu quero...
Quero que minha verdade seja carícia, e não espada.
Habita, desabita e corrói os sentimentos aprisionados em minha teia de razões. Quero ao menos um dia agir sem importar-me com consequências. Quero perder a razão em alguma peleja, e o controle e comportamento em alguma situação. Voltar a ser criança, onde era tão mais simples falar do quê sentia e pensava, e as únicas preocupações sumiam ao amanhecer do dia caloroso.
Não quero ouvir que não sei te chamar amor, quando não entendo a que me levará esta palavra. Fico cansada do mesmo tom... não mentirei ao dizer que o eterno me atraí, o para sempre me deixa de pernas bambas.
Quero o intenso... o eterno é monotóno.
Quero que me veja humana, nos meus piores dias e culpas, e ainda assim me queira...
Sou falha, já lhe disse. Procuro uma cola boa o bastante para consertar um coração partido, mas não a encontro em nenhuma loja por aí.
Não vivo de mentiras, e minhas verdades machucam demais. Há momentos que quero tudo que me foi tirado, esquecer o vento que me arrepia no frio da noite ao passar por feridas que o tempo não curou sozinho.
Ou então um abraço somente, sem promessas que não possam ser cumpridas, sem a possibilidade de um novo ferimento, um novo vazio ainda maior quando for embora e me deixar só.
E sobrar só minha razão e a vontade esmagada no peito de três palavras que não disse quando você se foi.

Lorem Krsna

domingo, 21 de novembro de 2010

Há um mal chamado ausência

Há uma mal chamada ausência. E quando ele me toma me encho de saudades. Ele fica assim, nas bordas deste buraco que se cria no meio peito, e que dá passagem ao vento uivante nas calçadas.
Ele me toma na alta madrugada, como um frio no qual nenhum cobertor faz efeito. É desassossego na alma, um ritmo diferente no peito, uma ferida aberta demais, que esconde-se na face de uma cicatriz exposta. Está em meu rosto, em minha voz, no que ouço, leio ou vejo. Está em tudo o que toco, mas não posso vê-lo.
Ele esta em frente ao meu espelho pela manhã, ou quando me perco em meio à multidão. Tento suprimi-lo. Tento tocá-lo, mas ele se esgueira em minha sombra, se alimenta de lembranças e faltas.
E enxergo-me através desse espelho de água, tentando ver algo além destes olhos tristes e do cabelo de cachos que esvoaçam em meus olhos. E ele está lá, em meu rosto, no banco vazio ao meu lado e nas portas que batem em meu peito, como se os ventos que se esgueiram pela ferida exposta em mim brincassem de serem meus fantasmas, assombrando tantos fatos dos quais queria esquecer e que me acordam na calada da noite, suada e sem saber onde estou ao certo.
Queria eu uma cura que não me ferisse mais. Algo além do que habita em meus pensamentos, em palavras e sentimentos que estão em mim, e que há muito desisti de decifrar. Queria ter coragem de falar do que mal entendo, ou simplesmente não tentar entender, e só sentir, sem buscar explicações e culpados. Seria o alívio deste mal que me consome em silêncio na calada da madrugada que segue. Não precisar colocar a mão em vão no peito quando ardem as feridas que lá estão, onde tentei em vão colar os pedaços que quebrei em mim.
Lorem krsna

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