sábado, 13 de maio de 2017

Ma


Estou me esforçando nos estudos, e traçando os planos da vida. Tento ser tolerante, sem permitir que ninguém passe por cima de mim. Respeito os mais experientes. Tento não ler com a luz fraca. Não estou deixando minha felicidade depender de ninguém além de mim mesma. Aprendi a expressar gratidão e a ser mais paciente com a vida. Não sou mais cabeça quente, milagres acontecem. 
Ainda tenho meus ataques de ansiedade, de querer engolir tudo de uma vez. Ainda internalizo. Acho que não vou montar a família que pensava, mas  sou feliz desse jeito, como se a mim me bastasse. Tinha razão nisso, pareço mesmo o tipo de pessoa que vai ser mais feliz sozinha.
Ainda sou  viciada em café e meu humor é tão duvidoso quanto pelo meu gosto por filmes. Ainda odeio comer verduras e não sei cuidar de uma planta. Não almoço todo dia, odeio cozinhar só pra mim. Ainda demoro pra pedir ajuda, achando que vou conseguir resolver, mas estou tentando mudar isso. Não tenho muitos amigos, mas tenho amigos muito bons. E tem gente que me aceita, mesmo sendo tão antipática.
Levei umas pancadinhas ou outras nos últimos tempos, mas vou indo bem. Não perdi a certeza de quem eu sou, e me esforço muito pra não acreditar quando alguém diz que não vou conseguir e que não sou boa o bastante. As vezes escorrego, são meus dias ruins. Tem alguns desses, e parece que não consigo respirar direito quando saio de casa.
Tem dias que nem saio de casa.
Tem outros que acordo cantando queen e abba.
Vou fazer meu tão necessário check-up. Logo.
Não rezo todos os dias antes de dormir. Tem dia que nem durmo.
Estou me esforçando pra ser alguém de quem teria orgulho, e de quem eu mesma teria orgulho.
Queria muito você aqui no dia da minha formatura.
Queria muito você quando eu conseguisse meu primeiro emprego.
Queria que visse o nosso café que vou abrir ainda. Sei que iria gostar.
Comi naquela padaria que tanto gostava essa semana. Perguntaram por você.
Seus netos estão crescendo. Tem outro à caminho. Todo mundo montando sua família. 
Os natais não são mais os mesmos. Você faz falta.
Sou uma adulta agora. Ou quase. Do tipo que cuida bem das finanças, mas não cuida tão bem de si mesma. Mas sobrevivo, e me adapto. E vou passando por cima das coisas ruins. Me agarrando, e me soltando. Mirando no diploma, mirando no mestrado. Naquele concurso da polícia. Lembra como falava disso, sempre? Não mudei de ideia não. Sou aquela sua teimosa de sempre, isso nunca mudou. 
Afinal, sou como a minha mãe.

Um comentário:

  1. Lorem, sou uma grande admiradora sua, conheci seu blog por acaso e depois fizemos amizade no Facebook... ja faz algum tempo mas acabei excluindo a conta e perdemos o contato. Se você me puder passar seu e-mail, me identifico por lá, para que possamos conversar um pouco mais sobre a vida e poesia.
    Um abraço,
    Fabiola.

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