sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014


indiferente



“Me diga que está triste, eu consolo. Me diga que nunca foi tão feliz, eu concordo. Me ame ou me odeie. Me mande pra puta-que-o-pariu ou me convide pra ir com você. Exploda na minha cara ou se derreta na minha mão. Deixa eu te ver morrendo de tanto rir ou com vergonha das olheiras de tanto chorar. Só não me esconda o rosto. Me abrace, me esmurre, me lamba ou me empurre. Só não me balance os ombros. Não me perturba assistir tua dor nem acompanhar teu gás. Te ver mais ou menos realmente me incomoda. Mais ou menos não rende papo, não faz inverno nem verão, não exige uma longa explicação. É melhor estar alegre ou estar triste, mais ou menos é a pior coisa que existe.”

— Gabito Nunes

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

demodé



Não é exagero. Se eu descubro alguém que enxerga essas mesmas nuances que ora me encantam, ora me assombram, o tempo que passo em conversas nunca pode ser um tempo perdido...
Do mesmo modo, eu irei mesmo me encantar pelos pequenos detalhes. Vou atender telefonemas (quem me conhece, sabe que está entre meus defeitos maiores as ligações perdidas por falta de atenção) e passar um longo tempo em conversas. E isso, já é uma prova de que me sinto bem conversando com você, não costumo fazer coisas que não me sinto a vontade. Se fico voando em conversas que me interessam, imagine nas que não quero ouvir...
Se você realmente me enxerga, e eu enxergo você, mesmo sendo diferente, meio torto, meio estranho. Mesmo que para o resto do mundo, tenha um parafuso fora do lugar, se eu realmente te ver, você não vai sair da frente dos meus olhos, do meu circulo e das minhas conversas malucas.
Nem sempre irão enxergar conexões. Podemos parecer um tanto diferentes, mas vamos ver, nos realmente vamos ver que temos aquela mesma linha de cor diferente que nos liga a algo. Será aquele livro meio desconhecido, ou a música demodé. Ou mesmo o romantismo fora de moda, fora de tempo. Quem sabe o azar e as trapalhadas pelo caminho. Sei lá.
Vai ser apenas uma conversa em que não vou ter que fingir que estou sorrindo. Que não vou querer sair correndo, ou beber para que ela me pareça interessante. Conversas de horas inteiras, sem parar, ouvindo, falando...
Queria mesmo eu encontrar mais pessoas assim. Por que as que tenho por perto me fazem bem. Aqui, do outro lado do mundo. Por telefone, ou a cores.
São elas que me fazem bem:)

Lorem Krsna 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Espécime



E chega aquele momento louco que você tem um medo danada quando as coisas começam a dar certo. E dai, eu fico olhando para os lados esperando alguém dizer que é uma piada ou sei lá...
Tudo bem, isso soa um tanto quanto pessimista demais. Mas sabe aquele tipo de pessoa que já experimentou a mudança brusca de um momento feliz demais e uma rasteira bem federal? Pois é, sou umas dessas espécimes, que acabam ficando meio desconfiadas. Me sinto por vezes até com essas reservas, mesmo que queira de fato aproveitar essas coisas boas que acontecem, mas sempre vem a vozinha do "E quanto isso vai durar...".
Pois é, nada dura para sempre. Nada dura muito, e eu sei que tenho que aproveitar, mas sabe aquele tipinho racional demais, que fica antevendo as jogadas...Sou um espécime também. Bem chato. E então, as vezes saber que a queda vem, acaba me anulando, me paralisando... Eu tenho um medo danado na felicidade, e a quero, mesmo sabendo que ela não passa de momentos. E os momentos vem e tenho o medo do que vem depois e depois. Eu tenho medo demais da tristeza também. Só quem já chorou uma noite inteira sabe o quanto você fica com reservas. 
Eu não posso dizer que chorei por um coração quebrado, nem sei se um dia quebraram o meu. Mas eu já chorei de saudade. Eu já chorei por outras pessoas, por elas sofrerem caladas. Eu já me senti imensamente triste apenas por um dia de chuva, por me lembrar de tanta coisa... Já me senti triste por ouvir a voz triste de alguém que amo. Eu já vi tudo. Assim como já chorei de rir, já vivi coisas plenas, já me senti parte de um todo. Eu já vivi coisas memoráveis.
Talvez, não seja medo da felicidade então. Seja medo de saber que ela não fica. Que é vadia na vida, fica com uns, vai embora, fica com outros, sem deixar bilhete, por vezes só saudade. A tristeza sim, essa não pode receber um abraço que pensa que pode ficar, assumir relacionamento. Enxerida, metida demais. Ela sempre fica, por que ela sempre tem poder nas pequenas coisas. Um cheiro pode te lembrar de algo para te fazer sorrir, mas uma simples lembrança pode te fazer chorar. E isso é tão louco e sem sentido...
Então, hoje eu estou feliz. Amanhã, ou mesmo mais tarde, vou estar me remoendo de um jeito estúpido em auto-piedade. Sou dramática. 
Sou essa espécime também.

Lorem Krsna

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014


Transborda


Engraçado, que de repente bate aquela saudade tão grande, uma palavrinha a toa e você já está lembrando, pois é quando a saudade bate, que a pessoa fica mais presente. Acho que é isso de presença ausente, ou ausência presente. Ou é só a falta de alguém (ou alguéns...) que é tão forte, que você fica vendo em todas as coisas. Daí árvore não é apenas árvore, aquele colar velho, é o maior tesouro do mundo. Aquele livro, aquela música... Tudo é tão intenso, que te puxa, que te conecta a momentos. E é tudo tão de repente, que sua alma transborda, e sem querer, mesmo que não fisicamente, você chora.
Lorem Krsna
By Lorem Krsna
Byron Bay, Austrália, 2014

Writer

By Natã Cavalcante, meu melhor amigo, para euzinha :)


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Ver


“Do que eu tenho medo? Deixa eu ver. Sei lá, de repente de chegar um dia e ver que foi tudo em vão, que não valeu a pena, cada gesto ou cada ação, cada investimento e concessão. Eu tenho medo de um dia acordar e sentir que acabou.”Gabito Nunes

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Distance



Esse negócio que as coisas não mudam com a distância não existe. As coisas mudam sempre, toda hora, todo segundo. Você nunca vai ver a mesma coisa, ser a mesma coisa. A distância, o tempo, e as ações entre eles, tudo muda as pessoas, os lugares, os sentimentos.
Como muda, já é uma questão diferente. 
Mas isso de 'nada vai mudar' não chega nem a ser uma piada, na verdade é uma ilusão. 
As pessoas mudam, e as pessoas fazem as coisas acontecerem, logo essas coisas mudam. É para ser simples.
E não falo apenas da distância física. Uma pessoa pode estar a seu lado, e estar longe demais. Você a via todo dia, passa a vê-la esporadicamente, e um dia ela some da sua vida, mesmo estando lá. Por isso existem amizades e amores de temporadas. E o engraçado, é que  nunca temos garantias de quantas temporadas tudo irá durar. Não temos noção exata do quanto as pessoas realmente se gravam em nossos corações. Aquela pessoa que hoje você vê todo dia, conta tantas coisas, ri por tudo, em anos, pode se tornar um estranho, mais alguém que mudou e se foi com uma temporada. E então, quem você menos esperava, vai estar lá. 
Eu vou estar tanto tempo longe, e não sei o que vai me esperar quando voltar. Apenas sei, que nada vai estar igual. Algumas pessoas, já sei que não estarão lá. Outras, pressinto que estarão lá, mesmo estando longe. Outras, tenho certeza que por mais que tudo mude, que elas mudem, irão  estar presentes em cada temporada, como sempre estiveram. Diferentes, novos cortes, novas cores, mas serão elas. Algumas, não fisicamente. Outras, logo sei que não passarão de estranhos. As temporadas foram, e eles se foram com as suas em novas vidas.
E isso é tão peculiar. Triste até. Você não saber o que, ou quem estará sempre esperando por você. Tendo apenas vagas ideias. Apenas tendo a certeza da constante mudança. Apenas sabendo que que o amor, amizade, sentimentos, laços são maleáveis e se esticam e se transformam, mas dependendo da distância (nem sempre física), eles podem mesmo arrebentar sem volta alguma,sem chance alguma de reconstituição de como um dia foram.

Lorem Krsna    
(Da tua retina)


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

The last five weeks



Eu fiz um teste ontem, a pergunta era sobre experiências nas últimas semanas. Eu tinha exatamente uma hora para colocar em palavras em inglês, algo que valesse a pena. Eu pensei bastante até. Aconteceram muitas coisas nas últimas semanas sabe. Coisas engraçadas, coisas malucas. Coisas que valeriam a pena passar para o papel, fáceis de escrever, que me ajudariam em meu vocabulário em inglês. Mas no fim das contas, não sei nem se fugindo do tema proposto, eu coloquei que minha mais importante experiência das últimas cinco semanas deste ano que começou, foi aprender a importância das palavras.
Talvez tenha sido um começo confuso, mas foi a verdade. Quando você percebe que quis tanto falar algo a alguma pessoa e não vai ter mais a chance, você percebe isso. Eu sempre amei escrever, mas apenas depois que perdi minha mãe, eu percebi que não entendia nada sobre palavras. Sobre o quanto vale você falar o que sente, naquele momento. Responder um eu te amo, ou mesmo falar. E eu queria ter falado tanto para ela, tanta coisa. E quando eu percebo que não posso mais, eu vejo o quanto toda a minha desenvoltura em escrever não me serve de nada. Por que ela não vai ler isso, não vai ouvir o que tenho a dizer. Por que ela não vai estar aqui. E se antes minha resposta sobre se eu pudesse voltar apenas um dia na minha vida era nenhum, eu percebo que hoje seriam vários, mas que de nada servem, por que não posso.
E eu aprendi sobre palavras, por que eu hoje sei pedir ajuda. Sei que não sou a super foda que não precisa contar sobre seus problemas, que aguenta tudo sozinha. Eu aprendi que preciso falar, que eu preciso cuspir, vomitar, gritar o que me sufoca, por mais que seja tão difícil, doloroso, eu estou realmente tentando agora, eu realmente tento de verdade falar, ouvir. Mesmo que por vezes minha dor pareça particular demais para ser dividida, eu sei que agora, palavras não são apenas escritas, elas necessitam, imploram, choram para serem libertadas verbalmente, em alto e bom som, ou até mesmo um sussurro.
Eu não viajei para dezenas de lugares, eu não vivi altas aventuras, apenas uma ou outra. Eu tive experiÊncias boas, más, tristes, malucas. Mas nenhuma foi tão importante quanto essa, por dentro de mim mesma, por toda a ausência, e por tudo que me deixa acordada a noite. Nada foi mais grandioso do que esse aprendizado, que por mais que já tivesse ouvido, nunca havia me batido tão forte:  fale, apenas fale tudo. Apenas diga o que sente, a pessoa que ama. Apenas agradeça por tudo, todos os dias. Abrace, beije, tenhas aquelas discussões bobas que findam regadas por piadas. Apenas saiba o quanto essas coisas tão amenas, são tão importantes.
Eu provavelmente vou ganhar um belo nada no teste, por ter fugido do assunto. Mas essa vai ser a nota baixa que mais vai valer a pena na minha vida até hoje.
Lorem Krsna

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Lado A, Lado B


Os sentimentos mudam todo tempo, os meus por vezes em segundos. Felicidades são momentos, e fico feliz por tão pouco, triste por tão pouco... E tudo ao mesmo tempo.
As vezes é complicado né? Sentir saudades. Isso pode curar com abraço, mas e se não for mais possível dar esse abraço?
Tristeza pode curar com sorriso, mas não é meu sorriso, disso eu sei. Tem que vir de fora para dentro, queimando tudo, fechando o que ficou em aberto. Mas nem sempre existe cola pra tudo, sorriso pra tudo, desculpa para tudo.
Ficar feliz 24 horas. Isso não existe.
É. Tem algumas saudades que nem brigadeiro, álcool, música ou conversa fora pode amenizar.
A gente ganha peso, ressaca, talvez alguns artistas novos, e um bom papo para pensar.
Se isso fosse a cura de tudo...

Lorem Krsna

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