quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Só um cara


Ele não tinha sorte no amor. E essa frase resumia toda sua existência atrapalhada. Sua amiga sempre lhe dizia que seu problema era que ele era um "cara legal demais". E é sabido que "caras legais" sempre se dão mal no amor.
Esse é o problema de viver tudo de uma vez, e não saborear aos poucos. Ele sempre bebia tudo de um gole só, sabia demais, sentia demais, coisas que não precisam de verdade saber demais... Sempre nas reações "delas", fazendo suas estratégias intricadas, dando tudo, e querendo tudo. Amor não é comércio, de dar e receber. Não é troca equivalente. Amor é um risco.  Ele sempre se doava e se anulava. Ele sempre entrava no jogo que elas faziam para mudá-lo. Ele sempre construía Galatéias, querendo encontrar sua mulher ideal em todas elas. Ele era um cara legal, e merecia uma mulher ideal. Não existem ideais de amor. E esse era parte de seu azar no amor.  Como um cara legal, ele queria aquele amor de filme flufly, fotos de capa e tumblr, que as pessoas comentassem o quanto eram perfeitos juntos. Ele queria ser perfeito para ela, e ela tinha que ser perfeita para ele. Queria que toda a perfeição fosse ofuscante, em um lindo castelo de vidro. Castelos de vidro são frágeis de mais. E sempre tinham trincas dentro. Ele, no fim, não pedia demais. Uma garota inteligente e bela, com gostos a fins, e uma linda história de amor digna de novela das nove. Ele era romântico, e era um cara legal... Queria apenas seu amor perfeito. Ninguém lhe explicou sobre o quanto o amor é imperfeito. O quanto ele começa engatinhando. E o quanto ele pode nem mesmo andar. O quanto o amor machuca. É atrapalhado. O quanto as pessoas são imperfeitas. O quanto as mulheres são inconstantes. E que as mulheres não buscam " caras legais". Não esse tipo de "cara legal." E isso se resumia a todo o azar em sua vida amorosa. Afinal, o amor não é um jogo de xadrez onde você prevê as jogadas.  Quando você mesmo esperar, vai ser xeque-mate, meu amigo, e aí já era.  Lorem Krsna

sábado, 21 de dezembro de 2013

Natal na ponte


Era noite de natal. Lá de cima ele podia ver as luzes da cidade, o colorido piscante nos prédios, na imensa roda gigante e mesmo que fosse madrugada, o som das canções natalinas alegres ao longe.
Sentia o vento batendo em seu rosto, frio, penetrando nos poros enquanto suas pernas se balançavam no nada ao som das canções  que verberavam. Abaixo de si, encantou-se por momentos pelas luzes refletidas nas águas do rio profundo, até mesmo a luz, era como se lá embaixo, fosse lá em cima. Como se pular fosse o caminho mais rápido para alcançar o alto, a lua, as estrelas... Alcançar uma paz, talvez, essa fosse toda a questão do momento.
Ele não sabia qual era o distância exata, não precisava de tais cálculos. Apenas sabia que era suficiente.
Tudo era era suficiente.
Até mesmo a vida.
Riu com o pensamento e suspirou olhando o céu, recebendo mais do vento. No teatro soava o coral, perto da ponte.
- É o mesmo teatro que sempre íamos.
A voz o fez olhar para o lado, um pouco atrás de si. Lá estava ela, os cabelos ruivos embaixo do gorro, o casaco verde a protegendo do frio da madrugada. Sempre amara aquelas cores nela. Verde e vermelho. Sorriu mínimo e virou para frente voltando a olhar para o céu.
- Sempre o quebra-nozes no natal. Sempre o mesmo.
- Você sempre odiou. -Ela falou divertida, subindo por entre as grades e sentando a seu lado. - E depois um café da starburs, um passeio pelas ruas, uma passada nas boates para pesquisa antropológica...
- O natal perfeito. - ele falou malancólico. Os natais eram as datas piores para os dois, talvez por isso criassem essa rotina maluca. Ele odiava natais, perdera os pais no natal de seus dez anos. Dois depois encontrara ela, no natal de seus doze anos, em que ela perdera a irmã. A encontrara naquela mesma roda gigante que agora viam ao longe, do outro lado da ponte, quando ela fugira de casa. E depois disso, os natais passaram a ser sua pior e melhor data. Ela sempre chorava nos natais, e ele sempre a abraçava por isso. Ela sempre chorava, pelos dois, por que ele não se permitia. Então depois iam para o teatro zombar do espírito natalino, e terminavam a noite em boates arranjando confusão, em um karaokê barato, ou em um motel beira de estrada.
Eram melhores amigos, que se viam apenas no natal, não importa em que parte do mundo estivessem, sempre se viam no natal. No natal eram amigos, amantes, desgraçados, malucos e o que pudessem. Eram psicólogos um do outro, e eram tudo o que tinham. Uma magia que durava uma noite, até se despedirem no dia seguinte para suas vidas separadas.
-  Sabe, eu sempre odiei quando as pessoas me mandavam ser forte, mas falavam para não chorar, não faz sentido. Pessoas são tão estúpidas as vezes! - ela falou em sua voz alta, como sempre mudando de assunto tão rápido como mudava de humor. Isso sempre o deixava confuso. As ideias dela pareciam se conectar em uma velocidade e direção que poucos podiam captar, e que ele só conseguia por todos esses anos. Muitos diziam que ela era um livro aberto, mas só ele sabia a verdade. Que ela guardava quem ela era de verdade depois de suas tiradas ironicas e uma expansividade com todos. Ela escondia por uma capa de chumbo, um coração cheio de furos, do mesmo modo que ele escondia o seu na sua fiel pose de indiferença.
- Eu penso que chorar as vezes é provar força. - falou pensativo e ela riu. A voz dele nunca mudava esse tom monótono. Era por vezes irritante.
- Então você é mais fraco que eu. - ela concluiu. - Senhor não sinto nada.
- Talvez... - deu de ombros, gesto que quase o desequilibrou. - As vezes o bom mesmo é deixar vazar, explodir, e depois só recolher os destroços. Não é o que fazemos todo o natal? Se permitir por uma noite apenas...
Ela assentiu e se olharam longamente. O rosto dela corado pelo frio, refletindo a luz da cidade e da lua, tornando-a irreal demais. Agarrou sua mão gelada e ficaram assim, olhando para o nada.
- Nosso ultimo natal. - Ela murmurou e ficaram assim, juntos, em algum ponto do tempo. Mais acima, ouvia-se o barulho da sirena da ambulância, constrastando com todo o som natalino. Era a última afronta dos dois ao natal e riram com isso, saltando para o vazio, mas não se ouviu som algum dos corpos.
Por que acima, na ponte, estava o carro virado onde os paramédicos removiam dois corpos entre os destroços do acidente. Um homem moreno de cabelos escuros, uma garota ruiva que era coberta pela lona. Algumas pessoas faziam o sinal da cruz, outras falavam sobre o acidente. Mas logo esqueceriam, era natal no fim das contas.
No teatro, ouviu-se as palmas para o espetáculo, e talvez para eles.
Ele perdeu seus pais no natal.
Ela perdeu sua irmã.
Eles se encontravam todo ano no natal. Riam juntos, zombavam juntos, e caim juntos dos abismos em si mesmos, ora se erguendo, ora se afundando mais.
E agora iam juntos no natal. Deixando uma xícara de café frio na mesa e um livro que ela lia marcado na página 107 na cabeceira da cama, além de gavetas para serem remexidas, e memórias que não diziam nada. Afinal tudo o que eram de fato, seus anjos e demônios, se iam um com o outro.

lorem krsna

-------


....


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Ela se foi

Ontem a noite eu estava escrevendo uma estória sobre superação. Sobre um cara que descobre que vai perder a visão e então decide viajar e ver tudo o que nunca viu na vida antes de não poder ver mais nada. E na estória, um dos personagens falou que "Cada um tem uma maneira de lidar com a dor." Uns se seguram nos outros, outros seguram os outros. Uns não se apegam a nada para não perder mais nada, outros apenas passam o resto da vida fingindo que estão bem.
Eu nunca pensei que sem querer estava escrevendo um recado para mim mesma, pois meia-hora depois olhei uma mensagem no facebook com a palavra LUTO e o nome da minha mãe. E foi assim que eu descobri que ela havia morrido, e passei muito tempo olhando aquela mensagem até tentar ligar para o Brasil, esperando ouvir algo como "Foi um engano." Pois é, não era.
Minha mãe havia falecido.
Eu estava sozinha, do outro lado do mundo, era madrugada e me mandaram ser forte. Nem preciso dizer o que aconteceu, por que nem sei. Quando eu vi já havia amanhecido e eu ainda olhava pela janela para a rua sem acreditar. Lembrando que antes de eu viajar minha mãe me disse que sabia que não ia mais me ver, mas que caso algo acontecesse, eu não voltasse. Por que era minha obrigação, e eu era forte o suficiente. Eu não acreditei, ela sempre falava isso. Não sei se sou forte, ou apenas ainda não acreditei. Talvez eu dê uma surtada esses dias. Talvez eu apenas tranque tudo dentro. Eu suporto bem, eu penso que não sou a única a ter perdido alguém. Meu pai perdeu a esposa, meus irmãos a mãe, meus sobrinhos a avó. Todo mundo está sofrendo e suportando a sua maneira. Quem sou eu para sentir raiva de Deus, ou me reclamar sobre como ou quem me disse? Eu a disse que amava da ultima vez que nos falamos. E quando eu vim embora, ela me deu um abraço e disse que eu voasse. O que eu posso dizer é que ta doendo, claro que está. E que eu ainda estou perdida, como se arrancassem um órgão vital e eu tivesse que continuar vivendo ainda. Eu só sei que me mandam ser forte, e eu tenho vinte e um anos, e não sei o que pensar. Pois é.
Essa manhã fui ao parque, sentei no cais para o rio vendo os barcos passando. Vendo as crianças brincando. As pessoas passavam e perguntavam se eu estava bem.  E eu dizia que não sabia, então me deixaram em paz. Na saida do parque meu melhor amigo vinha na estrada e quando percebi já estava agarrada a ele. Lembrava que havia ligado para ele a noite, e ele queria vir e eu disse que queria ficar só. Ele a amava também. Ele não disse nada, nenhuma palavra como "suporte", mas não precisava dizer nada mesmo.
Talvez eu ainda não acredite. E todas aquelas fases do luto vão ser furadas. A verdade é que não suporto bem, mas vou tentar. Talvez eu nunca aceite de verdade. Eu vou ficar pensando em "ses", e claro, em tudo o que não disse. Que minha mãe era jovem demais, que minha família é jovem demais. Mas eu vou ficar bem, de algum modo, por que eu sei que minha mãe me amava, que ela era orgulhosa dos filhos. Não duvido disso. Por que sei que meu pai me ama, meus irmãos, nos amamos. E sei que quando eu voltar, um dia, a dor vai bater forte, talvez pior do que agora.
Mas o que eu tenho certeza mesmo é que vou fazer valer tudo o que ela me disse, de bom e de duro. Eu vou fazer tudo certo, o que eu puder fazer. Vou fazer valer o orgulho que ela me disse que sentia. E talvez por um tempo eu odei natais e fins de ano, mas um dia talvez isso passe.
Eu amo vocês, minha família, queria estar aí, e ao mesmo tempo não quero, por que ainda fujo, sou esse tipo de pessoa, e parece que ver é aceitar que é verdade. Mas eu vou ficar bem, por que sou filha dela. E talvez escrever isso seja a maneira que estou tendo para colocar um pouco, a ponta da iceberg para fora.
Estou escrevendo no automático. Talvez seja meu  chorar, afinal.
Espero que você esteja bem agora, onde esteja. Eu sei, mãe, que sempre acreditou nos planos de Deus. Eu vou ficar bem. Sou sua filha, afinal.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Meus quinze, meus vinte um...



Se ontem eu soubesse ao menos um terço do que hoje eu sei... E como ontem, falo dos tantos dias claros e escuros, que tive, tenho e terei. 
E como saber, falo de cada tropeço, do que me foi dado e do que pude pegar sem aviso...
Acho, que se aos meus quinze, ou soubesse o que hoje sei a meus mais de vinte, eu teria economizado tempo, ligações e noites sem dormir. Teria atalhado amores, desamores, e escolhido melhor amigos e - por que não também - meus inimigos. Eu teria me poupado, me jogado... Eu teria vivido mais. 
Se eu pudesse escrever uma carta a quem fui diria em grandes letras "Apenas relaxe! Tudo piora antes de melhorar." 
O dom de esperar... Por que só agora me descobri o tendo? 
Eu não sinto falta de quem fui, em nada. E daqui há alguns anos, talvez não sinta falta de quem sou agora. É impossível conseguir sabedoria sem viver. Alguns precisam de anos, outros, de fatos mesmo atemporais. Tem pessoas que crescem quando amam, outras quando desamam. Tem gente que cresce quando dói, tem gente que definha. 
Eu cresço por vezes apenas em observar o palco estranho que é a vida. Seus atores, suas dores, suas dúvidas. Que por vezes são minhas e não sei.
Quando eu tinha quinze, eu achava que a vida tinha que se curvar a mim, minhas dores, meus problemas, desilusões. Hoje, aos vinte um, eu aprendi a reverenciar a cada dia...

Lorem Krsna

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Off

By Frederick Mccubbin

"Nem vem com essa de ir parafraseando os grandes mestres." Isso é o que digo para mim quando acordo com a cabeça cheia demais. Mas eu gosto mesmo de colocar para fora quando estou de porre com a vida ou apaixonada por ela. Nada dos espaços dos grandes tédios. Tédio digo, não aquele estado profundo de "não sei" que vivo me colocando. Eu não escrevo, eu vomito palavras. Só que as vezes é o vômito que fazem outros de identificarem. Nojenta comparação. Eu sei. Comparo como se encher até se engasgar, e para não dar a louca, eu escrevo. Por que nada comigo é no mais ou menos. Eu fico em off para não ligar de vez, e depois só arrancando da tomada. Eu fico em off para observar, refletir, concluir... E ainda assim, sou uma fábrica de repetir erros. De esquecer meus discursos bem elaborados. De fingir que não me interesso, quando estou sim muito interessada. Eu sou muito disso. De pensar nas duzentas jogadas a frente e esquecer que o relógio marca o tempo.
Ando mesmo gritando comigo um "anda!" 
 Só um grito interno para desempacar e ir para a pista de dança.

Lorem Krsna

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Flecha e trajetória - mentiras e verdades



Nós amamos a mentira reconfortante. Pode parecer hipocrisia, ou simples carência, mas eu gosto de vez em quando de uma mentira para me fazer sentir melhor. Eu até minto para mim mesma, olho no espelho e despejo tudo, vomito inverdades, até que elas se convertam em verdades. Só falta mesmo elas acontecerem para mim.
Há dias que a sinceridade me irrita, as porcentagens, os tiros certos. Eu amo quando a flecha desvia e acerta onde menos se espera. Dizem os sinceros, que ela errou a trajetória, eu prefiro dizer que ela mudou de ideia e seguiu novos rumos.
Eu vivo minha vida como uma flecha mudando de ideia. E gosto dos lugares não planejados que ela acerta.
Eu odeio palavras com sentidos certos e únicos, duras e diretas no ponto. Eu gosto mesmo de passar horas imaginado significados, em uma tortura lenta e não pensada. Eu sempre vou buscar significado nas pequenas coisas, mesmo simples. E eu sempre vou mentir sobre elas. Mentir e mentir até achar que elas podem ser o que acredito.
Odeio quando me diziam coisas certas da maneira errada e coisas erradas da maneira certa, preenchendo de brilho e cor o caminho da tentação. Eu sou humana, afinal. E todos essas pequenas coisas irritantes chamadas sentimentos eu tenho aos lotes. Eu amo, eu odeio, eu desprezo, eu guardo silêncio. Eu sinto medo, insônia e finjo que está tudo bem para não falar porcarias por aí. E claro, finjo que entendo quando não entendi nada. Finjo que não foi nada quando estou fervendo por dentro. E explodo - e como explodo - nas horas mais impróprias.
Eu nunca sei quando estou apaixonada, até estar desenhando corações.
Eu nunca sei que estou amando, até passar a odiar a pessoa.
Eu nunca sei o que vem até mim, até estar no olho do furacão.
Eu nunca sei quando parar de esperar demais, de confiar demais. De esperar que leiam o que desejo nas entrelinhas, entendam por trás de meus pretextos. Nunca ninguém sabe quando estou feliz, triste ou constipada. Para todos, sou a mesma coisa e sempre, por dentro, nunca sou a mesma por dois segundos.
Talvez eu precise de terapia - Quem não...
Talvez eu precise de apenas um amor conturbado - Quem nunca...
Talvez, eu precise apenas que mintam mais vezes para mim -Quem dera...
Talvez, eu precise de verdades menos duras - Quem sabe...
Talvez eu precise apenas de alguém que saiba ler menos o texto, e preste  atenção  nas mensagens subliminares.
Eu nunca sou mesmo o que pareço, ninguém é. Todos nós somos apenas verdades inventadas. Flechas mirando e mudando de trajetória. 

Lorem Krsna - Desabafo,eu sei

Não salte do abismo amor.


Não sou uma pessoa corajosa, em boa parte de meu tempo. Eu faço as coisas no impulso, mas se pensar demais, eu caio na maldita letargia...
Meu defeito maior, talvez nem seja esse, mas o ato de pisar tanto em ovos, que quando enfim tenho confiança em algo me jogo demais, me doou demais. E acabo esperando o mesmo em retorno.
Mas não é assim. Você não dá tantos por cento e recebe o mesmo em retorno. A verdade, é que as pessoas nunca vão ser iguais as minhas expectativas dominam. Irão ser piores, ou melhores, mas nunca iguais.
E eu sempre e sempre vou me decepcionar, me sentir mal, cair do salto. Eu sempre vou esperar demais, quando entrego demais. E uma vez que demoro tanto a fazer isso, quando faço, é tudo bem mais forte, e a queda é bem mais poderosa.
Acaba sendo como pular de um abismo, sem corda ou pará- quedas e esperar que alguém me segure lá embaixo. Não vai acontecer.

 Lorem Krsna

Sinergia

A chuva era raivosa.
Talvez essa não fosse uma expressão comum de se ouvir. Chuva podia ser vida, ser tristeza, mas não raiva.
Hoje, para alguém como ele, era raiva. Tudo era raiva. O céu, o barulho, a sensação sufocante em seu peito, em seu corpo, como se estivesse preso em uma bolha tensa que explodiria ao mínimo toque e deixasse fluir tudo o que sentia, desde que tudo se tornou preto e branco.
Ele queria pensar que a chuva impiedosa fosse um castigo, contra a terra e contra todos, lavado a sujeira daquelas pessoas.
Por que ele odiava as pessoas. Elas eram mutáveis, não confiáveis, e sempre machucavam umas as outras. Não se podia esperar nada de bom delas, além de uma facada nas costas ou - pior- no peito.
Ele já tinha sido esfaqueado em todos os lugares. Não havia um lugar seu que não sangrasse, e no lugar do coração, não havia nada, só o buraco onde talvez se consiga ouvir até mesmo o barulho do vento passando.
Vazio, se não fosse a raiva.
Ele era um copo cheio dela, prestes a deixar vazar e causar uma enchente.



Lorem Krsna


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Academia, sala errada e mais um dia

UQ - Brisbane

Crônicas de um dia na Austrália.

Um dia determina o que você determina no dia. Confuso? Bem, eu só acho que as vezes bom mesmo é rir das situações complicadas. 
Vejam bem, desde que cheguei em Brisbane, há mais de um mês, sem saber falar quase nada de inglês, já passei por inúmeras situações constrangedoras, por conta da dificuldade de comunicação ou mesmo o pouco conhecimento em relação a cultura local. Todo mundo que já morou em outro país, acredito que saiba do que estou falando. Bem, enfim, eu já passei vergonha que já me fez perder a vergonha.
Já me perdi, peguei ônibus errado (hoje já sei as linhas decoradas), fiz perguntas indevidas, entrei em lugares indevidos e por aí vai. E Brisbane é um caldeirão de pessoas de culturas diferentes, então você acaba deslizando nestas também, como abraçar um japonês, por exemplo. Acho que se pode fazer uma imagem mental de determinadas situações...
Hoje, por exemplo, foi um dia com tudo a que tinha direito. Iniciei há pouco tempo na academia, eu, que nunca fiz exercícios na vida, mas, vida nova.
Claro que estou completamente quebrada. Aeróbica é coisa de gente louca, mas tudo bem. E eis que hoje fui me aventurar a fazer novos exercícios. Bicicleta, ok e tudo o mais. Daí veio a esteira.
Minutos depois, em uma distração (não me perguntem como) fui cuspida para fora desta, caindo longe. Me ergui mais do que depressa, na sala lotada. Todos fingiram que não viram, educados, e eu fingi que nada aconteceu, pulando de volta mais do que depressa com a mesma ainda em movimento, em uma agilidade digna de cinema.
Saldos e feridos, alguns machucados e saindo mancando fingindo que nada aconteceu. Claro que me perdi e quase não acho a porta (estava de frente a mesma, mas as portas automáticas não abrem para mim, eu não existo, ao que parece. ). 
Sai da academia, foi para o curso, e estava o inferno em terra após os resultados de testes para mudanças de nível em inglês. São sete níveis, eu fazia parte do dois, e mudei para o três. Felicidades a parte depois de alguma confusão, fui com meu papel para minha nova sala. Entrei lá, fui bem recebida, tipo, muito bem mesmo! Amei as pessoas. O problema era que elas falavam inglês muito bem, rápido, e eu estava quase chorando não me achando digna do nível, ia voltar para o dois e tudo o mais, estava caindo em depressão, mas lutando para acompanhar a conversa e até conseguindo aprender algumas coisas. Quando a professora chega, estranhando a presença do ser estranho, pergunta-me sobre o que diabos estou fazendo lá, e ao pegar meu papel (estava quase chorando), me diz que estava na sala errada. O que vi como o dois, era um sete, mas que podia ser cinco. 
E sim, aquele era o nível 7.
Devia ter estranhado o número exorbitante de asiáticos.
Depois de errar de sala mais uma vez, achei a minha e me descobri feliz no nível 3 (peito estufado.)
Sai da sala do nível 7 acenando e prometendo visitá-los depois.
Lorem Krsna

 
 

sábado, 9 de novembro de 2013

Crazy


No mundo existem uma ou duas pessoas que se encaixam com você.
Não estou falando de amor, meus caros, estou falando de encaixe. Quando os pensamentos se acolhem, os gostos de abraçam, as esquizitices batem palmas e andam de mãos dadas. Aquele tipo de pessoa que vai rir de uma coisa que só você pensava que era piada, e vai entender significados em sinais que só você entenderia.
Isso não é uma simples parceria, é um encontro de almas que falam uma mesma lingua estranha. Que pode entender tanto seu riso besta, seu choro de drama quando seu silêncio de tédio. E vai sair te lendo, te irritando e te dando paz nas coisas, por que quando dois seres do mesmo planeta se encontram, se reconhecem de longe.
Existem uma ou duas pessoas no mundo que você vai confiar sem perceber. O tipo estranho para quem você ligaria caso precisasse até mesmo de ajuda para esconder um corpo, ou jogar conversa fora sobre o último CD daquela banda que quase ninguém conhece.
Aquele tipinho estranho que assiste um filme ou um anime com você que para outros pode parecer apenas mais um, mas vocês sabem que se torna um divisor de águas onde você aprender termos e linguagens secretas que vão ser apenas de vocês, como musiquinhas e ditados de personagens.
Sabe aquele tipo que quando você toca uma música em uma roda só ele sabe a letra também? E ainda faz a coreografia.
Ou o lunático que te liga de madrugada para contar algo que só você entenderia. 

Essas pessoas leem as mesmas estrelas que você, jogam as mesmas cartas. Entende aquele livro, ou aquela música, e a intensidade como elas te abalam. Não é uma questão de amor, pois ninguém entende direito o amor. É uma questão de reencontro de velhos amigos, de longa data. 

Lorem Krsna

Replay

 
Eu fico pensando, em quão chato seria um mundo onde todos os nossos desejos se realizassem sem esforço algum. Tipo, em um estalar e dedos você seria mais alta, mais bonita, inteligente. Falaria várias línguas, teria aquele cara que sempre quis... Uma vida que sempre sonhou. Quanto tempo duraria o extâse de ter essa lâmpada de todos os desejos?

Quanto tempo, até você acordar no meio da noite e ver o vazio a sua frente, ou então, que o que você desejava não era exatamente como imaginou. Por que somos mutáveis, nossos sonhos são mutáveis. Livre arbitrio poderia bem ser sinônimo de indecisão.

No esforço para se conseguir o que quer, você acaba ganhando coisas que nunca imaginou. O quanto perderiamos se isso não existisse, se tudo o que quisessemos, tivéssemos naquele instante, não importando se fosse um momento de raiva extrema ou tristeza absoluta. Até o mais puro dos desejos, tem seu preço. Quem aí lembra de uma coisinha chamada teoria do caos?

Eu penso nisso, por que eu pego mesmo aquele instante em que quero que tal coisa aconteça na hora. Ou mesmo, desejo que o tempo volte atrás para consertar alguma burrada. Eu brado o quanto tudo é difícil e complicado. Mas acho que o negócio de se estar vivo é isso. Não existe o botão do replay, ou mesmo o de retorno. É naquele momento e acabou.

E as coisas que você deseja, você tem que suar e chorar para conseguir. Subir no salto quinze ou na prancha e seguir em frente quando se faz besteira, quando não dá certo. E se o livrio arbítrio te vem com uma indecisão, na boa, só se escolhe um caminho, aceite. A partir daí, tudo muda de vez.

Não existem caminhos fáceis, nos filmes, os atalhos sempre levam ao vilão. Na vida acaba mesmo sendo assim.

Você tem que se meter na frente e seguir o caminho e pagar para ver, mesmo que seja longo. E nesse momento, as coisas entram em funcionamento mudando tudo ao seu redor.



Lorem Krsna

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

 
Ás vezes penso que a nossa profissão é acreditar nas coisas, ou desacreditar delas. Nossa vida vai seguindo assim: nesse acreditar, nesse tentar e depois ver o que vai dar.
Assim a gente vai realizando coisas, ganhando outras e perdendo tan...tas. Em meio aos achismos e desachismos, mesmo com palavras não existentes em dicionários, sentimentos não explicados por nós mesmos, sonhos nunca imaginados, lugares nunca previstos...
No fim, nossa profissão também é ser surpreendido e surpreender.
Eu prefiro mesmo nem tentar entender tudo isso.
Eu vou mesmo é viver tudo isso.

Lorem Krsna
 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Todo amor que couber


Não venha sofrer por coisas desnecessárias? 
Mas eu pouco ligo, sofro pelo o que quiser. Choro quando me der vontade. E se eu quiser gritar, eu grito o tanto que minha garganta permitir. Eu posso sofrer pelas besteiras que eu disse, mesmo que digam que não foi nada. Eu digo se foi ou não. Eu sei se foi ou não. Tudo tem a intensidade que nossa alma permitir, e uma brisa para os demais, pode ser uma tempestade para mim.
Apenas me deixe transbordar ou me conter quando quiser. Assim, poderei ser o que sou de verdade.
Toda amor e toda dor que couber em meu peito...
Lorem Krsna

domingo, 20 de outubro de 2013

Medos? Oh se tenho!


Eu tenho medo de muita coisa. Sou cheia deles. Sabe daqueles, que muita gente acredita que sejam meio bobos? Pois é. Sou repleta deles, e de  inseguranças que me deixam acordada a noite inteira, me preparando para conversas que nunca acontecem. Ainda assim, eu enfrento cada um. Não gosto de me deixar levar, me incapacitar. Detesto ser subestimada. Eu quebro a cara, mas quero tentar antes. Posso não gostar de elevadores, ou, lugares lotados, ou me fecho com pessoas estranhas, sem abertura do nada. Mas isso não me incapacita. Tanto que viajei para o outro lado do mundo, pego elevadores, não falo a lingua direito ainda, e tento me firmar para conhecer o meu mundo e me conhecer, para estar pronta quando cada vento novo sopra em minha vela. Sou cheia de medos sim, e de coisas bobas. Eu caio no degrau da escada todo dia, no mesmo degrau, e parece que as trapalhadas me perseguem. Pego ônibus errado, e tem vezes e me perco no caminho de casa, por achar as casas todas iguais ou por andar tanto no mundo da lua. Mas, sinceramente, não sou boba. E mesmo que seja ainda infante e mera infante no mundo, ou sei por instinto seguir o ritmo da  música quando ela toca para mim. Repleta de medos? Aos montes! Mas eu sei como posso os usar para seguir em frente, para fazer do start e do finish momentos gloriosos. Nada melhor do que vencer, quando tudo conspira contra.

Lorem Krsna

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O instante



Com o tempo, se aprende a fazer dos melhores momentos, os mais intensos. Se for sorrir, gargalhe, não  esconda seu sorriso, ou seu melhor,  pensando que os momentos não irão durar mesmo. Nada dura mais do que um leve fulgor diante da eternidade , do tempo indeterminado que segue na nossa frente, um motivo a mais para aproveitar. Mesmo que seja fugir dos problemas por um instante, ou se esconder atrás desse sorriso. A vida dura apenas um instante. Basta fazer desse instante, O instante. 

Lorem Krsna

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Temporada


Pouca inspiração nos textos, muita inspiração na vida... Tem tempos que parece que as coisas dão uma guinada decisiva né? Tudo muda, a vida é mesmo um carrosel girando, te tragando e te cuspindo, te dando coisas, tirando coisas... É costume deixar tanto para trás, por conta do que se abre na frente. Se é errado ou certo, quem diabos vai saber? Ninguém manda nessas coisas. Ninguém para o tempo no lugar, por isso, dias são uma vida inteira. A gente morre e renasce em tão pouco tempo, imagine em tempo indeterminado. Tudo muda, a gente perde coisas, ganha outras, chora, sofre, ri e TEM HISTÓRIAS. Não falo de escrever histórias, falo de VIVER HISTÓRIAS. Todos esses dias tem sido únicos, talvez por que eu saiba que tudo vai ser diferente demais daqui para frente, que vou mudar, que as pessoas vão mudar também. É impossível não se transformar, se jogar nisso tudo.
Como disse um grande amigo, parece que finda uma temporada da malhação (rs), e daqui a pouco, serão caras novas, pessoas indo embora, e começando uma nova etapa na vida de cada um. Talvez seja isso, estejamos todos enfrentando novas temporadas, se mudando, se destruindo e se criando, sempre e daqui para frente.

Que venha mais essa nova temporada. (Lorem Krsna) 

Envelhecer


A gente envelhece sem perceber. Um dia se acorda, e as coisas que antes incomodavam se tornam irrelevantes. Não nos desesperamos por qualquer coisa, sabemos que com calma, tudo se resolve. Perder a compustura por qualquer coisa? Não existe mais. A vida pede tudo isso, suga tudo isso da gente. Ela ordena que evolua, que mantenha a calma, que tolere, que pense antes. A vida te ordena tudo isso, e ir contra a vida é perda de tempo. Não se pode mais ser infantil demais, bobo demais. Tão pouco ser serio demais, levar a sério tudo. A gente faz o que pode, com o que recebe, aproveita o que der, se jogam na lama, aprende o bem que faz pra pele, se jogam do penhasco, de repente cria asas. Adaptar-se. Lindo demais. Ser humano, no fim das contas, é tão resistente por isso. Ele se adapta.
Acho que a gente percebe isso apenas quando envelhece. Não falo de rugas.



sábado, 7 de setembro de 2013

Herança familiar : estabanamento agudo


Tenho uma herança familiar passada de geração em geração ao sexo feminino: estabanamento agudo.
Praticamente todas as mulheres da minha família tem o gênio difícil e são desastradas. Não é pouco não, minha gente.
Minha irmã, acredito que ela possa bater todos os recordes de quebra de copos e objetos de vidro, tropeções em lixeiros , derrubando mesas de congressos (comida para todo o lado) e até mesmo quebra de uma televisão (que ela jura que não fez nada, só força da mente). Meu problema é mais espacial. Não tenho a minima noção de espaço e direção. Estou sempre me perdendo. Confundo esquerda e direita (tenho certeza que deve ser algo psicológico, não entendi a implicação disso ainda), e se pegar um carro, por Deus, não encontro o caminho de casa. Além disso, tenho dois pés esquerdos. Juro. E vivo no mundo da lua, se uma folha cair no chão lá vou devanear sobre a gravidade, sobre os maremotos na China e tudo o mais, começando pelo rabo da salamandra e terminando na tromba do elefante (fazendo conexões e me perdendo nelas, e no caminho também). 
Minha sobrinha, minha irmã, primas, todas tem uma inclinação para caírem em locais planos.
Posso dizer, que a culpa é dos objetos que se metem em minha frente? E dos locais, que são todos tão parecidos? Dos copos de vidro, que tem uma inclinação natural de escorregarem de mãos? Das lixeiras, que deveriam estar no canto? Dos extintores de incêndio que... Deu para entender.


Lorem Krsna 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Comida japonesa, raio-x e Austrália


Faz tanto tempo que não posto nada! Mas aconteceu tanta coisa...
Tive alguns aprendizados importantes ultimamente, por exemplo? Descobri que não estou aberta a outros estilos culinários, e vou lhe aconselhar, NUNCA coma a pasta verde da comida japonesa sem perguntar antes o que é. 
Juro. 
Uma simples viagem para realizar exames, comigo, é uma batalha épica, com direito a ir para a clinica errada, passar três horas para conseguir fazer um exame (urina assistida, quem consegue urinar com alguém olhando? o_o Eu não.), perder ônibus, ter ataque de riso durante exame e ter que subir em um banquinho para fazer exame de raio-x (baixinha é sua avó).
Ah gente, aconteceu tanta coisa... Minha vida é uma comédia, mas é bom rir dessas coisas né? 
O que mais? Estou indo embora para Austrália (nada de piadinhas sobre canguros, estou saturada disso), estudar um ano e meio lá (dai os exames né). Boa sorte para mim. Tenho certeza que vou me perder por lá, vou ter muitas histórias para contar por aqui.

Até mais:D

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Imprevisível


Eu me afogo em euforia e me afundo na tristeza. Me perco em pensamentos, e sempre penso então sempre me perco. 
Eu tenho tanto medos das coisas, e por isso as procuro e me jogo. Mas tantas vezes, só recuou.
Eu sou estranha a certas coisas que agem no coração, e me pego respondendo perguntas retóricas. E eu amo o que me faz mal, mas ainda assim, amo. E sozinha.
Eu quero sorrisos para mim, especiais, e palavras que me façam me elevar ao máximo. Quando as ouço, finjo que não são para mim. Talvez eu nunca entenda o que eu quero, mas isso não me impede de me mover, embora eu afunde no meio do caos.
As vezes, como agora, eu temo por mim. Temo por que sou imprevisível.
Temo por que gosto de ser imprevisível.
Temo por que não sei quando parar quando começo, quando a roda gira, quando entro em movimento, No embalo, só recuou se for jogada para trás. E por aquele caminho então, nunca mais.

Lorem Krsna

terça-feira, 30 de julho de 2013

Testando a paciência da Krsna


Manhã calma no banco.
Superando o meu quase pavor de resolver burocracias, fui como uma boa menina crescida resolver problemas com minha conta no banco. Por que não há nada mais agradável para uma pessoa hiperativa, do que enfrentar na segunda-feira de manhã uma fila gigante.
Chegando, qual minha surpresa, com a fila das senhas vazia? Saltitante, peguei meu número e subir ao primeiro andar, extasiada. Chegando lá, minha vontade foi de correr chorando pra casa (ta bom, parei de exagero). Imagino que é assim que as pessoas se sintam na bolsa de valores. Fiquei cinco minutos atordoada no meio da bagunça, me perguntando porque metade da população da cidade estaria fazendo no banco em uma segunda pela manhã. Consegui encontrar minha mesa, me espremer entre uma mulher de blusa amarela transparente e uma senhora de vestido florido e começar meu martírio da espera.
Se você tem TDH, não vá a um banco resolver burocracias. Faz mal.
A menina de amarelo precisava de uma frenectomia labial, e depois fechar o diastema anterior. A senhora de vestido florido provavelmente precisava trocar a prótese, que teimava em escapar quando ela falava. O cara do final da fila tinha mordida aberta, e o sujeito sendo atendido pela moça da mesa 7, era prognata...
Abaixei a cabeça de imediato, desconfortável. Mania um pouco vergonhosa de estudante de odontologia aquela. Resolvi mudar o pensamento. Um minuto depois, vi uma mulher que arranhava a perna sem parar, a outra, aparentemente comia seu próprio cabelo, e o terceiro senhor na minha fila olhava cada bunda que se levantava. O menino ao lado da moça de blusa amarela puxava sem parar o lóbulo da orelha entre os dedos, e uma mulher muito bonita de roupa social parecia ter passado a noite chorando.  Levei um chute de uma criança ao lado que chupava o dedo e me acordou dos devaneios , e me vi tentada a dizer que se ela continuasse com aquele  hábito de sucção não nutritiva poderia desenvolver mordida aberta...
Certo, parei.
Continuei batendo o pé impaciente, quicando na cadeira, olhando a senha sem parar. E ai começaram as tentativas de puxar assunto, que sempre ocorrem. Como antissocial em um dia ruim, respondi com “aham” e “é mesmo”, incentivando uma conversa que nem ouvia. Quando fui chamada, claro, gaguejei quando fui dizer o que queria (meu pavor agindo), e quando finalmente expus a situação, recebi outra senha, para outra mesa, com 45 pessoas na minha frente.
Sério, fui quase chorando para o outro lado da sala, sentando em um canto amuada. Com alguns minutos criei um enredo pra um conto, matei o personagem principal e desisti da história. Reparei que um menino bonitinho ao meu lado lia Machado de Assis. Fiquei atenta e quando reparei que em meia ora ele não virava a página pensei que ou ele tinha um déficit grande de atenção, ou descobriu o novo segredo para puxar assunto hoje em dia. Funcionou, a a garota atrás dele logo desenvolveu uma conversa sobre os clássicos brasileiros. No fim estavam trocando o número do celular. Menino esperto!
Outro casal atrás conversava sobre seriado, e terminaram com o menino falando sobre o grande amor da sua vida. Me senti intrusa e entediada e tentei mudar o pensamento, com a língua coçando quando pela terceira vez ele errou o nome de um personagem de série que eu assisto.
Minha mente divagou novamente, e imaginei uma história em que a moça da mesa 07, tinha um caso com o rapaz da mesa 08, mas era casada com o sujeito de olhos puxados da mesa 12... Estava na parte em que os dois eram pegos aos beijos pelo gerente quando alguém puxou assunto ao meu lado. A essa altura, estresse era apelido para o que eu sentia. Disse alguns ahams casuais, e na terceira vez que o sujeito me chamou de princesa fingi que cochilava para não descontar meu estresse em ninguém.
Proibido celular no banco? Ao menos oito pessoas atenderam. Dentre os toques, imperava Luan Santana, e um senhor de idade tinha um toque com a risada do Bob Esponja.
Tentei lembrar do alfabeto em grego, do meu vocabulário de francês, de patologias bucais...
Comecei a analisar as roupas, e conclui que mulheres são extremamente críticas. Quando finalmente fui chamada, depois de contar o número de luzes no teto, e o rapaz e a moça da mesa já tinha um casal de filhos e pediam a separação, tropecei na sacola de laranjas da senhora ao lado, e foi laranja para todo lado.
Resolvido o caso rapidamente, coloquei meu melhor sorriso “não estou estressada, faminta e nem seria capaz de jogar ninguém pela janela”, joguei meus cabelos cacheados para o lado no alto de meus 1,56 e fui ser atendida. Em menos de dois minutos fui despachada para voltar outro dia, o problema não poderia ser resolvido.
Ok. Esse é um blog livre, não irei baixar o calão aqui.
Só uma manhã calma no banco.

Lorem Krsna

    

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Pretextos

imagem: Mari Kubota

Vivemos nos apegando a tanto pretextos inúteis... Por que viver de enigmas e meio-termos? Se cobrir de desculpas para o que faz, o que deixa de fazer. 
Temos medo, acima de tudo, do que queremos. Temos medo de sermos os únicos responsáveis, de não ter a quem colocar a culpa quando as coisas desgovernam. Temos medo dos absurdos que pensamos. De arriscar e perder tudo no único lance. Do campo minado que é o livre arbítrio. 
--- Lorem Krsna

25 DE JULHO- Dia do Escritor


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Sentimental



Estou em meu momento sentimental. Podem rir, ando mesmo chorando e suspirando por qualquer motivo. Ando dispensando minhas lentes de aumento para ver os detalhes das coisas: só as sinto pulsar.
Ando mesmo cansando de tentar enxergar todos os lados, de inventar as mil desculpas. Estou aceitando, enfim, a irrevogável situação, de que todo mundo, em algum momento, se comporta como um tolo.Se é, que é realmente uma tolice sentir a flor da pele, remover todas as camadas e se deixar levar. Se sentir sensível e exposta, vulnerável, com uma seta  néon no calcanhar de Aquiles. E até o medo da flecha é libertador. 
É bom chorar quando se tem que chorar. Quando se acumula a sua tempestade interior. Eu tenho muitas tempestades interiores. Na verdade, dentro de mim se encontram calamidades naturais frequentes, mesmo que veja apenas minha cara de paisagem. E é diferente a situação de lançar uma tempestade para fora finalmente. Ir de uma gargalhada cuidadosamente contida, a um choro convulsivo, libertando todas as feras. Xingar, sem a menor elegância.
Talvez essa seja uma porta temporária aberta, onde liberto meu anjo e meu monstro. Onde posso dar aquele beijo, ou aquele tapa. Onde posso largar a dormência fria e letárgica, e cair no olho do furacão do sentir. O perigo, agora vejo, é o prenúncio da explosão. Aquele instante onde ninguém sabe qual sera o tamanho do estrago. Depois que ela ocorre, a gente só recolhe os pedaços. As vezes o prenuncio da dor é pior do que a dor. As vezes o prenuncio do amor é bem melhor do que o amar. As vezes você deixa mesmo correr sua fraqueza, deixa vazar um pouco da água, ou a represa explode.
É isso. Está cheio demais. Que saia um pouco. Apenas deixa fluir.Apenas deixa explodir. Depois, vamos aos estragos.

Lorem Krsna 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Dúbios

"Seres humanos são tão interessantes...
Eles são fisicamente obras de arte arquitetada em detalhes, mas vai além disso. O interessante está em seus defeitos, em sua capacidade de insatisfação, de sempre querer mais, de sempre faltar algo, por que por mais que tudo pareça em ordem, sempre há a sensação de um vazio a ser preenchido, que algo poderia ser melhor se feito de outra maneira. Nos agarramos a cada pequena chance, por menor que seja, que nos tire de onde achamos que não nos cabe. Seres humanos são covardes, tentando serem fortes, e tão fortes, por entenderem serem pequenos, limitados, por terem tantos medos. Eles são fortes, quando tem que ser por outras pessoas. Eles erram demais, e por vezes acreditam estar no topo, no centro de tudo. Serem únicos, onipotentes. Eles galgam alturas monstruosas para caírem, perderem tudo, e dar todos os pequenos passos de novo. E eles darem estes pequenos passos teimosos, é o mais interessante.
O interessante, é o livre arbítrio. A liberdade de escolher, e a partir disso, ter seu resultado, que só pode ser bom ou mal. 
Somos tão limitados, mas não nos limitamos. Somos tão frágeis, mas construímos fortalezas. Podemos ser dizimados tão facilmente, mas infestamos o mundo. Nosso caminho é morrer, mas levamos a vida como se isso não fosse acontecer, como se fossemos viver para sempre. Temos medo do esquecimento, mas todos serão esquecidos. Não temos controle de nada, mas podemos sempre escolher. Somos tão dúbios! Somos tão susceptíveis... Somos tão pequenos. "

Lorem Krsna

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Proverbiar



Não sei se sou otimista, pessimista, ou realista. Depende do momento, do humor, da lua ou sei lá. Eu posso me desanimar se o barco não sai do lugar, posso fazer a vela, se não há vento, posso quebrar a vela e ir nadando... E isso de ver copos cheios, vazios e não sei mais. Depende do copo, do liquido, da visão, da sede... Sei, sou péssima com provérbios. O fato é que se a situação ta ruim, eu digo que está ruim, e penso no que devo fazer para mudá-la. Não digo que é impossível, nem que é fácil tão pouco. Só que ficar parada é chato. Esperar é chato. Se precipitar é chato. Nem sempre há um lado positivo para tudo, mas reclamar demais também é chato.
Acredito em Murphy, no caos. Mas acredito muito mais em mim, que sou teimosa demais quando quero que algo funcione. 
Eu acredito mesmo que consigo fazer as coisas, nem que seja sair de uma enrascada de estar em um barco sem vela, numa noite sem vento. E se tudo mais for estressante demais, eu bebo o que está no copo abaixo ou acima da metade e vou ficar desenhando constelações nas estrelas ao balanço do mar.
Chorar? Desidrata menina. Só esperar a mente clarear, ou hora a saída vem.

Lorem krsna

.............


quarta-feira, 10 de julho de 2013

DESesperar



Frase detestável : "Só resta esperar."
Parece que não há mais nada a ser feito, que a definição não nos cabe, que estamos de mãos atadas, que nada está em nosso controle, que vamos cair no conformismo e imaginar um milhão de possibilidades sem nada poder comprovar.
"Só restar esperar" é uma etapa que mata no começo, que te joga no escuro e você tem que se agarrar a mínima possibilidade, ao fino fio da aranha para sair dele respirando e com a mente sã. Esperar é chato, enlouquecedor e duvidoso, sem ter certeza do próximo movimento do outro, onde você pode conseguir um gancho para uma jogada esplêndida, mas também um xeque-mate sem saber se está preparada para ele.
                                   esperar = DESesperar

Lorem Krsna

terça-feira, 9 de julho de 2013

Flecha



Não adianta andar fora da mira do radar para não ser atingida. Deixar de fazer um monte de coisas, se conformar, imaginar que não está a altura, e se não se destacar, não irão tentar te atacar. São ideias tolas. Viver em função disso é perda de tempo, de chances, e tudo isso é alimento importante de mais para ser desperdiçado. 
Não faço das minhas para atingir, "causar", ser o centro das atenções. Faço as coisas por mim, e para o que vou sentir depois. Quero viver o que tenho que viver nessa vida, sem desperdiçar nenhum gole de nada, sem repetir palavras demais, erros demais, se não tenho tempo de fazer coisas repetidas, se tudo perde o efeito e muda na segunda jogada. E não temo ser vista, ser atingida, ter que voar de novo. Se for necessário, posso andar de forma suave, ou quebrar o que tiver que quebrar. Posso estar a margem, no centro, ou no lugar que no momento for o meu lugar. Eu guardo silêncio das coisas, até certo ponto, mas nunca sem um bom motivo. Eu não faço as coisas sem motivo.

Lorem Krsna

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Conexão

Eu não decoro minhas próprias palavras, e meu discurso vai sempre no improviso. Por isso, acredite em minhas palavras ditas assim de repente, no meio da madrugada, entre um gole de café. Minha verdade vem quando o momento menos espera. E eu posso te falar de amor, no meio do noticiário da tarde, sem qualquer aviso, e posso fugir do assunto, falando do lançamento daquele autor, ou porque o DNA mitocondrial é tão incrível na identificação humana. Pode não parecer lógico, mas me perco no meio da história, no meio das conexões, nos desvios de assunto.
É difícil lidar com alguém estranho assim. É difícil tentar enxergar por trás dos pretextos. É difícil estar ao meu lado, quando não se sabe nem ao menos onde estou.

Lorem Krsna

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Eu?


Tenho 20 anos. Ou 12, ou 7, ou 60. Minha gargalhada pode ser irônica, e posso ser bem escandalosa as vezes. Eu falo alto, e penso por horas. E eu planejo, e sofro por antecedência, mas amo a incerteza, e ainda assim vivo procurando boas perguntas. Quero ser pesquisadora, perita, engenheira mecânica, professora, teóloga, arquiteta, dentista, desenhista, escritora e tocar em barzinho. Quero tocar violão, piano, violino, gaita, violoncelo e talvez mais. Quero plantar umas árvores, lançar meus livros, descobrir alguma coisa, lançar artigos científicos, montar um aeromodelo revolucionário e entender o que de fato aconteceu com os dinossauros. Quero aprender uma porção de idiomas, e visitar o máximo de países que puder. Quero um amor pra vida toda e liberdade. Quero sair pelo mundo, sem lugar certo. Quero entender as religiões, e os homens, e o que eu sinto. Quero uma vida cheia de laços por aí. Quero ler todos os livros dos 1000 livros que você deve ler antes de morrer, e alguns mais. Quero assistir os filmes dos livros que eu li, e outros mais. Quero envelhecer sem rancor, reunir a família em alguns domingos, para comer macarronada e jogar aqueles jogos que você tem certeza que todo mundo vai trapacear. Quero encontrar os amigos para falar da vida, e ver todos bem.
Eu quero rir, chorar, e sofrer pelas coisas certas.
Tenho 20, 12, 7 ou 60 anos. E daqui a trinta anos, terei todas as idades que hoje tenho, com alguns intermediários. Terei amado muita gente, e antipatizado com outras tantas. Terei mudado de planos, como quem muda de roupas. Terei rido, chorado, me magoado, ajudado e sido ajudada. Daqui a trinta anos, terei rugas, e mais uma porção de histórias, algumas de mal-gosto. Talvez algumas contas para pagar, e uma pilha de papel sobre a mesa. Talvez tenha filhos, não sei, ou mesmo netos.
Nem sei bem. Trinta anos, putz, é daqui há muito tempo.

Lorem Krsna

Vago

Não são respostas vagas, são perguntas vagas. Mas, sei lá, gosto dessas coisas vagas. Gosto de não ter certeza, até que a hora peça. As vezes, me emociono mais no improviso, nessas coisas não pensadas, nos presentes repentinos, nos poemas mais simples, das coisas não explicadas. Gosto de ter meu caderno de perguntas, de teorias. Gosto de querer tantas coisas que uma só vida não me bastaria. Gosto de pensar tanto, e até mesmo dos pequenos detalhes que camuflam meus pensamentos. É como se por trás de tudo, de minhas crises de insônia, ou de meu dormir demais, ou aprendesse que o meu ser reside na incerteza, na intensidade, nos meus exageros, e no saltar do muro. Em meus amores ingratos, vagos e não correspondidos, ou de ser a ingrata e não correspondente de alguém. Gosto até mesmo desses declives, de tropeçar neles, e na rapidez com que caio e levanto. 
Definitivamente, apesar de as vezes tão dramática, de sofrer por antecedência, de querer tudo de uma vez, de andar por aí tropeçando pela vida. Eu amo mesmo essa vida.
Lorem Krsna

terça-feira, 2 de julho de 2013

DEFINIR


Um dia tive medo amigo, mas nem sei bem o que é isso.
Nem sei o que é o estranho e indefinido amor.
Só entendo bem os frios do invernos, e o calor que vem no verão.
E entendo da lágrima, e de perder as coisas...
Talvez meus atrasos não sejam lapsos.
Talvez meu sentir, não seja no fim tão falho.
E o amor e o medo do qual entendo, seja o medo e o amor aos quais pertenço,
Indefiníveis, incertos, mas reais.


Lorem Krsna

Sévir


segunda-feira, 1 de julho de 2013

instantes



Eu sei bem como é possível, você de repente se sentir imensamente feliz e ainda assim triste em seu âmago. Quanto mais eu penso, mais percebo que a plena felicidade não é possível, por que a gente sempre vai ter medo de perdê-la, e ter a certeza que o momento, por mais incrível que possa ser, é um momento apenas. E momentos nunca duram tanto quanto a gente deseja.
Lorem Krsna

domingo, 30 de junho de 2013

Intenso


Eu sinto intensamente a alegria e a tristeza. Minha dor nunca é pequena, meu gostar nunca é pouco. Por isso hesito. Fico vagando na linha tênue, pois se entrar no turbilhão, nunca fico a margem, mas no olho do furacão. 

Lorem Krsna

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Roda do tempo


Eu sinto falta de um monte de coisas que já foram. Mas não adianta mesmo, o tempo certo é o agora. Cansei de discutir figuras velhas, quero mesmo é ver a roda do tempo girar, o cheiro de novidade, e a mudança acontecer. 
Eu podia ter feito um monte coisas.
Eu posso fazer um monte de coisas.
Eu podia ter falado na hora certa.
Eu posso falar na hora certa.
O mundo vai girar sempre, mesmo quando as pessoas dormem, ele sempre esteve acordado, e rodando a ciranda para quem ouve a canção, mesmo quando ela muda. E ele não espera. ele não tem piedade dos estilhaços das velhas guerras. O tempo é o mundo, e ele é a roda que gira. Mas as vezes, para perceber o movimento total, você só observa no tranco das coisas.
Passado serve para copiar o que foi bom, descartar o que foi ruim, fazer tudo diferente. O homem que não entende seu passado, não tem futuro, e o homem que vive em seu passado, não tem presente.
O tempo á agora.
Esse é o tempo de viver as coisas, e de vê-las acontecerem.

Lorem Krsna

quarta-feira, 26 de junho de 2013

AsAs



Nenhum voo dura para sempre. Sempre chega a hora de encarar o chão.Mas ainda assim, você não deve ter medo de voar.

Lorem Krsna

terça-feira, 25 de junho de 2013

Partir e "ser partida"

Eu fico pensando em quantas vezes a gente se despede na vida. " Quantas vezes a gente parte, e quantas vezes somos partidos". Escutei esse termo, e de repente senti que quantos forem meus anos de vida, vou partir e "ser partida" inúmeras vezes. Vou criar e cortar laços, lembrar e esquecer rostos. Sofrer por momentos que por muito tempo ficaram apenas na lembrança, até se tornaram uma fotografia que amarela na gaveta, ou dentro da mala. Eu não pertenço a lugar nenhum, por isso, talvez tenha a certeza, que passarei por muitas estações, e seria por vezes apenas mera lembrança em uma foto de alguém até encontrar um lugar de onde não irei me despedir. Até encontrar um motivo forte o bastante para ficar.

Lorem Krsna

Atulhada



Se for para falar, eu falo. Falo um monte, mas então eu calo. Calo o que tem que ser calado, o que se torna irrelevante na enxurrado de informações que vou soltar. E vão falar "essa menina não cala, mas esconde, posso notar."
E se for pra falar dessa tristezas que carrego, do mundo caótico que nem mesmo entendo, seria mesmo  sufocada e sufocaria, quem comigo estaria. E nesse pensamento compartilhado, dos pensamentos soltos dos termos censurados, só a tristeza me caberia. E a todos. apontado, se diria "um sorriso bem lhe caberia."
E se for pra sorrir, ouça só a gargalhada. Ela fere os timpanos de tão alta. E as senhoras, vermelhas, em seus leques, escandalizadas apontarão "que menina mais mal- educada".
Se for para ter educação, nem reis terão o que falar. Boneca de louça, hei de me comportar. E como brisa leve, sorrateira, andarei suavemente sem ser notada. E eles dirão "que menina estranha, tão calada."
Agora sim, para ser o que sou, não importa a indóle, os dedos vão sempre apontar. Não importa mesmo os tetos de vidro, os pecados no porão, se o outro sempre um mais interessante vai carregar. Não importa tudo o que de mais podre terão guardado. Nada é mais atrativo, do que a vida do sujeito ao lado.

Proteger o teto, que nada. Vamos ver o estrago dos vidro quebrados. De fato!

Lorem Krsna


-.-


segunda-feira, 24 de junho de 2013

- . - . -




Sinto falta da inocência regada com a esperteza que tínhamos tão bem.

Mas tudo passou... queríamos tanto crescer, sair do útero confortável mas por vezes restritor da infância, para descobrir que somos jogados, afogados em uma liberdade que nos prende como algemas, que nos sufoca com responsabilidades por vezes temidas serem além do que podemos carregar... mas que ainda assim levamos.

Lorem Krsna

Lar



“Talvez eu não entenda muito sobre amor. Mas sei que ele não começa no fim de semana e termina na segunda. Amor não é tempestade, é suavidade, é algo sorrateiro, que vai te mudando. É quando você encontra uma pessoa, e que ser melhor para ela, se amar, para amá-la, se aceitar, para aceita-la. É quando você abraça alguém, e sente como se houvesse atravessado o mundo e finalmente tivesse chegado ao lar que sempre imaginou.”
__ Lorem Krsna




domingo, 23 de junho de 2013

Nostalgia


Se for para falar de amanhã, não sei falar de coisas tão distantes. Não sei dizer se você estará aqui, ou quem mais estará. E ando cada vez mais consciente de meu esquecimento... Eu ando sempre sem saber o que procuro, apenas sentindo que algo falta. E eu busco a tudo, a espera do alivio, do momento em que suavemente me sinta completa, que possa dizer "agora tenho o que me faltava" "agora encontrei". Mas nada é o bastante, e as vezes, nos momentos de nostalgia, a gargalhada morre no vácuo, e só sinto o vento passando em cada espaço vazio, e penso que por mais que tente me preencher com tantas respostas, perguntas, histórias, jamais terei o que me falta de verdade, pois nem mesmo sei quando perdi.
Lorem Krsna 

.


sábado, 22 de junho de 2013

Dança


De cima


De que adianta ter a faca e o queijo e não saber cortar? Cheguei a conclusão: as coisas só acontecem de fato quando eu me preparo para que elas aconteçam. Por aí, já perdi muita cor com meus óculos escuros, e muito sol com minha nuvem negra. Já desviei de muitos olhos, virando para o lado, e de vez em quando chutei a bunda da sorte com tanta força que machuquei o pé e perdi apoio. 
Eu quero mesmo é me preparar para o que virá.  Abrindo minha mente, flutuando como pará-quedas, pronta para o tapa e para o abraço. Pronta para perder e para ganhar, e saber agir em ambas as situações. Eu quero enxergar as coisas quando elas vierem até mim, e ver as mudanças no mundo, estando no meio das mudanças. Eu quero ver o que eu puder, de tudo o que eu posso imaginar, das pessoas, das situações... E agora, eu sei que posso. Vou subindo até a altura que não achava que poderia, e de lá, posso ver o mundo, e ele é gigante, e é lindo, e cheio de possibilidades.

Lorem Krsna

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Sentido



“- O que eu sinto não faz nenhum sentido.
- O amor não existe pra fazer sentido Sam, mas para ser sentido. ”

__Lorem Krsna

...



"- Só não quero morrer antes de aprender a viver de verdade."
                                                                                              __Lorem Krsna

Vasculhe

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...