terça-feira, 31 de maio de 2011

Freak, o monstrinho

The Mighty (BR: Sempre Amigos / PT: Os Poderosos) é um filme americano lançado em 1998, e que marcou minha infância, e até hoje faz parte na percepção que tenho sobre várias coisas ao meu redor, principalmente sobre respeito, amizade e legado, aquilo que deixamos para trás aos que no são importantes. Baseado no livro Freak the Mighty, de Rodman Philbrick, e dirigido por Peter Chelsom, ele conta a história de Maxwell Kane (interpretado por Elden Henson), o Max. Um garoto arredio e sem amigos, que tem problemas de aprendizado e socialização, julgado como "burro" e esquisito. Max viu sua mãe ser assassinada por seu pai quando era criança, e desde então mora com os avôs. É muito forte e grandalhão, mas pacífico e sem autoconfiança.
Sua vida muda quando conhece Kevin Dillion (Kieran Culkin), um garoto que sofre de distrofia muscular e uma doença degenerativa que o impede de andar, mas com uma inteligência e imaginação acima do normal. Debruçado num mundo de palavras, Kevin convive com as histórias do Rei Arthur e sua Távola Redonda.
A amizade dos dois surge de dificuldades, e os dois, tão diferentes se completam. Quando Max passa a levar Kevin em seus ombros, um passa a ser "o corpo", e o outro "a cabeça". A força e a bondade de um, a inteligência, imaginação e coragem do outro, os transforma em uma única "entidade", que eles chamam de Freak, o poderoso. Um cavaleiro que protege os fracos e inocentes. Juntos eles se tornam capazes de enfrentar qualquer obstáculo.
E em meio a diversas aventuras e problemas que enfrentam (como quando o pai de Max foge da cadeia e rapta o filho e Kevin vai ao socorro do amigo), Max se descobre cada vez mais emerso no mundo de Kevin, de cavaleiros e coragem. Onde a inteligência é a arma mais poderosa. Onde o preconceito não impera, e a dificuldade física se torna mero detalhe diante de algo muito maior.
Tudo vai bem, até que os problemas de saúde de Kevin se agravam. Seu coração cresce mais rápido que o seu corpo, e ele perece.
Max se vê perdido. Fragmentado. Quem ele seria agora? O que fazer quando perdera parte dele mesmo, pois fora isso que Kevin se tornara?
Voltar a ser o que era antes? Um ser sem propósito?
Por um instante sim. Mas não para sempre. De repente, ele passa a perceber que era capaz. Sua mente entra em turbilhão de pensamentos e imaginação, e ele descobre algo nele que sempre esteve lá, uma capacidade que fora por tanto tempo camuflada, e irrompera quando Kevin esteve ao seu lado.
Munido de lápis, um caderno que ganhara de Kevin um dia antes de sua morte e palavras, Max conta a história de Freak, o poderoso. Que vencera monstros e salvara donzelas, e mostrara para o mundo inteiro que era capaz, forte quando qualquer um duvidasse disso.

O legado

"Há um lugar na minha cabeça onde, às vezes, vou.
É frio e sombrio e eu flutuo como uma nuvem.
Agora você é uma nuvem.
Daquelas que vemos no ceu num dia de vento.
Não precisa pensar em nada.
Não é coisa nenhuma.
Não é ninguem".



Freak, não é uma simples história sobre amizade. Ela fala sobre algo muito maior, sobre o legado. O legado que Kevin deixara a Max quando partiu, foi à coragem e a consciência de sua capacidade, que sempre esteve lá, escondida. Ele partira, mas esse legado, sua herança, fez com que permanecesse vivo, nas atitudes de Max, no despertar de sua consciência sobre o mundo. Ele não era mais "uma nuvem no nada", sem direção. Sua mente passou a fervilhar de ideias. Ele finalmente despertara.

Há pessoas que surgem em nossas vidas para mudá-las, e ainda se permanecerem por pouco tempo, poderão modificar-nos radical e intensamente, dependendo só do legado que deixarem em nós, e este legado, esta herança, faz com que permaneçam sempre por perto, fazendo parte do que nos tornamos, e do que queremos nos tornar.

Informações adicionais sobre o filme:
Elenco: Elden Henson - Maxwell Kane; Kieran Culkin - Kevin Dilllion; Sharon Stone - Gwen Dillon (A mãe do Kevin); Gena Rowlands - Gram (vó do Max); Harry Dean Stanton - Grim (vó do Max); James Gandolfini - Kenny Kane (Pai do Max); Gillian Anderson - Loretta Lee; Meat Loaf - Iggy Lee; Jenifer Lewis - Mrs. Addison; Joseph Perrino - Tony D. (Blade)
Observações interessantes:
O sobrenome de Kevin, originalmente no livro não era Dillian, mas Avery.
Eles usam para caramba o nome de Sharon Stone no filme, mas ela, que faz a mãe de Kevin, é uma personagem secundária, ou seja, puro marketing.



Freak é um filme emocionante, é que me trouxe uma lição que carrego por toda a vida, por isso o recomendo a todos aqueles que querem DESPERTAR.


Lorem Krsna

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Lembro-me a primeira vez que vi esse filme, foi no supercine e alguns tempos depois na sessão da tarde. Na época não fazia ideia da riqueza de conteúdo deste filme, mas nutria uma afinidade pelo mesmo que não costumava ter por muitas coisas. Kevin é o tipo de anjo enviado por Deus para salvar vidas, vivas em corpo, mas mortas ou prestes a morrer em espírito. Como pode um filme tão simples, tão "barato" ensinar tanto a quem tenha o mínimo de empatia e senso crítico.

    O verdadeiro valor da amizade está no ponto que se encontra além do limite dos preconceitos e medos. Kevin trouxe para Max a verdadeira essência do "cogito ergo sun". Como um ser que 'não pensa" poderia acreditar em sua existência? Kevin despertou em seu amigo tudo de poderoso que ele tinha e seus medos e conformismos impediam que aflorassem, tudo para evitar conflitos.
    Max não dizia, "Não precisa pensar em nada.
    Não é coisa nenhuma.
    Não é ninguem". Como saber quem somos se não pensamos em nada?
    Kevin ensinou Max a pensar e a tomar decisões.

    Sem duvida nenhuma a cena mais emocionante desse filme, é quando percebemos que Max desperta de sua prisão "cômoda" ao dar um grito de liberdade e bradar seu poder oculto ao erguer um "escudo" em defesa de seu amigo Kevin, alí percebemos que o nosso poder é do tamanho daquilo que pensamos e imaginamos. Cena esta, torna-se mais emocionante ainda ao ser embalada pelo som de trevor jones.

    Os anjos são assim, aparecem em nossas vidas justamente quando mais precisamos, quando estamos afogados no medo e na dor, quando nossa existência chega a ser uma dolorosa batalha e que a derrota é a unica opção de liberdade. É quando estamos prestes a dar o ultimo suspiro e cair que os "kevins" da vida aparecem e nos estendem a mão, mostram-nos o quão poderosos podemos ser, mostram-nos uma razão para estarmos vivos e, sem mais nem menos, vão embora deixando seu legado, que não foram suas palavras e ideias e nós que ficamos, nós que fomos transformados em cavaleiros pela vida dos mais fracos e oprimidos.

    A cena mais triste é quando kevin se vai, é diíicil aceitarmos quando as pessoas tem que nos deixar, como aceitar perder alguém que tanto nos deu força e nos transformou em alguém melhor? Essas pessoas viveram e viverão pra sempre de tão boas que foram e únicas. Serão reis no passado e no futuro

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