terça-feira, 30 de agosto de 2011

Coraline - Terror e encanto


Estava revendo algumas listas de livros antigos que havia lido há alguns anos, quando encontrei CORALINE, de Neil Gaiman. Reli algumas páginas, e quando notei, lá estava eu embarcando de novamente no mundo fantástico da história.
Coraline talvez tenha sido um dos livros mais aterrorizantes que li na infância. Não o tipo de terror das histórias fantásticas de fantasmas e assasinos que era fascinada, mas um terror rebuscado dentro do coração de cada criança, aquele misterioso, fantasioso, que por mais que faça as mãos suarem e o coração bater acelerado temos que ir atrás, perseguir. Um terror esperado, buscado, ansiado por aventura e mistério.
Alguns críticos compararam o mundo de Coraline ao mundo de Alice no pais das maravilhas, mas diferente de Alice que encontrou um mundo maluco ao cruzar um buraco atrás de um coelho, Coraline descobriu um mundo sombrio e perigoso ao cruzar uma simples porta, um mundo onde inicialmente nada é o que parece realmente, com mistérios que colocam em perigo pessoas que ama, e ela passa a ter que usar de toda astúcia para ajudar crianças lá aprisionadas por um ser misterioso que usa de charme para conseguir o que deseja, e que a quer.
Mas desta segunda leitura, não foi só a história que me fascinou, mas os traços da arte do livro. Um segundo olhar, como dizem.
O ilustrador é DAVE MCKEAN, um artista e fotógrafo, muito famoso pelo trabalho como designer em livros e capas de CD. Velho companheiro das histórias de Neil Gaiman, já que responde pelas ilustrações de  The wolves in the walls, história do autor. McKean tem desenhos angulares e traços vitorianos, o que acrescenta toques sinistros aos livros, reforçando a promessa de que sempre serão absolutamente assustadores. Sombras obscuras que se tranformam em coisas inusitadas, dando bem o ar da história como se pudessesmo não somente ler, mas ver há um filme a partir da imagem que ele projeta.

Mas enfim, recomendo este livro não só pela história, mas pela arte. Se você tem preguiça de ler, olhe os desenhos e será fisgado, quando perceber, já está caindo dentro da história!
Só para findar, deixo algo sobre o autor, um trecho  da história e alguns dos desenhos da arte do livro, para dar um gostinho .

Lorem Krsna

NEIL GAIMAN é o autor premiado e aclamado pela crítica de Deuses americanos, Neverwhere, Stardust (vencedor do American Library Association’s Alex Award, como um dos dez melhores romances para adolescentes), da coleção de ficção científica Smoke and mirrors e do livro infantil The day I swapped my dad for 2 goldfish (ilustrado por Dave McKean). É também o autor da série Sandman de romances em quadrinhos. Entre os numerosos prêmios que recebeu encontram-se o
World Fantasy Award e o Bram Stoker Award. Nascido na Inglaterra, Gaiman vive atualmente nos Estados Unidos  numa casa para lá de esquisita, com a mulher, três filhos, abóboras exóticas que cultiva no jardim, além das coleções de computadores e gatos.


 "A voz soava tão triste que Coraline estendeu sua mão para o lugar de onde ela vinha, encontrando uma mão fria. Coraline apertou-a firmemente. Seus olhos estavam começando a se acostumar à escuridão. Agora, Coraline estava vendo, ou imaginava ver, três formas, cada qual tão lânguida e pálida como a lua durante o dia. Eram formas de crianças aproximadamente do seu tamanho. A mão fria apertou sua mão de volta.
— Obrigado — disse a voz.
(...)
— O que aconteceu a todos vocês? — perguntou Coraline. — Como vieram parar aqui?
— Ela nos deixou aqui — disse uma das vozes.
— Ela roubou nossos corações, roubou nossas almas e levou embora nossas vidas. Deixou-nos aqui e esqueceu- se de nós na escuridão.
— Pobrezinhos — disse Coraline. — Há quanto tempo estão aqui?
— Tanto, tanto tempo — murmurou uma outra voz.
— Sim, mais tempo do que se pode imaginar.
— Eu passei pela porta da copa — disse a voz da criança que julgava ser um menino — e me vi de 
volta na sala. Mas ela estava esperando por mim. Disse-me que era minha outra mamãe e eu nunca mais vi minha mamãe de verdade novamente.
— Fuja! — disse a primeira das vozes, uma outra menina, Coraline imaginou. — Fuja enquanto ainda existe ar em seus pulmões, sangue em suas veias e calor em seu coração. Fuja enquanto você ainda tem sua mente e sua alma.
— Eu não vou fugir — disse Coraline. — Ela tem meus pais. Eu voltei para recuperá-los.
— Ah, mas ela a manterá aqui enquanto os dias forem se transformando era poeira, as folhas forem caindo e os anos se passando um após o outro, como o tique-taque de um relógio.
— Não — disse Coraline. — Ela não vai. Houve um silêncio no espaço atrás do espelho.
— Se, por acaso — disse uma voz no escuro —, você conseguir salvar seu papai e sua mamãe da bela dama, poderia também libertar nossas almas.
— Ela as roubou? — perguntou Coraline chocada.
— É claro. E as escondeu.
— Por isso não pudemos ir embora daqui quando morremos. Ela nos prendeu e se alimentou de nós, até que nada sobrou de nós agora, somente peles de cobra e casulos de aranha. Ache nossos corações secretos, jovem senhorita.
— E o que acontecerá a vocês se eu achar? — perguntou Coraline.
As vozes não disseram nada.
— E o que ela fará comigo? — perguntou. As figuras pálidas pulsaram fragilmente; Coraline podia imaginar que elas eram apenas pós-imagens, como o reflexo que permanece em nossos olhos depois que uma luz brilhante se apaga.
— Não dói — sussurrou uma voz apagada.
— Levará sua vida, tudo o que você é, tudo o que lhe é caro e não deixará nada a não ser neblina e névoa. Levará sua alegria. E, um dia, você vai acordar e seu coração e sua alma terão partido. Um casco você será, um fiapo será. Não mais do que um sonho ao despertar ou a lembrança de algo esquecido.
— Vazia — sussurrou a terceira voz. — Vazia, vazia, vazia, vazia, vazia.
— Você tem que fugir — suspirou uma voz debilmente.
(...)
Fechou os olhos, o que tornou a escuridão mais escura, descansou a cabeça sobre o suéter enrolado e tentou dormir. E, ao adormecer, julgou sentir um fantasma beijar-lhe a bochecha ternamente, e uma pequena voz sussurrar-lhe ao ouvido, uma voz tão tênue, que quase não estava lá, um resto de voz tão suave e insignificante que Coraline quase podia crer que a estava imaginando.
— Olhe através da pedra — disse-lhe a voz. E então, Coraline adormeceu."















Mais arte de Dave McKean


2 comentários:

  1. Oi querida como está? Seus textos estão muito bons. Pelo que vejo vc gosta muito de ler pois está sempre postando sobre livros por aqui. A leitura é sempre bem vinda pena que a maioria das pessoas não pratica este belo exercício acham chato e tal. Depois nos perguntam porque muitos jovens não sabem desenvolver bem um texto ou não tem uma boa fluência no cotidiano. Infelizmente no nosso país bem diferentes de outras culturas as crianças não são orientadas pelos pais para se tornarem leitores desde a infância pois talvez fosse mais fácil de adquirir o hábito. Isso dificulta mais tarde a própria aprendizagem delas na vida escolar. Na verdade eu acho que é uma questão cultural mas isso é assunto pra mais de metro rsrsrs!
    Beijos e Bom dia pra vc.

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  2. Não há ganho maior do quê a leitura e a busca do conhecimento Letícia, é uma pena que não esteja sendo melhor incentivado :/

    ResponderExcluir

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