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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

As portas, as chaves.



Dizem que a chave que abre a porta pode ser a última do molho, mas as vezes temos que ter a força necessária para arrombar portas que nos cobram a passagem, ou pular janelas quando a vida sela nossas saidas ao invês de ficar a chorar inultimente no alpendre.
Lorem Krsna



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A protegida


Tudo começou por conta de um grito, um grito que cortou a noite chuvosa como um trovão sinistro.
A rua de sobrados antigos se erguia obscura ante aos passos por entre as poças de água e lama do calçamento de pedra. A tempestade fazia um manto de água que cobria tudo a qualquer vista por entre as luzes dos postes que piscavam querendo apagar-se.
O capuz da camisa não protegia da água que me ensopava até os ossos, e meu cabelo grudava em minhas costas. Os tênis guinchavam e medida que tentava aumentar o passo, temendo os tropeções diante de minha cegueira momentânea causada pela chuva forte.
E então veio o grito cobrindo o som de tudo, me fazendo tropeçar e cair na rua. Senti uma pedra rasgar imediatamente a palma de minha mão e vi paralisada o sangue escorrer e descer a rua misturado à lama e água.
Olhei para trás e vi um vulto que se aproximava devagar. Levantei-me de supetão e corri cega, o máximo que pude sentindo a perseguição.
O galpão se desenhou a minha frente e entrei nele, escorregando molhada e me levantado com esforço.
Escondi-me por entre as dezenas de caixotes que cheiravam a mofo no recinto úmido e cheio de goteiras.
Escorreguei para o chão tentando fazer o mínimo de barulho, naquelas ocasiões em que qualquer movimento parece uma orquestra infernal somente por que você quer ser silenciosa.
Tentei conter até o mínimo sopro da respiração ofegante e esperei até ver a sombra surgir adentrando no local. Segurei a mão cortada tentando conter o pavor e preparando-me para correr novamente. Tentei enxergar por entre os caixotes e nada vi. E neste momento uma mão puxou meus ombros obrigando-me a me levantar do chão. Gritei e senti puxarem o capuz do blusão para trás. No mesmo instante armei o punho e desferi um golpe às cegas, que para minha surpresa atingiu algo mole e quente, e ouvi o grito e o palavrão no instante em que a mão afrouxou e consegui escapar jogando caixotes pelo caminho.
Tentei correr para a porta, e acabei deslizando novamente, desta vez não tive tempo necessário e fui pega antes de levantar-me.
Chutei, xinguei e tentei socar novamente, mas desta vez sem qualquer sucesso, estava imobilizada.
- Me larga filho-da-mãe! - gritei raivosa.
- Shhhhh - o estranho fez ofegando pela corrida - Se acalme sua louca, não quero te fazer mal.
- Claro, e eu toco violão como Tommy Emmanuel - O tremor na voz cobria meu sarcasmo - Tenho cara de idiota?
- Quer mesmo que eu responda? - Ele suspirou e conteve um chute meu - Você dá trabalho demais. Custa me ouvir?
- Foi mal, não ouço muito pessoas que correm atrás de mim no meio da noite, me jogam no chão e ficam em cima de mim!
- Não te joguei, você caiu. E não estaria em cima de você se ficasse calma um pouco. Tem um punho de ferro sabia?
Tentei chutá-lo mais algumas vezes e não consegui, aos poucos fui me cansando
.- O que quer de mim afinal?! - Falei por entre dentes
- Quero ajudar, mas você fica dando trabalho para mim, o negócio ta ficando difícil sabia?
- E quem é você no fim das contas, além de um maluco que sai perseguindo moças no meio da noite?
- Não é óbvio? - Ele suspirou - Vou te soltar se correr te derrubo ta ouvindo?
Ele afrouxou os braços e nos sentamos. Estava pronta para correr a menor distração, o olhei desconfiada e então parei. Conhecia aquele rosto não?
Olhos escuros demais, correntinha de asas e roupas pretas surradas. E aquela cicatriz cortando o braço e subindo por ele até o pescoço, mais viva do que recordava quando criança.
- Ah, lembrou né senhorita?
Fiquei corada.
- Hum...
- Agora acorda de uma vez sua boba, e para de dar trabalho.

Acordei suada na cama.
Caramba. Tenho que parar de trabalho para meu anjo da guarda.


Lorem Krsna



Leia também Quem é meu anjo da guarda

quinta-feira, 10 de março de 2011

--No trem--



Havia o barulho do trem, como um som contínuo em meus ouvidos. Estremeci no banco duro em que estava deitada, ainda nos últimos resquícios de um sono pesado. Abri os olhos com esforço e vi um forro, com prateleiras de madeira para bagagens. Pisquei algumas vezes tentando me situar e sentei 
atordoada. Um trem. Eu em um trem.
A questão era: O que eu estava fazendo naquele trem!!
A última coisa da qual recordava era que saia de casa pela manhã para a faculdade... E nada. Mais nada.
Procurei ao redor, e encontrei minha bolsa jogada no banco desleixadamente. Procurei o celular, em vão. Olhei ao redor, e estava em uma cabine com dois bancos. Meus olhos caíram no outro. Havia uma mochila preta, e do lado dela meus sapatos. Olhei para meus pés, estava só de meias, e enrolada em um casaco grande demais para ser meu. 
Fiquei sentada por alguns segundos tentando ligar algum fato contundente para aquela situação estranha, e então corri para a porta da cabine. Estava trancada. Chutei e esmurrei chamando por alguém, mas o barulho do lado de fora parecia abafar qualquer palavra minha. Bom, era a hora de ficar assustada.
Corri o olhar para a mochila do outro branco, obviamente havia alguém comigo, a questão era quem, e porque me deixara trancada.
Hesitei um instante e fui olhá-la mais de perto. Havia um caderno ao seu lado, o meu. Uma folha estava destacada em cima, riscada com uma letra desconhecida:
"Quieta"
Revirei minha mente tentando lembrar-me algo e nada. Abri a mochila e passei a revirar o seu conteúdo. Roupas masculinas.
Um "cara". Um estranho. O que eu fazia ali com um estranho? E ainda por cima, sem lembrar-me nada?
Despejei com raiva o conteúdo da mochila sobre o banco, e então algo caiu no chão com um baque estranho. Um envelope pardo, liso. O apanhei e após uma analise rápida abri-o e gelei.
Havia mais dinheiro ali do quê havia visto em toda a minha vida.
Arfei e soltei o envelope no banco como se ele fosse me morder.
"Meu Deus... O que...”
Não houve tempo para mais perguntas, quando avistei algo brilhar por entre o conteúdo despejado no banco. Toquei hesitante as roupas e a vi.
Uma arma prateada e reluzente.
"Uma arma. Muita grana... eu... encrenca!"
Meus nervos começaram a me trair e respirei ofegante. Corri para a janela, e o ar de minha boca embaçou o vidro por um instante, antes que pudesse avistar a cadeia desconhecida de montanhas, e o nada.
"Pensa Lorem... pensa!"
Corri para a porta e chamei por ajuda de novo. Avistei então uma senhora com um carrinho de doces e a chamei. Ela sorriu oferecendo as guloseimas.
- Estou trancada! Pode me ajudar? - Pedi
- A moça perdeu a chave?
- Sim. -
Menti
Ela assentiu
- Vou chamar um responsável...
- Eu agradeço... Ah, e mais uma coisa. A senhora viu a pessoa que estava aqui comigo?
- Ah sim - ela sorriu saindo- o loirinho alto, o seu irmão não é?
- Irmão... - sussurrei
Não tenho irmão loiro coisa nenhuma! O que estava acontecendo afinal?
Tentei chamar à senhora que se afastava, mas ela não me ouvia mais. Um cara loiro estava naquele trem, se passando por meu irmão. Ele tinha uma arma e muito dinheiro na mochila, e me conhecia.
Ele me mandara ficar quieta, e me trancara na cabine.
E eu não estava nenhum pouco com vontade de obedecer alguém que estava restringindo minha liberdade.
Hesitei um segundo antes de pegar a arma. Era hora de aprender atirar. Eu iria sair do raio daquela cabine nem que precisasse explodir a maçaneta!
Posicionei a arma e me preparei. Com sorte ninguém ouviria...
Quem eu estava tentando enganar? É claro que ouviriam!
E então a chave girou na porta e alguém entrou.
Uma mão tomou-me a arma com rapidez e me empurrou para o banco.
- O que raios ia fazer?!

O trem brecou e o barulho ensurdecedor me vez pular...
... Da cama.
Meu despertador estava tocando. Hora de ir para a faculdade.
Prometi a mim mesma de hoje em diante evitar assistir filmes de ação até a alta madrugada.


Lorem Krsna

domingo, 30 de janeiro de 2011

Aprisonada


Há um som alto, ensurdecedor. Heave metal retumba nas paredes em volume perigosamente nocivo aos meus ouvidos. As luzes piscam em várias cores, cegando-me os olhos. O globo gira, mas ao contrário do que seria comum, a casa está vazia. Nenhum dançarino, nenhum festeiro, segurança ou algo do tipo.
 Eu sei que devo sair imediatamente, mas sempre que avisto a porta ela parece mais longe. Há um fedor insuportável de fumo misturado à alcool, mas não há absolutamente ninguém a minha volta, como se eu estivesse no local ápos algum acontecimento, cujo todos já se foram e eu fiquei para trás, sem recordar de coisa alguma do ocorrido.
Sento no chão vazio, exausta e tonta com o cheiro no ar, e confusa com o som alto a me estourar os tímpanos. Uma situação completamente absurda. Então começo a vasculhar o ambiente, tentando manter minha visão apesar dos lasers de boate, e vejo cartazes arrancados da parede, e cadeiras quebradas. Há um sofá no canto mais afastado virado, e muitas garrafas quebradas pelo chão. Um cenário de briga. Isso ou uma manada havia passado por alí e instalado aquele caos!
"O que eu estou fazendo aquí?!"
Nenhuma ideia. Nenhuma lembrança. Ninguém.
Ao menos se a música cessasse.
Ao menos se alguém lembrasse de mim e viesse me buscar, me livrar daquela situação.
Ao menos se aquela maldita porta não se afastasse a cada passo!
Me levanto limpado a sujeira do jeans e o som cessa repentinamente.
"Já era hora!"
- Tem alguém aí?
Minha voz ecoa sem resposta no silêncio repentino.
- Alguém!
Nada.
-Me esqueceram aquí!
"Porcaria"
Olho com esperança para a porta, mas tonteio no segundo passo e ela se afasta.
- Você aí!
A voz que era para ser um alívio quase me mata de susto! Me viro em direção, mas as luzes piscando só me permitem fazer ver um vulto descendo de uma cabine. Talvez o D.J.
- Você aí. A garota da tatuagem!
"Tatuagem?" Olho apalermada para trás de mim.
- É contigo mesmo! Tem mais alguém aquí por acaso?
Despenso a grosseria ainda confusa. Só então noto o grande desenho , começando do pulso e subindo pelo braço até sumir pelas costas. Contenho com esforço um grito. Aquílo não devia estar alí.
Meu pai não ia com certeza gostar nada daquilo.
Eu não estava gostando!
- C.como?
- O que diabos ainda faz aquí garota? Eles vem vindo, some daquí!
Olho para a saída que nem uma imbecil. Sair? Era isso que eu estava tentando!
"Espera um minuto... Eles quem?"
-E.eu...
- Para de gaguejar e vai de uma vez!
O Vulto corre e some pela porta que eu não conseguia alcançar.
Mais rápido do quê qualquer coisa que eu já tenha visto, como se simplesmente sumisse no ar.
E tão rápido quanto meu interlucutor sumira, surgem sombras na porta, entrando na casa.
Eles. Deviam ser eles.
Mas quem eram eles?
As luzes todas se apagam e não vejo mais nada.
E  então ...

...eu acordo.
E até agora não sei na verdade o que eu fazia naquele  lugar!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cemitério de carros


Outro sonho daqueles...

Estava em um gigante cemitério de carros, em meio ao nada. Para onde quer que olhasse, só via máquinas, das mais diversas épocas e gostos.Caia uma tempestade tremenda, e eu via relâmpagos iluminarem o céu totalmente nublado.Corri no meio dos carros, e não havia saída alguma daquele labirinto de ferro. Era tudo muito estranho ali,e após um tempo avistei também aviões despedaçados. Havia um velho caça, um mono motor, destroços do que pareciam atiradores da segunda guerra no mínimo, e um grande boing partido ao meio. Mas ninguém. Chamava e nada. Estava totalmente só, com a chuva me castigando.
Corri em busca de abrigo, e avistei um porsche  amarelo com a capota abaixada. Estava praticamente intacto, com excessão de um amassado em sua lateral, como se o tivessem castigado com um taco ou algo do tipo.Corri para lá e me enfiei tremendo em seu banco macio. Liguei a chave que estranhamente se encontrava na ignição e funcionou. Mas aconteceu algo ainda mais estranho: o rádio ligou sozinho, e os faróis e a buzina também deram o ar de sua graça sem serem requisitados. Tentei sair assustada, mas não consegui, estava trancada em um carro maluco, com complexo de Christine!E ainda por cima amarelo.
Quando olhei para frente então vi que já estava em alta velocidade por entre os ferros retorcidos dos aviões e carros destroçados. Agarrei a direção, tentava o freio e nada. Blasfemava alto e esmurrava, mas era em vão.
Quando então voltei a olhar para frente não estava mais no cemitério de automóveis, mas sim em uma pista mal iluminada. Ouvia gritos e música alta misturada a risadas, mas não havia ninguém a vista. O carro não diminuía a velocidade. E de repente eu não estava mais só. Outro carro, preto de faróis neón estava ao meu lado, igualmente rápido.Pedi ajuda, mas não enxergava quem estava dirigindo. Foi então que me dei conta do fato de que as arquibancadas estavam lotadas ao redor, e eu estava em uma pista de corrida. Mas em meio a velocidade notei igualmente que ninguém movia-se um centímetro, estáticos em sua expressão como em uma fotografia. Só eu e o outro carro nos movíamos naquela corrida maluca, onde eu não tinha qualquer controle
Quando pensei que fosse realmente me arrebentar em alguma curva, apareceu algo ainda mais inusitado: um maluco na pista, bem em minha frente. O carro brecou sozinho, quase em cima da figura. Fui jogada para frente contra o vidro que se despedaçou e cai rolando na pista em meio aos cacos e dor. Fiquei caída de costas, olhando para a escuridão do céu, a chuva em cima de mim. Minha vista então foi tapada por um rosto pálido de criança. Era um garoto de seus onze anos , o tal que se metera na pista e quase me destroçara no asfalto.
Tentei me erguer, mais estava sufocada e machucada. E tudo estava silencioso de repente.O outro carro também parara e o piloto estava ao meu lado, vestido de preto. Me ergui com dificuldade enquanto os dois me olhavam sem mover um dedo para ajudar.
Quando enfim me levantei, possivelmente com algumas costelas quebradas, o outro piloto enfim retirou o capacete e me encarou friamente. Olhei para ele e o garoto. ambos eram os mesmos. Não como gêmeos, pois o piloto tinha no mínimo vinte anos. Eram os mesmos, em idades diferentes. Aquilo era confuso demais, e o pior de tudo era que eu o conheci assim que retirou o capacete. E se conheci!
- O que faz aqui?!-Perguntei espantada enquanto colocava minha mão do lado de meu corpo. Sufocava a cada respiração
- Não pare a corrida, ainda não terminou!- Ele me respondeu com voz autoritária, em uníssono com o menino. Eles pareciam um espelho um do outro em sua expressões e palavras.
- Que se dane a droga da corrida! -Tentei gritar, mas não conseguia com minhas costelas, minha voz estava esganiçada.
Os dois pareceram surpresos com a rebeldia, e me encararam furiosos
- Não vai fugir da corrida, não vai fugir de novo. Não vai deixar tudo para trás outra vez.
Bom, aquilo já não pareciam se tratar da corrida parecia?
- Não estou fugindo. Mas não vão me obrigar a fazer o que não quero.
-Sempre faz isso. Abandona o jogo na metade.Não tem coragem, não se importa.
Ele se aproximou e agarrou meu braço com força:- Entre no carro.
-Não!- Falei teimosamente. Não queria correr de novo.A chuva nos castigava impiedosamente na pista enquanto o menino apenas ficava nos olhando imóvel, como as pessoas na arquibancada.
- Não vai largar na primeira batida.Tudo vai ser diferente dessa vez.Não desista tão cedo garota, ainda faltam voltas e voltas!
- O carro é maluco!-protestei puxando meu braço.
Ele me soltou e me encarou, o rosto agora mais suave. Ele não mudara nada nos últimos tempos, desde o dia que o vira a ultima vez.O conhecia há anos, e aqueles olhos sempre me hipnotizavam, me deixavam sem estrutura para argumentar.
- O problema talvez não seja o carro, mas quem pilota. Está na hora de assumir o controle Lorem. E parar de  culpar as circunstâncias!   
Olhei para a chuva vinda do céu e para ele após. Seu rosto estava com um pequeno sorriso torto que antevia o triunfo. Então lá estávamos nós de novo, cruzando um caminho em comum. Da ultima vez não aconteceu nada de bom para que eu lembrasse.
-Não somos mais crianças-ele falou tocando em meu ombro, os olho diferentes- faça diferente. Sem arrependimentos dessa vez.Assuma a direção ou vai se arrebentar na primeira curva. Vá até o fim!
Assenti. Minhas costelas arderam e sufoquei. Quando cai senti que os braços me seguraram antes que chegasse ao asfalto.

Fiquei um tempo deitada, ouvindo meu coração descompassado, esperando o despertador tocar.Com a sensação forte de que decisões importantes estavam a minha espera, e que agora, eu devia fazer tudo direito. Perdão e não permissão. 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O invisível

Annie procura o corpo de Nick, ao seu lado ele a acompanha invisível
O invisível é um remake de um filme sueco chamado Den Osnlige, uma adaptação cinematográfica de um romance homónimo de Mats Wahl.
Conta a história de Nick Powell (Justin Chatwin), um jovem estudante do ensino médio com talento que sonha em  ser escritor. Ele faz trabalhos dos colegas escondido em troca de dinheiro, e tem problemas com sua mãe Diane Powell (Marcia Gay Harden). Ele ganha a oportunidade de ir a Londres realizar seus sonhos, e junta dinheiro pretendendo ir mesmo contra a vontade de sua mãe.
Conta também a história de Annie Newton (Margarita Levieva ), uma jovem problemática, vinda de uma família  tulmutuada  que mete-se em todos os tipos de confusão e com um futuro incerto. A única pessoa com quem se importa no mundo é seu irmão mais novo Victor, e odeia Nick por ver nele o futuro que não pode ter.
As vidas deles se complicam quando Annie rouba uma joalheria, e seu namorado que está em condicional a denuncia. Procurada, Annie não sabe quem a denunciou, e vai atrás de Pete Egan  (Chris Marquette), amigo de Nick. Achando que o amigo havia ido para Londres e tentando se livrar de problemas Pete diz a Annie que foi Nick quem a denunciou, o que ele não sabia é que o rapaz havia desistido da viagem, e eles acabam se encontrando. Após uma perseguição, Annie e os amigos o espancam e ele desmaia, achando que o mataram eles se apavoram e escondem o corpo na floresta dentro de um bueiro e vão embora.
Nick acorda na manhã seguinte no meio da estrada e sem lembrar-se ao certo o que aconteceu vai a escola como se nada houvesse ocorrido. Ao chegar lá ele tem uma surpresa desagradável ao perceber que ninguém pode vê-lo. Ele está totalmente invisível. Desesperado ele se dá conta do ocorreu e  acha que esta morto. Enquanto isso, todos na cidade estão a sua procura. Nick resolve então tentar vingar-se atormentando Annie e nota então que ela é a única que pode ouvi-lo.
Ao chegar em casa, devido há uma cena com um pássaro que agoniza Nick descobre que não está morto, mas sim agonizando na floresta e que se não o encontrarem dentro de alguns dias ele enfim perecerá devido aos machucados. Ele passa então em uma corrida desesperada para convencer Annie a informar a policia o que ocorreu e a localização de seu corpo antes que seja tarde demais. E enquanto eles tem essa convivência forçada com a garota sendo procurada, Nick começa a enxergar Annie de outra maneira e a se importar de verdade com ela. Os dois criam um laço único. Resolvida a ajuda-lo depois de um tempo ela vai ao bueiro onde o jogaram e descobre que o corpo sumira. Seu namorado Marcus e Pete e mais dois de seus amigos o haviam retirado. Ela parte então em busca do corpo e nesse meio tempo descobre que Nick não havia a denunciado o que faz com que se sinta pior ainda por tudo o que ocorrera.
Pete, com remorso pelo o que fizera ao amigo toma uma atitude extrema e se envenena no dia da formatura, enquanto a agoniza ele vê Nick que lhe pergunta pelo corpo. Ele pede perdão e lhe dá a informação. Os pais deles o socorrem e Nick parte para o local, descobrindo seu corpo jogado em uma represa que logo transbordará e sumirá com ele para sempre. Annie vai atrás de seu namorado para saber onde ele escondera o corpo de Nick, os dois discutem e ela descobre o real denunciador. Os dois trocam tiros e Marcus morre. Ferida, Annie avisa a polícia sobre onde está o corpo e eles o salvam no momento em que a água o toma. Agora Nick está em coma, morrendo e ele avisa a  Annie que  é a única capaz de salva-lo. Annie vai ao hospital, enquanto foge,  encontra lá a mãe de Nick que a chama de assassina e ameaça chamar a policia. Annie então diz que pode falar com o filho dela, e Nick a auxilia dizendo coisas a mãe que somente ele poderia saber e pedindo perdão pelas brigas. Convencida e emocionada ela permite que a garota entre no quarto onde Nick está perecendo. Ela deita-se ao seu lado e pede perdão por tudo.O abraça e Nick acorda e sorri. Annie então, ferida pelo tiro de Marcus também sorri e perece.
O filme finda com o irmão de Annie, Victor brincando com um avião perto de um penhasco. E então alguém chega. É Nick, que se responsabiliza em cuidar do irmão da garota como ela cuidava. ele diz que os dois eram amigos e eles resolvem mandar um recado para ela. Os dois escrevem 'olá Annie!' no avião e o soltam no ar para que ela o veja onde estiver.
O invísivel é um filme que realmente gostei. A reviravolta no comportamento de Annie nos faz pensar sobre os julgamentos que fazemos sobre as pessoas sem nem ao menos conhecê-las de verdade. Os dois cometeram esse erro, e quando finalmente descobriram um ao outro perceberam que poderiam sim ser amigos, mas já era tarde. Eles perderam tanto tempo tentando se odiar que deixaram as chances passarem.
A vida é curta demais, e cheia de surpresas. Não devemos deixar-nos desperdiçar as melhores coisas que ela nos oferece. As pessoas passam em nossas vidas , e depende apenas de nós resolver que marca deixaremos nas vidas delas.
Só quando esteve 'invisível' Nick pode enxergar as pessoas de verdade, por trás de suas mascáras e pretextos. E pôde se enxergar.
Esse eu recomendo!
Observações: o filme foi  filmado aos arredores de Vancouver no Canadá, e nos cinemas em 27 de Abril de 2007 e em DVD em Outubro do mesmo ano.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Entre motos e asas


Era um grande despenhadeiro. Por mais que eu olhasse para baixo não consegui ver-lhe o fundo. Havia um barulho de corredeira, indicando a existência talvez de um rio nas profundezas.

A chuva fina escorria por meus cabelos que insistentemente grudavam em minhas costas e testa. Por baixo dos jeans puídos e da camiseta que provavelmente um dia fora branca eu tremia de frio. Meus pés estavam atolados na lama barrenta que não permitia que eu caminhasse normalmente.

 Saí da beira do penhasco, temendo que o vento me empurrasse para as profundezas e segui para a colina de pedras que margeava o outro lado da estradinha de terra. Minha mente não estava tão confusa agora. Eu sabia o que tinha que fazer: tinha que alcançar a estrada principal que me levaria à cidade mais próxima e havia urgência nisso, alguém precisava de ajuda e eu era a responsável por consegui-la.

A moto enlameada estava recostada no paredão, como eu havia provavelmente deixado. O capacete velho, de uma cor próxima do vermelho estava no banco. Subi na moto, tremendo ainda e enfiei o capacete. Não conseguia fazê-la pegar. Minha perna parecia feita de trapos, resultado talvez de meu medo de pilotar motos, adquirido há alguns anos.

Mas não havia tempo para hesitações. Consegui fazê-la pegar na terceira tentativa e o som do motor parecia o de um animal enraivecido, ferido e principalmente velho. Fiquei olhando para a estrada à minha frente.

Parecia uma fina cobra enroscando-se na serra. Uma descida íngreme. De um lado o paredão de pedra, do outro o vazio. Não tinha medo da altura, mas qualquer descuido ou me chocaria contra o paredão ou flutuaria no vazio e até o ponto que eu sabia não tinha asas, então era lógico que eu estava com medo.

Engoli em seco e fiz uma prece silenciosa e parti na estrada. E tudo o mais parecia um borrão enquanto descia velozmente e sem muito controle. Uma vozinha em minha cabeça gritava que eu iria me arrebentar nas curvas, mas eu não conseguia mais parar.

Pareceram minutos, e eu avistei ao longe um farol. A chuva caia torrencialmente, mas eu já não tinha qualquer controle. Só sabia que tinha que chegar ao meu destino.

No momento que avistei o farol e a outra moto no sentido oposto, meu coração deu um salto e quase parou. A estrada era estreita. Eu ia bater. Tentei parar e a moto guinou na lama e caiu me arrastando.

Sentia os ferros em cima de mim,  quando me vi livre do peso ouvi o barulho de algo caindo no vazio. Agarrei-me instintivamente a algo. Vi então a cena com mais clareza, minha moto acabava de despencar abismo a baixo. Eu estava pendurada, agarrada a uma raiz com o vazio abaixo de mim. Não conseguia gritar, tudo parecia muito rápido. Comecei a tentar escalar pela raiz, mas minhas mãos escorregaram e meus pés dançavam no nada sem controle.

E então no instante em que a raiz escapava de minhas mãos, algo agarrou o meu pulso com força. Fui puxada para cima e caí na lama com um estranho torpor no corpo. Os olhos cerrados. Precisei de um momento para voltar a respirar normalmente, e foi quando notei a presença de alguém em minha frente.

Tiraram meu capacete e a chuva voltou a molhar meu rosto.

Alguém me arrastava para longe do penhasco. Abri os olhos no instante em que me encostaram no paredão. A pessoa estava agachada à minha frente, me olhando por trás do capacete negro. Usava um macacão de MotoCross. Olhei para o bolso da roupa e vi então o par de asas bordados em linha branca no tecido azul escuro.

Ele estendeu-me a mão enluvada sem nada dizer e ouvi um barulho ensurdecedor e irritante.

Acordei em minha cama, com o suor pregando em minha roupa. Fazia um calor insuportável e meu celular tocava insistentemente.



quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O chamado do lobo


Não sabia ao certo há quantas já estava o dia. O céu estava fechado por uma densa camada de nuvens escuras e relâmpagos iluminavam frequentemente a inóspita paisagem.
A estrada era margeada por um floresta de pinheiros verdejantes, mas os faróis só me permitiam enxergar pouco a frente do caminho asfaltado que parecia não ter fim.
Preocupava-me algo, talvez o fato de dirigir sem habilitação ou mesmo idade apropriada. Havia um incômoda lacuna, mas sabia que tinha que chegar a qualquer custo a uma cidade antes que desabasse a tempestade iminente. A caminhonete preta de ano desconhecido não era tão rápida, mas ainda assim o vento entrava pelas janelas abertas aliviando o desconforto do tempo abafado.
Liguei o rádio do carro, sintonizado em uma rádio qualquer. Quando ergui os olhos do rádio, a luz dos faróis incidiu na figura e estremeci de susto: um lobo cinzento me fitava com grandes olhos azuis no meio do caminho.
Desviei do animal e o carro rodou chocando-se com uma árvore da margem. 
Sai do carro surpreendentemente ilesa, com as gotas grossas me ensopando instantaneamente. 
O lobo encarava-me no mesmo lugar, ele não havia recuado  um único centímetro, mesmo diante do quase impacto que havia ocorrido.
Ele me fitou de uma maneira estranha e virou-se adentrando na floresta do outro lado, não sem antes olhar-me mais uma vez. Eu sabia que ele queria que o seguisse. 
E aquilo estranhamente não me pareceu anormal.
O fiz.
Durante nossa caminhada, o lobo por diversas vezes virava-se para ter certeza de que o seguia. Chovia já torrencialmente fora da floresta, mas dentro as árvores diminuem o fluxo das gotas que caiam. 
Quando o lobo cinzento adentrou em uma caverna, mais uma depressão no meio das rochas do que qualquer coisa,  eu pude ouvir. Claramente.
Era um som de violino vindo de dentro da depressão.
Logo ao enxergar a entrada, vi a grande matilha.
Havia pelo menos dez lobos por toda a parte, sentados enquanto fitavam a chuva e a entrada, mas nem sequer me olharam quando passei em meio a eles.
Vi o fogo que crepitava no meio das pedras,  pude distinguir uma silhueta em pé de frente a ele. Era o violinista. Não pude ver-lhe a face, mas notei o sinal que fez para que me sentasse perto do fogo. Minhas roupas estavam ensopadas e notei que tremia. Sentei-me grata e ele prosseguiu com a canção sem nada dizer.
O lobo cinzento que havia me guiado se postou ao meu lado e passei a mão em seu pêlo fofo e quente. Ele sentou-se perto, me esquentando enquanto os olhos azuis brilhavam de maneira enigmática diante do fogo. 
Ouvíamos a música que parecia retumbar nas paredes. E que depois de um tempo cessou repentinamente. O violinista abaixou o instrumento e senti que me prescrutavam da escuridão. O corpo quente e felpudo ao meu lado ficou tenso e ergue-se.
Havia algo familiar ali, naquele homem, mas não pude distinguir e isso me desagradava.
“Acautele-se.”  Ele falou de repente, com uma voz familiar e rouca. A frase era estranha, absurda para mim. 
“Acautele-se.”  Ele repetiu e então ouvi os rosnados atrás de mim. Virei-me em  tempo de ver a matilha avançar pela caverna, com suas presas afiadas e caninos expostos na minha direção.
O lobo cinzento se postou de maneira protetora à minha frente, também rosnando, protegendo-me dos demais. O homem continuava parado, apenas assistindo.
“Cuidado ao andar com lobos.”  Falou de maneira agourenta.
Os rosnados estavam  perto e altos, ensurdecedores e eu sequer conseguia dar um passo para fugir.
“É melhor você ir agora.”
Assustei-me, não era mais o homem que falava, mas meu lobo cinzento. Ele estava em posição de ataque enquanto um outro lobo branco avançava rapidamente e pulava pronto para agarrar em minha jugular.
“Acorde!” 
O lobo cinzento gritou.
No momento em que os animais se chocaram, acordei no chão.
Havia caído da cama durante o sono.
Levei a mão ao pescoço automaticamente e procurei pelos rosnados ao redor. 
Não consegui mais dormir naquela noite. 

Não era a primeira vez que sonhava com lobos, mas mesmo assim aquilo me abalou. Tudo havia se passado em menos de quinze minutos desde a hora que havia me deitado. Pareceram horas. 

Vasculhe

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