quinta-feira, 7 de abril de 2011

Manobras de Outono

Eu chegava de um dia cansativo. Só pensava mesmo em chegar em casa, banho e cama.
Entrei no quarto parecendo que a gravidade me desafiava a me manter em pé literalmente. Coloquei os livros no canto do quarto e quando o fiz acidentalmente tropecei em uma avalanche de folhas que havia depositado perto da cama para posteriormente arrumá-la e decidir o que seria aproveitável.
Do meio das folhas, surgiu então meu volume surrado de manobras de outono. Olhei com nostalgia. Fazia tanto tempo que não lia nenhum livro que não fosse de cunho acadêmico!
 Segunda edição. 1967, o livro mais velho dentre os que possuo.
O toquei, as folhas amareladas e a capa remendado com durex (podem rir, mas quem nunca fez isso?), e então decidi falar para vocês deste livro tão significativo.
Para começar, é um livro que fala da segunda guerra mundial (tema recorrente em meus livros de cabeceira), na visão de um alemão. Ou como é retratado na própria sinopse, a história de um "bom alemão".  Emanuel Schütze, um homem que por 50 anos nada aprendeu senão a ser oficial. Vivendo duas guerras que balançaram o mundo, e por duas vezes estando no lado derrotado.
E o livro trata realmente da Alemanha antes, durante e após a primeira e segunda guerra mundial e a visão da população alemã neste periodo.
Fanatismo, obediência cega e humanidade, em todos os sentidos da palavra. 
Emanuel é um personagem interessante (como muitos de Konsalik, o autor), pois mostra o ser humano com todos seus medos, defeitos e apesar de tudo, na luta para manter certos principios indispensáveis.
No decorrer da trama vemos a mudança de personalidade de Emanuel, de visão sobre os acontecimentos. De um jovem aspirante ansioso por batalhas, a um ser humano louco por paz, que perdeu um filho (dois, na minha opinião. Se ler vai saber do que estou falando...), muitos anos de vida e um motivo para viver que não fosse por uma batalha. O que poderia então ser retrato como a própria Alemanha.
Manobras de outono mostra o horror e o sofrimento de mães, famílias e a batalha maior que houve durante o periodo sangrento da humanidade: A luta dentro de cada um.
Em suma, não é somente a história da guerra, ou da luta para ser um bom alemão, mas um bom homem.

Heinz G. konsalik sabe como ninguém nos instigar a fazer perguntas interiores após ler uma obra sua. E ainda mais, achar que conhecemos pessoas iguais a seus personagens por aí. Eu recomendo este livro não só para aqueles qu gostem de obras afins, mas para todo aquele que se interessa por o enigma que é o homem, e mais ainda, que quer ver a humanidade "nua", como tudo o que há de ruim, e de bom.

"Deviam-se reunir as palavras das mães de filhos mortos na guerra... juntá-las em todo mundo... e imprimir com elas um livro grosso. E esse livro devia ser leitura obrigatória dos politicos. Deviam ser obrigados a ler tudo, da págiana 1 a 2.000! (...)E depois lhe perguntariam: o que aprenderam com isso? Sabe o que responderaim? 'Conosco é diferente. Nós agimos diferente. ' Até a próxima guerra. Ser político significa erguer o próprio espírito a condição de um pequeno deus. E o ser humano rasteja diante dos deuses. Sim, talvez até matassem as mães juntamente com as suas palavras, para continuar a fazer política sem ser incomodados..."
Emanuel Schütze


lOREM kRSNA

Um comentário:

  1. Eu li esse livro há uns 20 anos atrás. Amei!! Hoje do nada me lembrei dele. Gostaria muito de comprar uma edição. Mas moro no México e não acho que encontre uma versão em português aqui. Que legal que você tem um.

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